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Volta chegou agora a Portugal. Saiba que países europeus usam o sistema há décadas

32 Comentários

O novo Sistema de Depósito e Reembolso (SDR), conhecido como Volta, começou a funcionar em Portugal em abril e tem sido acompanhado por muitas dúvidas e outras tantas críticas. Não obstante, sabia que Portugal não está a testar este modelo sozinho?

Com muitas dúvidas e críticas em cima da mesa, importa referir que Portugal não está a testar o sistema Volta sozinho. Ainda que sob nomes diferentes, os sistemas de depósito e retorno, conhecidos pela sigla SDR, em português, já existem há décadas em vários países europeus e continuam a ser implementados noutros.

Assim sendo, o caso português deve ser inserido nesse contexto mais amplo. Ou seja, a experiência de outros países não prova que o Volta vai funcionar bem, mas permite perceber que este tipo de processo passa por uma fase de maturação que deve ser tida em conta.

Um modelo que já existe há décadas

Conforme mostrado por um mapa interativo, há países com SDR em funcionamento desde os anos 1980 e 1990, enquanto outros só recentemente deram esse passo, como Portugal, que entrou neste grupo em 2026.

Veja o mapa aqui

A Suécia começou a aplicar o seu sistema a latas em 1984, a Islândia em 1989 e a Noruega em 1999. Outros países, como a Alemanha, Dinamarca, Croácia e Lituânia avançaram posteriormente com os seus próprios modelos. Mais recentemente, Irlanda e Áustria juntaram-se a esta tendência.

Isto significa que o Volta não representa uma experiência isolada ou uma solução inventada para o mercado português. Na verdade, é a versão nacional de um conceito que já faz parte das políticas de gestão de embalagens de vários países europeus.

Não existe um “modelo europeu” único

Apesar do objetivo comum, importa ressalvar que os SDR (ou DRS, na sigla em inglês) da Europa não funcionam todos da mesma maneira.

Os países diferem nos materiais abrangidos, no valor do depósito, nas formas de devolução das embalagens, na rede de pontos de recolha e na organização do sistema. Além disso, há diferenças significativas na maturidade de cada programa.

A experiência europeia mostra que os SDR podem atingir taxas de recolha bastante elevadas. Segundo os dados compilados pela Sensoneo, empresa tecnológica europeia especializada em gestão inteligente de resíduos, que desenvolve soluções digitais para otimizar a recolha, monitorização e tratamento de resíduos:

  • A Finlândia registou uma taxa de recolha global de 96% em 2021;
  • A Noruega de 92,3%;
  • A Dinamarca de 93%;
  • A Lituânia de 90%;
  • A Croácia de 90,7%.

A Alemanha, cujo sistema funciona desde 2003 e inclui garrafas de plástico PET (polietileno tereftalato, um tipo de plástico muito utilizado na produção de embalagens), vidro e latas de metal, apresenta uma taxa de recolha de 98% para os materiais considerados.

Estes números ajudam a explicar por que razão o modelo ganhou espaço nas políticas europeias de economia circular. Ainda assim, a UNESDA, associação europeia que representa a indústria das bebidas, defende a utilização de SDR bem desenhados e aponta para taxas de recolha de plástico PET entre 65% e 95% nos países onde estes sistemas estão implementados.

Nem todos os sistemas estão na mesma fase de maturação

Exemplos mais recentes ainda não permitem tirar grandes conclusões. A Irlanda iniciou o seu sistema em 2024, a Áustria em 2025 e Portugal em 2026. Nestes casos, os primeiros meses ou anos correspondem a períodos de adaptação, nos quais consumidores, retalhistas, produtores e operadores têm de se adaptar a novas regras e processos.

Neste contexto embrionário, a experiência dos países que chegaram primeiro pode ser útil para que, em vez de questionar a eficácia do Volta português, percebamos como foi desenhado, que dificuldades surgiram, como foram resolvidas e que alterações foram introduzidas ao longo do tempo.

Em Portugal, onde o Volta foi implementado há apenas alguns meses, toda a cadeia pode beneficiar da experiência que já vai ganhando robustez pela Europa.

O que significa isto para o Volta?

O facto de existirem sistemas semelhantes noutros países europeus não invalida as críticas que estão a ser feitas em Portugal. Afinal, um sistema pode ser adequado e, ainda assim, ter problemas na sua implementação.

O Volta começou a funcionar a 10 de abril de 2026 e abrange garrafas e latas de bebidas de plástico, metal e alumínio até três litros, com um depósito de 10 cêntimos que é devolvido quando a embalagem é entregue num ponto de recolha.

Nos primeiros dois meses, a SDR Portugal anunciou a devolução de mais de 10 milhões de embalagens através da rede então disponível, num primeiro indicador de adesão.

Contudo, ainda é demasiado cedo para avaliar o desempenho global do sistema a longo prazo.

 

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Comentários

32
  1. LS
    LS

    Não volta.
    Fica na prateleira!

    Politicas a tentar resolver problemas de reciclagem ao impor taxas, EU in a nutshell.
    Espero os lucros das empresas que vendem produtos dessas categorias baixarem os lucros e apontar o dedo a esta medida ou fazerem embalagens com custo equivalente sem Volta (props Penacova).

    1. RU
      Rui

      Não existe taxa nenhuma é um pagamento com devolução portanto qual é a taxa? Taxas pagou o governo com todo este sistema ou achas quefoi tudo de graça?
      Tal como está na noticia esta medida existe há decadas noutros paises com taxas de eficacia acima dos 90% portanto se em Portugal não funcionar diz muito mais sobre as pessoas deste pais do que sobre o governo mas pronto já sabemos há varios anos que não estamos na cauda da europa só a nivel geografico mas sim também ao nivel de inteligencia

      1. MO
        Morty

        E uma taxa escondida! Para roubar em nome do ambiente..
        Antes o lixo ia para o eco amarelo. não havia nenhuma maquina a contar o nr de latas/garrafas que iam lá parar mas curiosamente conseguem saber que taxa de recolha aumentou 90~ % pufff

        E no sistema tuga, o que ha mais e maquinas que não funcionam, empregados do super frustrados com o sistema. já devolvi latas e fiquei com metade das latas e sem dinheiro pois a máquina ficou com o depósito cheio e a impressora sem papel xD. Acabei por as deitar ao lixo normal, quando antes iam sempre espalmadas para o ecoponto do plastico.

        Go Moralistas das tampinhas!

        1. RU
          Rui

          É uma taxa para os parvos só se for mas pronto realemnte tga que é tuga é mesmo uma taxa porque basta ir devolver e já não é taxa nenhuma.
          Não me parece dificil saber a taxa de recolha não é preciso maquina nenhuma contar, se são postas em circulação X latas e são devolvidas X latas pelo ecoponto amarelo um miudo de 10 anos consegue fazer a conta .

          1. KB
            King Banido

            Apartir do momento que agora consomes um produto, pagas mais e caso sigas a tua vida normal perdes dinheiro… entao é uma taxa sim.
            Por mais que se argumente que basta devolver… ja foram enumerados N problemas que acontecem atualmente e faz com que fiques sem o teu dinheiro e sem vontade de continuar a juntar lixo em casa para receberes 1€ de volta.
            Podes argumentar que tbm só fico sem 1€, mas e quantos milhôes nao acabam nos cofres do estado com as pessoas que nao utilizam este sistema? Logo, é uma taxa
            Eu não uso e, reclamo porque é uma invenção de ir buscar mais uns milhones com a desculpa do ambiente e de que recebes o teu dinheiro de volta…

          2. BV
            B@rão Vermelho

            @Rui, não descordando da tua opinião, mas pode haver discrepâncias de números uma vez que há pessoas como eu que só bebo água engarrafada e compro garrafões de 6 lt e depois ia enchendo garrafas de plástico de 1,5 lt, quando começavam a ganhar cheiro iam para o ecoponto, e agora com o pagamento da taxa as pessoas devolvem mais rapidamente as garrafas dai os números poderem mostrar uma subida, mas atenção é apenas um achismo meu pela minha própria experiencia.
            Eu acabei por comprar garrafas de vidro com tampas para passar dos garrafões e deixei de comprar as garrafas de 1,5 lt.

          3. RU
            Rui

            Pronto então é uma taxa só para alguns quem não quiser não a paga diria que este é o melhor tipo de taxa

          4. J
            J

            Realmente, não há taxa. Há é obrigação de trabalho extra (comparativamente com colocar no ecoponto amarelo) para recuperar os 10 cêntimos… como diz o poeta… mais vale fazer caridade!

      2. RE
        Realista

        > Não existe taxa nenhuma é um pagamento com devolução portanto qual é a taxa?
        Pergunta isso ao pessoal que vive nas centenas de aldeias do interior do país, muitos deles velhotes com reformas miseráveis, e que não têm carro nem forma de se deslocar a uma grande superfície para fazer a devolução.

        1. RU
          Rui

          As aldeias têm todas um posto manual aderente seja um café ou geralmente a mercearia local portanto essas pessoas podem devolver onde fazem as compras

          1. MA
            Max

            ??? De onde é que tiraste essa que todas as aldeias têm um posto manual aderente – se só é obrigatória para estabelecimento comercias com uma superfície de 200 m2?

          2. RE
            Realista

            Não inventes.
            É como disse o @Max acima, “só é obrigatória para estabelecimento comercias com uma superfície de 200 m2”
            Vai haver muita boa gente nas aldeias que referi que vai ficar a arder. E não vão ser os mais desafogados a nível financeiro.

          3. RU
            Rui

            É obrigatória o ponto de recolha automático, existe o pontos de recolha manual tal como podem ler no documento da volta
            https://sdrportugal.pt/wp-content/uploads/2025/04/Manual_do_PdR_26set2025_v0.6-PT.pdf
            Até vos facilito o trabalho pagina 5 Pontos de Recolha Manual “Volta”
            Convém saber do que se fala antes de fazer figuras
            Estes pontos manuais são pontos sem maquina que se devolve diretamente ao estabelecimento e este depois tem o trabalho de devolver ao sistema

          4. RE
            Realista

            Mais uma vez, “não há obrigatoriedade”. Parece que estás com dificuldades em entender este conceito.

          5. RU
            Rui

            Estabeecimentos medios tem obrigação de receberem e pagar, apenas estabeleciemntos pequenos têm de ser aderentes ma como tambem é compensações para estes já existe praticamente um em cada aldeia e ainda estamos no inicio.
            Isto é como em tudo o sistema está montado e bem montado muitos outros paises da europa têm o sistema quem quer arranja soluções quem não quer arranja problemas e o tuga adora arranjar problemas em tudo o que é novo não estivesse eu ca quando começaram a aparecer os ecopontos

          6. AN
            Antonio

            Mentira. Não há nenhuma aldeia que tenha ponto de recolha, há ainda algumas cedes de concelho que não têm máquinas de recolha, volta.

  2. PO
    PorAquiTudoBem

    E quais são os próximos países a adoptar um sistema SDR na Europa?

    1. JF
      Jose Fosquinhas

      Espanha

  3. GO
    Gonçalo

    Vamos só aguardar para o verstappen vir repetir exatamente o que está na noticia

  4. PA
    Pascoal

    esqueceram se mencionar a França que tem o mesmo sistema chamado b:bolt mas nao e obrigatorio ao contrario de portugal que temos que pagar 10cts os hipermercados tao 1/2cts

    1. BV
      B@rão Vermelho

      Para os mais velho antigamente as garrafas de vidro pagavam deposito, quando íamos trocar por outras tinhas o desconto por entregar as antigas.

  5. JO
    Joca

    1984?
    Meu Deus!
    Somos mesmo uns atrasados, que vergonha.

    1. UT
      utherzzao3

      O Salazar atrasou Portugal mais de 30 anos em relação à média europeia.

  6. MA
    Max

    Como tudo, há que “equacionar” … Equacionemos:
    Todos os países da UE têm ecopontos – uns como nós, com depósitos na rua e outros por recolha periódica à porta de casa de sacos separados por cores
    Então por que é que bastantes países têm também SDR (além do ecoponto)?
    1) Claramente porque querem garrafas de plástico (e latas) limpas. A legislação europeia manda reciclar uma percentagem elevada de plásticos. Mas as garrafas (e latas) do ecoponto, misturadas com as embalagens de leite, estão engorduradas e com outros resíduos, não dá para reciclar como se pretende (obter outra garrafa).
    2) Vai aumentar muito a recolha de garrafas em relação ao ecoponto? Há quem diga que sim, porque as garrafas passam a valer dinheiro, quem as deitava para o lixo comum vai querer receber por ela. E como o reembolso pertence a quem puser a garrafa na máquina quem uma garrafa abandonada põe-na lá (ou, como se tem visto, assalta o lixo e espalha-o pelo chão à procura de garrafas e latas).
    É esperar para ver. Em casa não se bebe água engarrafada, bebe-se água da torneira. As cervejas são em garrafas de vidro. Sobram umas garrafas grandes de Coca-Cola e pouco mais. Nada de especial.
    E quanto às garrafas e latas em rastaurates?
    – Se as bebidas foram compradas em take-away, paga-se os 10 cêntimos pela garrafa(lata e pode-se levar ou deixar (e o comerciante pode levá-las à máquina e receber os 10 cêntimos)
    – Se forem consumidas à mesa/balcão – embora o comerciante tenha pago os 10 cêntimos aos fornecedor, pode não os facturar ao cliente (e recuperá-los indo por as garrafas na máquina). Mas também faturar os 10 cêntimos ao cliente como no take-away. Também não afeta, no verão, nas refeições fora é habitual pedir-se uma garrafa grande de água. Se sobrar leva-se. Se vai para a máquina, não creio, deve ir para ao caixote do lixo público. Se alguém a for por na máquina, bom proveito (desde que não atire lixo para o chão).
    Há coisas mais importantes que o Volta que deviam ser discutidas. Os 3,0 mil milhões das fragtas, por exemplo.

  7. AJ
    ajs

    Podiam aplicar o Volta para as piriscas de cigarro.

    1. LM
      LMR

      Há casais separados e divorciados em Portugal a utilizar o sistema Volta há umas dezenas de anos.

  8. BS
    Brutus Suavis

    Um belo esquema. Sempre que possível evito comprar essa bosta.

  9. FI
    Figueiredo

    Este esquema do “Volta” é mais um, e ainda gozam com os Portugueses – que são dos que mais fazem a reciclagem -, agora em vez de separar as embalagens e amassá-las para caberem e não ocuparem tanto espaço no ecoponto, tornam-se acumuladores de lixo, andam carregados com enormes sacos cheios de embalagens/garrafas que mal lhes podem tocar, depois vão perder muito tempo a colocar as garrafas muito direitinhas e limpas numa máquina que as vai amassar… e no fim de tudo isto – acumular as embalagens/garrafas que têm de estar como novas – recebem 0.10 cêntimos por cada embalagem/garrafa amassada… Agora vejamos, quem quiser fazer 50 euros por dia teria de depositar na máquina 500 embalagens/garrafas por dia, se preferir ganhar 20 euros por dia teria de depositar 200 embalagens… para bom entendedor meia palavra basta.

  10. UT
    utherzzao3

    Ordenado médio:

    A Finlândia 96%; —> 4.250€
    A Noruega de 92,3%; —> 4.900€
    A Dinamarca de 93%; —> 5.100€
    A Lituânia de 90%; —> 2.000€
    A Croácia de 90,7%; —> 1.750€

    A Portugal de 45%: —> 1.650€

  11. JT
    Joao Tomé

    Nao sei se repararam, mas o Rii que anda ai é da SDR. Mais um vendedor da banha

    1. RU
      Rui

      Não sou vendedor nem uso a volta ahah Lindo que bananas

  12. CF
    Caça Fachos

    Eu só queria ser administrador de um esquema destes!

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