Já é “tarde demais” para a Europa: CEO da Ford alerta EUA para os carros chineses
Como é seu apanágio, o diretor-executivo (em inglês, CEO) da Ford, Jim Farley, partilhou algumas opiniões, recentemente, e defendeu que os Estados Unidos da América (EUA) devem aprender com o caso europeu antes de decidirem se abrem o mercado às marcas chinesas.

Esta semana, durante o Automotive News Congress, em Detroit, o diretor-executivo da Ford afirmou que os decisores políticos norte-americanos devem ponderar com cuidado a eventual entrada de fabricantes chinesas no mercado, apontando a situação atual da Europa como exemplo do que acontece quando essa ponderação não existe.
Segundo Farley, a Europa está agora a lidar com as consequências e, no seu caso, já é “tarde demais”. Na sua opinião, esta situação incontornável ainda não se aplica aos EUA.
De facto, de acordo com a consultora GlobalData, citada pela CNBC, a quota de mercado global das marcas chinesas aumentou quase 70% entre 2020 e 2025. Na Europa, segundo a Dataforce, a quota das fabricantes chinesas passou de praticamente nula em 2020 para quase 12% em agosto de 2026.

Parceria e concorrência em simultâneo
A posição de Farley surge numa altura em que a Ford tenta competir com a chegada de marcas chinesas à Europa e, paralelamente, procura colaborar com algumas delas para ocupar a capacidade das suas fábricas e obter apoio noutras tecnologias, como as baterias para veículos elétricos.
A 23 de julho, a Ford e a Geely anunciaram um acordo para criar uma joint venture de produção na fábrica da Ford em Valência, onde a Geely vai produzir veículos elétricos. A joint venture, que a Ford controlará com 66%, deverá começar a operar no primeiro semestre de 2027, sujeita a aprovações regulatórias. Os primeiros veículos estão previstos para 2028.
Para resumir a estratégia da marca, Farley disse que a Ford vai associar-se aos chineses nas matérias nas quais não tem propriedade intelectual e onde possa ser mais eficiente em termos de capital, em locais como a Europa ou o Sudeste Asiático.
Além disso, partilhou que a empresa pretende competir com eles e que se prepara para lançar, em 2027, o seu “veículo elétrico universal”, que chegará ao mercado com uma pick-up.

















