Um dos maiores receios de quem pondera comprar um carro elétrico começa a dissipar-se. Dados reais mostram que as baterias estão a aguentar muito mais quilómetros do que se antecipava, com muitos veículos a manterem a maior parte da autonomia original mesmo depois de centenas de milhares de quilómetros percorridos.
Durante anos, a durabilidade das baterias foi apontada como o calcanhar de Aquiles dos carros elétricos. A dúvida recaía sempre sobre se os pacotes de baterias, caros e complexos, aguentariam o tempo de vida do carro ou iriam exigir substituições dispendiosas passados poucos anos.
Segundo um artigo do The Wall Street Journal, os dados recolhidos junto de proprietários reais estão a contrariar esse cenário pessimista, e podem mudar a forma como os consumidores encaram a compra de um elétrico.
Dados reais confirmam maior resistência das baterias
O jornal cita o caso de Richard Symons, um revendedor britânico de carros elétricos em segunda mão, que tem um Tesla Model 3 com cinco anos. Com 247.000 milhas percorridas (cerca de 397.000 km), o elétrico continua a fazer viagens longas sem sobressaltos.
A experiência não é isolada. Segundo a empresa de análise de baterias Recurrent, ao fim de cinco anos de utilização, um elétrico mantém, em média, até 95% da autonomia original, um resultado bem acima do que muitos compradores temiam.
Esta evolução deve-se, em particular, a melhorias na química das baterias, a sistemas de gestão térmica mais eficientes e a software de gestão de bateria cada vez mais sofisticado, que protege as células do desgaste ao longo do tempo.
Os números de reparações confirmam a tendência de melhoria:
- Entre os elétricos fabricados entre 2011 e 2016, cerca de um em cada 12 acabou por precisar de substituir a bateria.
- Nos modelos produzidos a partir de 2022, essa percentagem caiu para apenas 0,3%.
Esta queda não é por acaso. Afinal, os primeiros Nissan LEAF, por exemplo, não tinham sistemas de arrefecimento da bateria, o que os tornava muito mais vulneráveis à degradação do que os modelos atuais.
Perceção dos consumidores não acompanhou evolução da bateria
Apesar dos números, a perceção dos consumidores não acompanhou esta evolução. Um estudo da AutoPacific, de 2025, revela que o receio de ter de substituir uma bateria cara continua a ser a principal razão que afasta potenciais compradores dos elétricos.
Ao The Wall Street Journal, Jessica Caldwell, responsável de insights da Edmunds, admitiu que a desconfiança em torno das baterias continua bem enraizada, apesar dos dados cada vez mais favoráveis.
Nem tudo é perfeito: os hábitos de carregamento contam
Isto não significa que as baterias sejam imunes ao desgaste. O uso frequente de carregamento rápido DC acelera a degradação, quando comparado com carregamentos mais lentos.
Segundo dados da Geotab, os veículos carregados frequentemente a alta potência retêm cerca de 89,7% da capacidade original ao fim de alguns anos, contra 94,9% nos que recorrem menos ao carregamento rápido.
Carregar sempre até aos 100%, deixar a bateria descarregada durante longos períodos ou expor o veículo a temperaturas extremas são outros fatores que aceleram o envelhecimento das células.
Quanto a custos, substituir uma bateria fora da garantia ainda pesa no bolso. Nos Estados Unidos, este trabalho custa entre 5000 e 16.000 dólares, consoante a fabricante, segundo o mesmo jornal.
Ainda assim, cada vez mais marcas desenham as baterias de forma modular, permitindo reparar apenas os módulos danificados em vez de trocar o pacote inteiro, o que reduz significativamente os custos a longo prazo.
Se a tendência de maior durabilidade das baterias se confirmar à medida que mais veículos ultrapassam as centenas de milhares de quilómetros, um dos maiores receios associados à compra de um elétrico pode, finalmente, desaparecer.
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