Como a Renault quer substituir os “falsos” híbridos plug-in
O mercado automóvel é labiríntico e as estratégias das empresas não são lineares, precisando de se adaptar não apenas à conjuntura política ou regulamentar, mas aos clientes, que são o seu principal alvo. Neste sentido, eis como a Renault pretende substituir os "falsos" híbridos plug-in.
Em 2023, a Renault descontinuou as versões híbridas plug-in (PHEV) do Renault Captur e do Renault Mégane, após cerca de três anos de vida comercial.
A decisão terá resultado do facto de a tecnologia ser pouco rentável nos segmentos mais baixos. Atualmente, aliás, a empresa francesa conta com um PHEV na sua gama: o Renault Rafale E-Tech 4x4 300, o modelo mais caro do seu catálogo.

Em novembro de 2024, conduzimos o poderoso Renault Rafale E-Tech 4x4 300 cv pelas estradas monegascas. Leia aqui.
No ano passado, conforme citado, Ivan Segal, diretor global de vendas e operações da Renault, referia que "para algumas necessidades específicas com elevada quilometragem, acreditamos que o PHEV pode ser uma boa solução em termos de consumo".
Contudo, "a nível global, mantemos o nosso plano", assente em dois pilares: "híbrido por um lado, elétrico por outro".
A nossa estratégia é boa: por um lado os híbridos, por outro os elétricos. [...] Sabemos que a regulamentação pode mudar, mas acreditamos que temos o sistema de propulsão e a autonomia adequados para nos mantermos estáveis e equilibrados consoante as decisões que venham a ser tomadas ou a evolução da procura. Verificamos que este mercado não cresce ao mesmo ritmo que o mercado híbrido na Europa.
Disse Segal, explicando que, assim, a Renault continua "a acreditar que a tecnologia full hybrid é a solução ideal para os clientes que vêm do diesel e não desejam passar diretamente para os elétricos, procurando antes o equilíbrio perfeito entre ambos os mundos".
Mais do que isso, a empresa acredita "que a tecnologia full hybrid é simples" para a generalidade dos seus clientes.
Futuro da Renault passa pelos chamados EREV
Apesar de cada vez mais marcas apostarem nos PHEV, a Renault continua a não ver esta tecnologia como ideal.
Aliás, a empresa parece estar a preparar-se para substituí-la por outra, mais interessante: carros elétricos de autonomia alargada (em inglês, EREV - Extended Range Electric Vehicle).
Numa entrevista à Autocar, o diretor-executivo da Renault, François Provost, explorou a intenção de que a indústria automóvel deixe para trás os "falsos" PHEV, que não incentivam o carregamento regular, optando pelos EREV.
Particularmente, o responsável criticou os PHEV com autonomia elétrica reduzida vendidos por algumas marcas alemãs e chinesas.
Internamente, a empresa designa os elétricos de autonomia alargada como "superhíbridos".
Os superhíbridos podem ajudar as pessoas a entrar no mundo elétrico com menos ansiedade, com automóveis que têm, por exemplo, 800 quilómetros de autonomia em estrada. Mesmo que não encontrem um ponto de carregamento, podem continuar a conduzir.
Referiu Bruno Vanel, diretor de produto da Renault, durante o último Salão Automóvel de Bruxelas.
Os próximos automóveis elétricos compactos, do segmento C, e médios, do segmento D, da Renault deverão dispor de versões EREV, sendo equipados com um motor de 1,5 litros de cilindrada.
Este deverá ser fornecido pela Horse Powertrain, a joint-venture da Renault com a Geely dedicada ao desenvolvimento e fabrico de motores de combustão interna e sistemas híbridos.
Para que serve a extensão da autonomia?
Em comparação com outros veículos elétricos, como híbridos e modelos elétricos a bateria, os EREV possuem um pequeno motor a gasolina que não está mecanicamente conectado às rodas.
Em vez disso, funciona como uma unidade de energia a bordo, ativada sempre que necessário para recarregar a bateria.
Este tipo de alternativa é particularmente popular, em vez dos veículos elétricos a bateria convencionais, em mercados importantes, como a China.
BMW também vê potencial nos EREV, lançada inicialmente no seu i3
Em novembro de 2025, informámos que a BMW poderia repescar uma tecnologia lançada inicialmente no seu i3, há mais de uma década.
A possibilidade estaria a ser colocada em cima da mesa não apenas devido à crescente procura pela tecnologia, mas, também, por causa dos rivais da marca, na China, um dos seus mercados mais importantes fora da Alemanha e dos Estados Unidos.
A BMW estaria a ponderar a possibilidade de fabricar versões com extensão de autonomia de sedãs de luxo, como a série 7 topo de gama, e de SUV, como o X5, uma vez que são suficientemente grandes para acomodar um motor pequeno.
Um dos motivos irá ao encontro da tese da Renault: o preço. Na altura, as fontes partilharam que os custos de desenvolvimento da tecnologia seriam relativamente baixos para a empresa alemã.
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A partir do momento em que o EREV esgota a bateria e passa a ir ao depósito de gasolina bebe 10 litros aos 100 ou mais. Tudo por um carro com preço a escaldar! A melhor solução é a dos chineses ou da Honda: bateria levezinha e motor eléctrico só até aos 60 ou 70 km/h e a partir daí, quando passa a rodar a velocidade estabilizada, ligação mecânica directa do motor de combustão às rodas.
Isso é o HEV “full Hibrid” da Toyota. Que verdade seja dita, já podia ter uma bateria com maior capacidade.
A Toyota tem o híbrido em paralelo, a Honda e os chineses é o híbrido em série com bypass às rodas. Discute-se qual é o mais eficiente, mas barato nenhum deles é. Para adaptar a carros velhos bastava uma bateria com a capacidade das de chumbo ácido e um motorzinho ligado ao cubo de uma das rodas de trás, até 5 kms/h, que já dava para ter o motor desligado nas filas dos acessos às cidades, onde se gasta combustível ä bruta. Uma hora de congestionamento é um litro a mais que ao fim de 40 ou 50 é o suficiente para esvaziar um depósito. Em andamento em estrada livre o HEV pouco ou nada poupa.
Ó @Grunho, em vez de complicares, não era melhor falares dos benefícios do triciclo a pedais?
Fácil. Qualquer veículo a pedais , com ou sem assistência elétrica tem potencial para arruinar o negócio do lobby petrolífero e automóvel, sobretudo nos sítios onde mais se desperdiça combustível e mecânicas. E eles sabem disso. É por isso que movem cunhas políticas para não deixar usar.
Ó Grunho, é só problemas, de facto. Compre um passe de transporte publico e seja feliz.
Boas Grunho.
A tua “melhor solução” é precisamente aquela que a Renault critica — e com razão. A experiência mostra que os PHEV não contribuem verdadeiramente para a eletrificação e que, na prática, não reduzem os consumos de forma significativa.
Ao contrário da percepção incorreta de que um range extender fará o carro gastar 10 L/100 km (o que só acontece se conduzires muito depressa), o uso de um motor térmico a funcionar como gerador para alimentar um motor elétrico é mais eficiente do que usar o motor de combustão diretamente. Isto não é sequer uma ideia nova: todas as locomotivas diesel-elétricas funcionam exatamente com este princípio. Até o Opel Ampera já utilizava um sistema deste tipo — embora a designação “range extender” ainda não fosse popular.
Vejo ainda outra vantagem que desconheço se é utilizada: no inverno, o range extender pode ser usado para aquecer o habitáculo e as baterias, reduzindo o impacto na autonomia elétrica.
O percurso anunciado pela Ford:
– Abandono de todos os projetos de BEV em desenvolvimentos, baseados na arquitetura tradicional de 12V
– Um mini-projeto de desenvolvimento de um BEV, barato, com a arquitetura 48V, iniciada pela Tesla
– Desenvolvimento de um híbrido elétrico com um motor a GPL para carregar a bateria e aumentar a autonomia. Parece ser a combinação mais eficiente em termos de energia, mas combina duas dificuldades … o carregamento elétrico fora de casa e o abastecimento em GPL.
O conceito de base é o mesmo do EREV do post, a gasolina.
Nesse caso é o desenvolvimento de um EREV e não híbrido.
Há os híbridos a combustível (geralmente gasolina/GPL) e os híbridos elétricos, com um (ou mais) motor(es) elétrico(s) e um (ou Mias) motor(es) a combustível (geralmente gasolina, GPL ou ambos).
Nos híbridos elétricos cabem os PHEV, EREV/REEV, HEV e MHEV e mais designações que lhes queiram dar. A distinção é quanto ao carregamento da bateria poder ser na tomada elétrica ou não – se puder são plug-in, como os PHEV e EREV. Os não plug-in são os HEV e os MHEV ou outras designações mas com as mesmas caraterísticas.
Por isso, a Ford propõe-se desenvolver um híbrido, eletrico e a GPL. Se é plug-in ou não, não foi referido.
E depois há os erev, que não são híbridos.
A distinção é a mesma de sempre, tal como os fabricantes fazem.
O JL a inventar, até o que é um híbrido ou não é um híbrido ; -)
Para que se perceba o que dizes – um PHEV é um híbrido ou não – e porquê?
Não estou a inventar, estou a usar os termos certos, daí haver erev e plugin hybrid, são 2 coisas totalmente diferentes.
Um híbrido é muito simples, usa 2 ou mais tipos de propulsão, os não híbridos só usam 1, é bem simples.
Mas afinal os PHEV, EREV/REEV, HEV e MHEV, são ou não são híbridos? Explica lá o que disseste acima: “E depois há os erev, que não são híbridos.”
Todos menos os erev, daí nem terem a palavra híbrido na designação, é assim tão difícil entender algo tão simples ?
Mas tem a designação se híbrido em algum lado ?
”
“Um carro híbrido é um veículo que combina dois motores para funcionar: um motor de combustão interna (geralmente a gasolina) e um ou mais motores elétricos, alimentados por uma bateria. Esta tecnologia permite reduzir o consumo de combustível e emissões, utilizando o motor elétrico para arranques e velocidades baixas, enquanto ambos trabalham em conjunto para maior potência. “
Já agora, não tem nada a ver se é plugin ou não, essa diferença só se usa para distinguir os phev dos hev, não usam isso para os bev, que também são plugin, o que conta para ser híbrido é o que faz as rodas tracionar e levarem o veiculo para a frente, se tem mais de um motor que que produz força para as rodas, é híbrido, se tem apenas um, não é híbrido, a energia que consome e de onde vem não interessa. Se eu carregar o meu bev com um gerador, ele nunca vai ser híbrido, se usar energia eléctrica para produzir combustível para um ICE, também não vai ser híbrido.
Errado, a ford propõe desenvolver um erev que usa GPL.
Tecnicamente e segundo classificação oficial, havendo discordância na qual me incluo, os EREV são híbridos.