Renault tenta travar proibição de vendas do Clio e do Megane na Alemanha
A Renault está numa corrida contra o tempo para evitar a proibição de venda de dois dos seus modelos mais populares na Alemanha, depois de um tribunal de Munique ter dado razão à Broadcom num litígio relacionado com patentes essenciais para normas de comunicação.
Na semana passada, um tribunal de Munique deu razão à Broadcom num litígio relacionado com uma patente essencial para normas de comunicação, proibindo a Renault de vender os modelos Clio e Mégane em toda a Alemanha.
A marca francesa reagiu de imediato e anunciou que iria recorrer da decisão, numa tentativa de suspender a sua execução. Até agora, a proibição ainda não entrou em vigor, uma vez que a Broadcom terá de cumprir determinados requisitos legais antes de a poder aplicar, o que dá à Renault uma curta margem de tempo para travar a medida ou chegar a um acordo.
Tribunal alemão deu razão à Broadcom
No dia 6 de fevereiro de 2026, o Landgericht München I (Tribunal Regional de Munique I) concedeu à Broadcom uma providência cautelar baseada numa patente essencial para normas (SEP ou Standard Essential Patents, ou patentes essenciais).
Na prática, a decisão impede a Renault de vender os modelos Clio e Mégane em toda a Alemanha, por alegada utilização de tecnologia patenteada sem o respetivo acordo de licenciamento.

O caso insere-se numa tendência crescente: as fabricantes automóveis estão cada vez mais dependentes de tecnologias de comunicação, o que as obriga a licenciar patentes não relacionadas com redes móveis, como soluções de rede interna baseadas em ethernet e sistemas de comunicação entre componentes eletrónicos.
A própria Broadcom já tinha conseguido acordos de licenciamento com outros fabricantes, incluindo o Grupo Volkswagen e a Audi, e chegou também a um acordo recente com a Tesla.
Renault reagiu de imediato e anunciou recurso
Após a decisão, a Renault anunciou rapidamente a intenção de recorrer. O objetivo principal da marca é conseguir uma suspensão da execução da decisão antes que a proibição entre em vigor.
No entanto, este processo não é automático. O tribunal superior tem de analisar o pedido e decidir se a execução deve ser suspensa até à decisão final do recurso.
Até à última atualização disponível, o Tribunal Regional Superior de Munique ainda não tinha confirmado formalmente a entrada do recurso nem do pedido de suspensão. Ainda assim, fontes judiciais indicam que poderá haver atrasos administrativos entre a entrega e o registo processual, sendo praticamente certo que o recurso foi apresentado ou estava prestes a ser entregue.
Proibição ainda não entrou em vigor
Apesar da decisão judicial, a proibição de vendas ainda não começou a ser aplicada.
Segundo declarações de um porta-voz da Renault, citadas pela imprensa local alemã, a execução da decisão só poderá avançar depois de a Broadcom cumprir determinados requisitos legais, nomeadamente a apresentação de garantias financeiras.
Este detalhe cria uma janela de tempo crucial para a Renault tentar bloquear a execução através do recurso ou alcançar um acordo de licenciamento com a Broadcom.

O tribunal decidiu a favor do grupo tecnológico americano Broadcom na quarta-feira, em uma disputa de patentes relacionada a conexões Ethernet (Referência do processo: 7 O 7655/25). Especificamente, a disputa diz respeito à patente EP1903733 da Broadcom (“Método e sistema para um código de linha Ethernet de longo alcance”).
Fornecedores também podem ser afetados
O caso não envolve apenas a Renault. O artigo refere que fornecedores da marca poderão enfrentar riscos legais e pedidos de indemnização, caso a decisão avance.
Isso deve-se ao facto de os componentes eletrónicos em causa estarem integrados nos veículos e serem essenciais para as funcionalidades de comunicação interna, que estão protegidas pela patente.

Circuitos transmissores; circuitos receptores que utilizam conversão de código no transmissor; que utilizam pré-distorção; que utilizam a inserção de bits inativos para obter um espectro de frequência desejado; que utilizam três ou mais níveis de amplitude; técnicas de codificação de banda base específicas para sistemas de transmissão de dados.
Um caso que reflete a nova realidade da indústria automóvel
Este litígio mostra como a indústria automóvel está cada vez mais dependente de tecnologia digital e de conectividade. Com os veículos a tornarem-se plataformas eletrónicas complexas, as disputas por patentes tornaram-se mais frequentes.
Para a Renault, o desfecho deste processo poderá ter impacto direto nas vendas num dos principais mercados europeus. Para o setor, o caso é mais um sinal de que o licenciamento de tecnologia se tornou um fator crítico na produção automóvel moderna.





















