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Volta: 12 coisas que talvez não saiba sobre o sistema português

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O sistema Volta já recolheu milhões de garrafas e latas desde abril, mas o seu funcionamento continua a gerar dúvidas e, principalmente, ceticismo. Por detrás do depósito e da devolução há um sistema que começou a ser preparado há vários anos e que envolve regras mais específicas do que aparenta. Eis 12 curiosidades sobre o sistema português!

#1 – O sistema vinha a ser preparado há vários anos

Apesar de o Volta só ter chegado às prateleiras e às caixas de supermercado em abril de 2026, o processo que o tornou possível arrancou antes disso.

A SDR Portugal, entidade responsável pela gestão do Sistema de Depósito e Reembolso, resultou de uma carta de compromisso assinada por embaladores em 2019 e foi formalmente constituída como associação sem fins lucrativos a 1 de setembro de 2021.

Ao longo desses anos, a associação dedicou-se a desenhar o modelo de funcionamento, a negociar com retalhistas e produtores, e a montar a infraestrutura de recolha necessária para que o sistema pudesse arrancar em todo o território nacional, incluindo as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.

#2 – Os 10 cêntimos não são um aumento do preço da bebida

Quando uma garrafa que custava um euro passa a custar 1,10 €, é fácil interpretar a diferença como um aumento de preço. Contudo, trata-se de um valor de depósito, fixado em 10 cêntimos pelo Despacho n.º 432/2026, que é cobrado no momento da compra e devolvido integralmente quando a embalagem vazia é entregue num ponto de recolha autorizado.

Este valor está isento de IVA e é transmitido ao longo de toda a cadeia de distribuição, desde o produtor até ao consumidor final, conforme previsto no Decreto-Lei n.º 152-D/2017.

Ou seja, o dinheiro não representa uma receita adicional para o retalhista, mas sim uma caução que circula até ser reclamada por quem devolve a embalagem.

#3 – O dinheiro não reclamado não desaparece

Quando uma embalagem abrangida pelo Volta não chega a ser devolvida, os 10 cêntimos correspondentes não ficam perdidos, sendo reinvestidos na atividade das entidades gestoras, nomeadamente em inovação tecnológica e na melhoria da infraestrutura de recolha.

Além disso, caso o desempenho de recolha fique significativamente abaixo das metas definidas nas licenças do sistema, uma parte destes valores pode reverter para o Fundo Ambiental e para o Fundo para a Promoção dos Direitos dos Consumidores, em vez de permanecer exclusivamente dentro do Volta.

#4 – Nem todas as garrafas e latas estão abrangidas

O sistema aplica-se apenas a embalagens primárias não reutilizáveis, feitas de plástico, metais ferrosos ou alumínio, com capacidade até três litros, desde que exibam o símbolo Volta.

O vidro fica de fora e continua a ser encaminhado para o ecoponto verde, tal como acontecia antes. Também não entram no sistema embalagens que contenham derivados lácteos, uma exclusão que se soma ao facto de, durante esta fase de transição, coexistirem no mercado produtos com e sem o símbolo Volta.

Especialmente nesta fase, é essencial verificar a presença do logótipo antes de assumir que uma embalagem tem depósito associado.

#5 – A rede de recolha vai muito além das máquinas do supermercado

A imagem mais comum associada ao Volta é a de uma máquina automática à entrada de um hipermercado. No entanto, essa é apenas uma parte da rede. Existem também Pontos Volta manuais, geridos por funcionários em estabelecimentos de menor dimensão, e Quiosques Volta, pensados para zonas de maior circulação.

Segundo dados mais recentes da SDR Portugal, a rede ultrapassa já os 3000 Pontos Volta e os 50 Quiosques distribuídos por 38 municípios, um número que tem vindo a crescer desde o arranque do sistema em abril.

Esta distribuição procura garantir que a devolução de embalagens não fica exclusivamente dependente das grandes superfícies comerciais.

#6 – Pode devolver até 120 embalagens por minuto

Os Quiosques Volta foram concebidos para quem precisa de devolver grandes quantidades de garrafas e latas de uma só vez, em vez de depender das máquinas mais pequenas instaladas junto às entradas dos supermercados.

De acordo com a SDR Portugal, os equipamentos automatizados conseguem identificar e registar cerca de 120 embalagens por minuto, uma capacidade que os torna particularmente úteis para associações, escolas ou eventos que recolham grandes volumes de embalagens antes de as entregarem no sistema.

#7 – Há pontos de recolha sem qualquer máquina

Nem todos os Pontos Volta funcionam através de equipamento automático. Em estabelecimentos de menor dimensão, como minimercados ou lojas de proximidade, a devolução é feita através de um Ponto Volta manual, em que é um funcionário quem recebe a embalagem, confirma se cumpre os critérios exigidos e processa o reembolso.

Esta opção permite alargar a rede de recolha a locais onde a instalação de uma máquina automática não seria prática nem rentável, contribuindo para que a cobertura do sistema chegue a zonas mais afastadas dos grandes centros urbanos.

#8 – O destino das embalagens é diferente da reciclagem tradicional

Uma das diferenças mais relevantes do Volta em relação ao sistema de reciclagem convencional está no percurso que a embalagem faz depois de devolvida. Em vez de seguir diretamente para um ecoponto genérico, as garrafas e latas recolhidas são encaminhadas para Centros de Contagem e Triagem, onde são separadas por material antes de avançarem para os recicladores.

O objetivo desta separação mais rigorosa é obter matéria-prima de maior qualidade, permitindo que uma garrafa volte efetivamente a ser uma garrafa e que uma lata volte a ser uma lata, em vez de o material ser degradado ao longo do processo de reciclagem, como acontece com mais frequência no circuito tradicional dos ecopontos.

Reciclagem de plástico

#9 – A devolução não tem de ser feita onde a bebida foi comprada

Ao contrário do que seria expectável, não é necessário guardar uma garrafa vazia até voltar ao supermercado onde foi comprada. Qualquer Ponto Volta ou Quiosque Volta aceita embalagens abrangidas pelo sistema, independentemente do local de compra.

A exceção aplica-se à restauração: cafés, restaurantes e bares só são obrigados a aceitar embalagens que eles próprios tenham vendido. Nestes estabelecimentos:

  • Se o pagamento for feito apenas no final da refeição, o depósito não costuma ser cobrado, uma vez que a embalagem permanece no local e é o próprio estabelecimento a garantir a sua devolução;
  • Se o pagamento for antecipado, como acontece em máquinas automáticas, o depósito é cobrado e a responsabilidade pela devolução passa para o cliente.

#10 – O código de barras pesa tanto como o símbolo Volta

Para que a devolução seja validada, o sistema precisa de detetar o símbolo Volta e de conseguir ler o código de barras da embalagem, o que exige que esta chegue vazia, intacta, com a tampa colocada e sem deformações que impeçam a leitura.

Curiosamente, são as próprias máquinas que, depois de validarem a embalagem, podem esmagá-la para impedir devoluções fraudulentas repetidas. Nessa fase, contudo, o reembolso já foi processado.

#11 – O vale emitido pela máquina tem um ano de validade

Quem devolve embalagens numa máquina Volta e opta por receber o reembolso sob a forma de vale não precisa de o gastar de imediato. Este voucher, emitido diretamente pelo equipamento, mantém-se válido durante um ano a partir da data de emissão.

Esta validade alargada permite acumular valores resultantes de várias devoluções ao longo do tempo.

#12 – Não é obrigatório gastar o valor na loja onde se devolveram as embalagens

Devolver embalagens num supermercado não obriga a gastar o valor reembolsado nesse mesmo estabelecimento. Consoante as modalidades disponibilizadas pelo retalhista, o consumidor pode optar por receber o valor:

  • Em dinheiro;
  • Sob a forma de vale de desconto;
  • Creditado num cartão de fidelização;
  • Ou até doá-lo a uma instituição de cariz social.

Importa referir que, por determinação legal, a devolução em numerário tem de estar sempre disponível nalguma modalidade, ainda que nem todos os equipamentos ofereçam a totalidade das opções. Por exemplo, algumas máquinas não permitem transferência direta para cartão bancário, ficando essa escolha ao critério de cada retalhista.

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Comentários

17
  1. YA
    Yamahia

    O vale tem validade de um ano. Deveria ser vitalício, mas adiante. A pergunta é:

    -A impressão é feita naquele papel térmico manhoso que, ao fim de um mês, já nem se percebe metade dos caracteres?

    1. ZÉ
      Zé

      Mas queres fazer coleção de vales, é? Pegas no vale, vais à loja da próxima vez que forem comprar qualquer coisa. Presto!

      1. MY
        Mr. Y

        O Motinhas só vai às compras de 6 em 6 meses que é quando ele vai atestar o depósito para fazer 1000km

        1. YA
          Yamahia

          Pois já calculava. Dão validade de um ano mas o comprovativo não dura dois meses. Mais um embuste a somar aos outros.

    2. DG
      David Guerreiro

      Não, o papel térmico aguenta bem mais de um mês sem perder a tinta, desde que não se mexa com as mãos molhadas ou sujas. Facilmente aguenta 6 meses ainda legível.

  2. FI
    Figueiredo

    A união europeia (ue) não impõe o esquema «Volta», aquilo que a união europeia (ue) exige e impõe é a obrigação de ter um sistema de depósito e reembolso com 90% de recolha até 2029 ficando ao critério dos Estados-membros decidir qual o modelo a implementar.

    O sistema do «Volta» é um esquema criminoso montado para taxar e saquear o dinheiro dos Portugueses e como tal tem de acabar imediatamente, e a Sr.ª Ministra do Ambiente, Maria Carvalho, por estar a mentir deixa de ter condições para exercer o cargo devendo de imediato demitir-se.

    Sobre a reciclagem e o esquema «Volta» importa também esclarecer o seguinte, a maioria do plástico não pode ser reciclado independentemente do estado em que se encontre, existe uma pequena percentagem de plástico que pode ser reciclado mas só o pode ser no máximo até 5 vezes, e sempre que o plástico é reciclado vai perdendo as suas capacidades e a sua toxicidade aumenta.

    Os custos da reciclagem e as consequências no Meio-Ambiente são muito superiores comparadas com a produção de novos plásticos.

    Quase todos os artigos nos supermercados têm plástico na sua embalagem, o mesmo acontece noutros estabelecimentos de diferentes ramos; se você no supermercado ou noutro estabelecimento comprar um saco de plástico vão-lhe cobrar uma taxa – como fazem no esquema «Volta» –, agora pare para pensar no seguinte: porquê que o cliente é taxado por comprar um saco de plástico ou uma embalagem de plástico no esquema «Volta» e aqueles que produzem e vendem o plástico não o são?

    Porquê que não obrigam as empresas a engarrafar as bebidas em garrafas de vidro em vez de garrafas de plástico obrigando igualmente os supermercados a vendê-las? Isto não significa proibir as embalagens de plástico mas dar a alternativa ao cliente de escolher o vidro que é um material que verdadeiramente pode ser reciclado ao contrário do plástico.

    O esquema «Volta» não tem qualquer preocupação com o Meio-Ambiente e a reciclagem, é uma forma do regime liberal/maçónico cobrar mais uma taxa e ainda gozam com os Portugueses – que são dos que mais fazem a reciclagem –, agora em vez de separar as embalagens e amassá-las para caberem e não ocuparem tanto espaço no ecoponto, tornam-se acumuladores de lixo, andam carregados com enormes sacos cheios de embalagens/garrafas que mal lhes podem tocar, depois vão perder muito tempo a colocar as garrafas muito direitinhas e limpas numa máquina que as vai amassar… e no fim de tudo isto – acumular as embalagens/garrafas que têm de estar como novas – recebem 0.10 cêntimos por cada embalagem/garrafa amassada… agora vejamos, para isto valer a pena a nível financeiro quem quisesse fazer 50 euros por dia teria de depositar na máquina 500 embalagens/garrafas por dia, se preferisse ganhar 20 euros por dia teria de depositar 200 embalagens… para bom entendedor meia palavra basta mas infelizmente ainda há Portugueses que não perceberam que estão a ser enganados e levam as embalagens a uma máquina que as amassa, em troca recebem 0.10 cêntimos (que nem dá para um pão ou uma chiclete) e o regime liberal/maçónico e respectiva oligarquia riem-se desses Portugueses que vão à máquina, enquanto enriquecem às suas custas.

    1. MY
      Mr. Y

      Sabes o que os portugueses podem fazer para não andar carregados com essas garrafas para trás e para a frente? Não comprar

      1. BS
        BRUTUS SUAVIS

        é o que eu faço. deixei de comprar, só se for mesmo inevitável. é um esquema! burros são aqueles que acreditam no quão amigos do ambiente são estes hipócritas!

    2. PZ
      Paga Zé

      Não percebo nada desta verborreia.

      Continuo a comprar garrafas e não pago mais por isso. Nunca tive uma devolução rejeitada pela máquina. A única vez em que encontrei a máquina desligada, falei com um funcionário do supermercado, que me pediu a garrafa e me deu um talão. Não tenho de pagar nada a mais para ir ao supermercado em vez de ir ao ecoponto.

      Qual é o vosso problema? É por serem mentecaptos?

      1. MY
        Mr. Y

        Ele ainda não percebeu que o que transportou a garrafa para casa dele também consegue fazer o mesmo estando vazio. Se já colocava a garrafa no ecoponto amarelo o processo é muito semelhante e tem uma alegria porque recebe o dinheiro de volta.

        1. RC
          R.C.

          O processo não é o mesmo, existem ecopontos em todo o lado, mas nem todos têm um ponto volta que possam ir a pé com 50 garrafas cheias de ar. Quando ao dinheiro a alegria é contra balançada com a tristeza de ser forçado a pagar mais na compra.

  3. RM
    Ricardo Marques

    Isto diz tudo : O objetivo desta separação mais rigorosa é obter matéria-prima de maior qualidade, permitindo que uma garrafa volte efetivamente a ser uma garrafa.

    A falta de honestidade e rigor , que impera no 1/4 de séc XXI é Atroz, alguém acredita que é uma empresa sem fins lucrativos ? Alguém acredita que é para o bem da população? Alguém acredita que é para a sustentabilidade? Alguém acredita que é para contribuir para um melhor ambiente? Eu Não , melhor para o "dono" da empresa , melhor para o PM de Portugal que arranjou um imposto camuflado como prática de bom ambiente e ecológico. O cidadão comum , só serve para 2 coisas , votar quando eles querem, e pagar , pagar sem direitos . Expliquem -me como se fosse um grande asno. Uma garrafa ou outra qualquer coisa têm de ter Matéria Prima , MP essa que as empresas têm de pagar para fazer um produto novo , que posteriormente esse produto é colocado à venda com base nos custos totais da produção , nomeadamente, MP, luz, água, Impostos , funcionários , tudo o que têm direito , sem ser irónico, mas o lucro do patrão, se assim é , porque carga de água eu sou obrigado a pagar 0.10 de MP e entregar a uma empresa para ter lucro com o meu trabalho ? Atenção não sou comunista. A obrigação das empresas se querem a nossa MP para não adquirir nova , É pagar correcto? Os principais núcleos do poder , brisa , estado, empresas privada , continentes , Leroy, Pingos, Auchan , IKEA… Estão a transformar os portugueses em clientes Funcionários sem direitos e o que me choca mais , é o facto de ninguém ver o que se vai passar daqui a menos de uma década. Somos clientes, por trabalhar para eles não temos descontos … E não são descontos de 0.01 cêntimos… Olhem a brisa , deixou de ter funcionários e pagamos cada vez mais as Auto estrada . Podem achar que não têm nada haver com o Volta Mas tem , tudo o que fazem é para roubar cada vez mais os portugueses , falo cá . Se alguém da volta conseguir contrariar a minha teoria , agradeço que o façam, mas sem falácias e diretos , não artigos como se diz em filosofia , só com palha , e nada de conteúdo.

    Quem devia pagar pelas nossas garrafas, são aqueles que fazem lucro com elas, não nós .

    1. MY
      Mr. Y

      Os 10 cêntimos são para 'obrigar' a devolução das garrafas porque ainda aparecem muitas por aí. Segundo os relatórios, Portugal a taxa de reciclagem anda perto dos 40%.

      Esta taxa não é exclusiva de Portugal pois é cobrada noutros países europeus para o mesmo efeito.

  4. LM
    LMR

    13ª coisa: "O dinheiro não reclamado não desaparece" – também vai para pagar a um dos administradores do sistema, que ganha acima de 10.000€ por mês.

  5. TU
    Test User

    Sistema amador cheio de falhas, ridículo para quem vinha a preparar há vários anos.

    Deviam preocupar-se em reciclar, isto não passa de um imposto.

    Não existem ecopontos suficientes. Nem que fosse caixotes para recolha de reciclagem.

    No interior máquinas volta nem vê-las.

    Maratona para entregar pilhas, lampadas,etc

  6. HF
    Henrique Ferreira

    Pura publicidade a uma aberração ecológica e abusiva!

    Deviamos despejar o resto do enorme saco de plastcos e metais, que temos na mesma em casa, junto ás máquinas e levam tudo!

  7. MI
    Mike

    Comprei 2 garrafas térmicas reutilizáveis, e agora só compro água em garrafão. Até fica mais barato e não alimento negócios de bandidos.

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