Nova bateria da Renault promete baixar drasticamente o preço dos carros elétricos
A Renault acaba de assinar uma nova parceria. Com um objetivo claro: desenvolver uma tecnologia que fará baixar o custo de produção dos veículos elétricos!
Se a Ampere atravessa momentos desafiantes, com a sua reintegração progressiva no seio da Renault, isso não quer dizer que o construtor francês tenha abandonado qualquer ambição no setor-chave dos automóveis elétricos. Bem pelo contrário, como se pode ver com o anúncio desta parceria, que vai fazer avançar a investigação num dossiê particularmente interessante!
Ampere (Renault) e Basquevolt vão trabalhar numa bateria de lítio-metal
A Renault acaba de anunciar que a sua filial Ampere, especializada em automóveis elétricos, assinou um contrato de parceria com a empresa espanhola Basquevolt. Em conjunto, vão acelerar o desenvolvimento da tecnologia das baterias de lítio-metal.
Segundo o comunicado, esta...
...representa um salto tecnológico maior em matéria de densidade energética em relação às atuais baterias de iões de lítio com eletrólito líquido.
A base desta nova técnica encontra-se na combinação do eletrólito polímero com um ânodo avançado, o que permitirá «conceber packs de baterias compactos e leves, dotados de uma estabilidade térmica superior e de capacidades de carregamento rápido».
Rumo a baterias menos dispendiosas de produzir?
Aqui, estamos no domínio das famosas baterias sólidas, tecnologia na qual os construtores chineses já estão bastante avançados.
A Basquevolt, por seu lado, tem como ambição tornar-se o número 1 do setor a nível europeu. E se podemos esperar, com estas baterias mais compactas e mais densas em energia, melhores desempenhos, existe também outra vantagem: o custo de produção.
Graças ao seu eletrólito polímero, as células podem ser produzidas através de um processo de fabrico mais simples e mais eficiente. Esta vantagem competitiva traduzir-se-á em cerca de 30% menos investimento de capital por GWh numa gigafábrica convencional e 30% menos energia por kWh produzido.
Refere a marca gaulesa.
Se olharmos para as declarações da marca, e na aposta desta nova tecnologia, será o suficiente para imaginar, no futuro, automóveis elétricos bem mais baratos?
O que é uma bateria de lítio-metal?
Numa bateria de iões de lítio convencional, o ânodo é normalmente feito de grafite e o eletrólito é líquido. Nas baterias de lítio-metal, o ânodo passa a usar lítio metálico puro, podendo recorrer a eletrólitos sólidos ou polímero. O objetivo é aumentar significativamente a capacidade energética por célula.
Densidade energética (a maior vantagem)
A grafite apresenta uma capacidade teórica de cerca de 372 mAh/g, enquanto o lítio metálico atinge aproximadamente 3860 mAh/g. Na prática, isto pode traduzir-se em mais 30% a 70% de densidade energética, permitindo maior autonomia ou baterias mais pequenas e leves.
Menos peso e maior compactação
Como armazena mais energia, o lítio metálico permite reduzir o número de células necessárias num pack. O resultado são baterias mais compactas, veículos mais leves e maior eficiência energética.
Carregamento mais rápido
Algumas arquiteturas permitem menor resistência interna e melhor transferência iónica, possibilitando carregamentos mais rápidos e menor geração de calor, dependendo do eletrólito utilizado.
Segurança térmica
O principal desafio histórico destas baterias é a formação de dendrites, pequenas estruturas que podem provocar curto-circuitos internos. Eletrólitos sólidos ou polímero e camadas protetoras no ânodo estão a ser desenvolvidos para evitar esse problema.
Custos de produção
As baterias de lítio-metal podem reduzir custos graças a processos de fabrico mais simples, menor quantidade de materiais e packs mais compactos. Alguns fabricantes apontam para menos 30% de investimento numa gigafábrica e menor consumo energético por kWh produzido.
Ciclos de vida (o maior desafio)
A degradação do lítio metálico ainda é um desafio técnico. Muitas soluções ainda não atingem a longevidade das melhores baterias LFP atuais, embora os avanços recentes estejam a aproximar-se desse objetivo.
Temperatura de funcionamento
Dependendo da química usada, podem oferecer melhor estabilidade térmica e menor risco de fuga térmica, embora algumas soluções ainda apresentem limitações em ambientes muito frios.
Quem está a apostar nesta tecnologia?
Vários fabricantes estão a investir nesta área, incluindo Toyota, QuantumScape (Volkswagen), CATL, BYD e Renault através da Ampere em parceria com a Basquevolt.
Quando chegam aos carros?
As previsões apontam para produções limitadas entre 2026 e 2027 e produção em massa entre 2028 e 2030.
Resumo rápido
Vantagens: mais autonomia, packs mais leves, carregamento mais rápido, maior segurança potencial e custos inferiores. Desafios: controlo das dendrites, ciclos de vida ainda em evolução e industrialização em grande escala.






















