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Ferrari Luce: afinal, o design polémico pode ter sido um golpe de génio

14 Comentários

Nem sempre o barulho nas redes sociais se traduz em vendas. O Ferrari Luce é, ao que tudo indica, mais uma prova disso. Sim, o anti-Ferrari foi vítima de um golpe de mestre.

Quando a Ferrari apresentou a Luce, a sua primeira berlina totalmente elétrica, as reações foram tudo menos positivas. O design pouco convencional dividiu os fãs da marca, antigos responsáveis criticaram publicamente o modelo e até a bolsa reagiu de forma negativa.

Contudo, apenas dois meses após a apresentação, tudo indica que a Ferrari poderá estar a conseguir exatamente aquilo que pretendia.

Objetivo de vendas para 2026 poderá já ter sido alcançado

Segundo avança o Financial Times, citando duas fontes próximas do processo, a Ferrari já terá atingido o objetivo de vendas da Luce para 2026. A marca italiana pretendia comercializar pouco menos de 500 unidades este ano do seu primeiro automóvel 100% elétrico, cujo preço começa nos 550 mil euros, antes de opcionais.

Se a informação se confirmar, esse objetivo foi alcançado em julho, apenas dois meses depois da apresentação oficial do modelo. Até ao momento, a Ferrari não confirmou nem os objetivos comerciais nem o número de encomendas referido pelo jornal britânico.

Um design que dividiu opiniões

A Luce foi alvo de fortes críticas desde o primeiro dia. Muitos admiradores da Ferrari consideraram que o desenho da berlina se afastava demasiado da identidade da marca.

As críticas chegaram também ao antigo presidente da Ferrari, Luca Cordero di Montezemolo, que afirmou publicamente que o modelo não merecia ostentar o famoso Cavallino Rampante.

A reação dos investidores também foi imediata. Nas horas que se seguiram à apresentação, as ações da Ferrari chegaram a perder mais de 8% do seu valor.

Apesar disso, tudo indica que as críticas nas redes sociais não tiveram impacto junto dos clientes que realmente interessavam à marca.

A Ferrari não queria convencer os clientes tradicionais

Segundo o Financial Times, a estratégia da Ferrari nunca passou por convencer os atuais proprietários de modelos V8 ou V12 a trocar os motores de combustão por uma versão elétrica. Pelo contrário.

A publicação refere que a Ferrari terá mesmo orientado a sua rede de concessionários para não pressionar os clientes mais tradicionais a adquirirem a Luce. O objetivo seria conquistar um público completamente diferente.

China e Silicon Valley são os principais mercados

A Ferrari terá direcionado a Luce para novos compradores de elevado poder económico, sobretudo na China e em polos tecnológicos como a Silicon Valley, nos Estados Unidos.

Nestes mercados, os automóveis elétricos fazem parte do quotidiano e os clientes não procuram necessariamente uma Ferrari que siga todos os padrões estéticos dos modelos clássicos da marca.

Esta abordagem poderá explicar porque é que a Ferrari aceitou arriscar num design tão diferente, apostando numa nova geração de compradores em vez de tentar agradar aos fãs mais conservadores.

A Luce continuará a ser um modelo exclusivo

Mesmo que o sucesso comercial se confirme, a Luce continuará a representar uma pequena parte das vendas da Ferrari. Segundo o jornal FT, a marca pretende vender cerca de 2.500 unidades até 2030, o equivalente a aproximadamente 600 automóveis por ano.

Isto significa que o primeiro modelo elétrico da Ferrari deverá representar apenas cerca de 5% das vendas anuais da marca.

Um teste importante para o futuro da Ferrari

Mais do que lançar um automóvel elétrico, a Ferrari parece estar a testar uma nova abordagem ao mercado.

Em vez de substituir os modelos equipados com motores de combustão, a Luce surge como uma forma de atrair uma nova geração de clientes, sem alterar significativamente o posicionamento dos restantes modelos da gama.

Se os números avançados pelo Financial Times forem confirmados, a Ferrari poderá demonstrar que um automóvel inicialmente muito contestado consegue encontrar o seu espaço quando é desenvolvido para um público diferente daquele que tradicionalmente associa a marca aos seus superdesportivos a gasolina.

Comentários

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  1. Avatar de B@rão Vermelho
    B@rão Vermelho

    Eu assumirei se me tiver enganado em relação a este Ferrari, mas até a data é só uma, aparenta ser um sucesso, por tanto ainda não é.

  2. Avatar de Ramiro
    Ramiro

    É um carro lindíssimo, principalmente nesse tom de azul.

  3. Avatar de Alfredo Meireles
    Alfredo Meireles

    Ou não… Se ele fosse mesmo bom, esgotava logo no dia em que fosse posto à venda, ou melhor, nem era posto à venda, porque ficaria logo reservado pelos antigos clientes. Nem 500 carros…

  4. Avatar de Orelhas
    Orelhas

    Obvio que para os influences da vida….e por questões coleccionistas, vende bem. Isso não significa que será ou qué é um sucesso

    1. Avatar de Rui
      Rui

      Sim significa, se a marca faz rios de dinheiro com ele e cumpre os objetivos delineados antes de o apresentarem sim é um sucesso. Tal como se vende se mal e não cumprisse os objetivos era um insucesso. A marca não quer saber se vende para colecionadores ou para o tio patinhas desde que paguem

  5. Avatar de João
    João

    Qualquer colecionador da Ferrari, com meios, gostaria de ter o, ou um dos, Ferraris mais feios de sempre.

    1. Avatar de Rui
      Rui

      Portanto o que estás a dizer é que para a ferrari o design não interessa até podem fazer em forma de smart porque vai vender para colecionadores. Portanto para a ferrari e para os colecionadores o design não interessa só interessa para os comentadores de bancada a ferrari deve mesmo estar preocupadíssima por os comentadores de bancada não gostarem muito do design ahah

  6. Avatar de PatoADSL
    PatoADSL

    O carro é mesmo horrível, então a parte de trás é uma aberração completa. Bah! Isto só vende pela fama e pelo status…

    1. Avatar de Vítor M.

      Sim, concordo contigo, o carro é feio (para um Ferrari), mas quem o compra tem uma coisa que o torna lindo 😉 tem milhões. E sabes aquela máxima: “o carro feio aos olhos do milionário torna-se bonito” 😀

      Mas salva-se o interior, é brutal (além de ter tecnologia única no segmento)

      1. Avatar de Alec
        Alec

        Não há milhão nenhum que o torne lindo.

  7. Avatar de KidsGraça
    KidsGraça

    “cujo preço começa nos 550 mil euros, antes de opcionais.!” Mas quem é que vai comprar a versão “básica”. Quem tem meio milhão de euros para gastar num carro, tem de certeza mais uns quantos euros para os opcionais 🙂

  8. Avatar de PeterJust
    PeterJust

    O Taycan teve as mesmas criticas mas não demorou muito para convencer o departamento contabilistico da Ferrari que era boa ideia. A Ferrari tem neste momento o mais desportivo e exclusivo EV, e há muitos que estão dispostos a pagar o preço disso, a Ferrari está-se completamente a cagar para o que os pobres acham. Pode custar mas os fumarentos vão acabar não tarda muito e quem não quiser entrar na corrida vai ter de pagar brevemente 5€ por litro de combustivel.