Reservas de gás da Europa estão a esgotar: dependência mudou da Rússia para os EUA?
A União Europeia (UE) decidiu reduzir gradualmente as importações de gás russo até à sua proibição em 2027, mas essa estratégia está a levar o bloco a trocar a dependência da Rússia por uma crescente dependência dos Estados Unidos da América (EUA) no fornecimento de gás natural liquefeito, ou GNL.
A rede europeia de armazenamento de gás natural é vasta, mas deverá acabar o inverno no nível mais baixo dos últimos anos.
Segundo a plataforma europeia de dados energéticos AGSI, o armazenamento europeu de gás caiu para 44% da capacidade total a 26 de janeiro, atingindo o seu nível mais baixo para esta altura do ano desde 2022, quando atingiu 40% enquanto o mercado se apressava a substituir os fornecimentos russos.
Não fosse isso suficiente, está bem abaixo da média de 10 anos de 58%.
De acordo com uma análise da Reuters baseada em dados históricos, se as tendências atuais persistirem, o armazenamento poderá descer para 30% ou menos até ao final de março.
Se a Europa terminar o inverno com apenas 30% de armazenamento, será necessário injetar cerca de 60 mil milhões de metros cúbicos de gás para voltar ao nível com que entrou no inverno passado, com 83%, citando o colunista de energia da agência noticiosa Ron Bousso.
Importa ressalvar que o problema ganha uma dimensão mais grave quando consideramos que nem todas as importações se destinam ao armazenamento.
Na realidade, a maioria é usada para satisfazer a procura diária, o que significa que as necessidades totais de compra da Europa poderão ser enormes, nos próximos meses.
Europa será salva pelo GNL?
O GNL tem desempenhado um papel crucial no mercado europeu de gás nos últimos anos, com as importações do combustível refrigerado para o continente a aumentarem 30% no ano passado. Aliás, atingiram um máximo histórico de mais de 175 mil milhões de metros cúbicos.
Segundo Bousso, esta importância deverá crescer ainda mais no futuro, tendo em conta que a UE decidiu proibir totalmente as importações de gás por gasoduto e de GNL da Rússia até, no máximo, ao final de 2027.

O fornecimento de GNL pelos EUA desempenhou um papel crucial no processo de reabastecer os locais de armazenamento da Europa, em 2025, segundo o Gas Market Report, Q1-2026, da IEA.
A lacuna deixada pelo fim do fornecimento russo deverá ser preenchida principalmente por compras de GNL, que a Agência Internacional da Energia (em inglês, IEA) prevê atingirem um novo recorde de 185 mil milhões de metros cúbicos este ano.
Além disso, espera-se que a produção global de GNL continue a expandir-se este ano, com projeções de um aumento de 7% em 2026, o ritmo mais rápido desde 2019, sobretudo através de novos terminais de exportação nos EUA, Canadá e México, de acordo com o mesmo organismo internacional.
Dependência da Europa passou da Rússia para os EUA?
O compromisso da UE de comprar 750 mil milhões de dólares em energia dos EUA terá sido um dos elementos mais impressionantes do acordo comercial de Turnberry, assinado no verão passado no campo de golfe de Donald Trump, na Escócia.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o Presidente dos EUA Donald Trump, em Turnberry, na Escócia, no dia 27 de julho de 2025. Crédito: Getty Images Europa, via Bloomberg
Contudo, ainda que essa aproximação ambiciosa tenha sido vista como necessária, há um senão que está, agora, a ser relembrado: os EUA serão o principal fornecedor de GNL da UE daqui em diante, especialmente considerando a proibição das importações russas a partir de 2027.
Segundo a Bloomberg, a última semana espalhou um receio de que a Europa "esteja a cair numa armadilha".
A dependência europeia da energia russa teve origem num acordo de "gás por gasodutos" celebrado entre a Alemanha Ocidental e a União Soviética nos anos 70, crescendo até ao ponto em que a Rússia fornecia quase metade da procura de gás da UE antes da invasão da Ucrânia em 2022.
O conflito fez disparar os preços para máximos históricos, enquanto a UE tentava libertar-se dessa dependência.

Um navio de GNL a chegar ao porto de Sines, em Portugal. Crédito: Zed Jameson/Bloomberg
Atualmente, os EUA fornecem quase 60% do GNL da UE. Embora mais caro do que o gás russo transportado por gasoduto, estes fornecimentos deverão constituir a base do futuro cabaz energético europeu, pelo menos até o bloco atingir a neutralidade carbónica a meio do século.
Em 2030, até 80% das importações de GNL poderão vir dos EUA.
Para o comissário europeu da Energia, Dan Jorgensen, as ameaças em torno da Gronelândia são um "alerta" para a UE, que está "ativamente à procura" de diversificar ainda mais os seus fornecimentos de GNL.
Estas declarações foram seguidas de outras, nos últimos dias, incluindo as de Fatih Birol, diretor-executivo da IEA, que alertou que a Europa não deveria colocar todos os seus "ovos no mesmo cesto".
Ainda que a UE seja um comprador fundamental de energia para os EUA, e importe gás por gasoduto da Noruega, do Norte de África e do Azerbaijão, além de ter, também, alguma produção interna, o bloco não tem muitas alternativas.
Uma vez que a UE é "pobre em energia", qualquer dependência dá aos EUA um trunfo contra o bloco, especialmente num ambiente geopolítico cada vez mais tenso.
Imagem: IEEFA






















A UE caiu que nem um patinho nesta jogada de mestre dos Americanos
– Enfraquecer a UE
– Enfraquecer a Rússia e o exército Russo
– Tornar a Europa mais depende dos americanos
– América ganha rios de dinheiro a vender energia muito mais cara a UE comparado com a energia dos russos
Não perceberam que a jogada de tentar empurrar a Ucrânia para a NATO ia dar nisto?
A CIA é muito boa a elaborar estes planos…
Enfraquecer a UE é péssimo para os EUA porque abre o flanco para a China, basta ver o que aconteceu à Grécia e Itália e em menor escala a Portugal durante a crise de 2008-2014.
É importante para os EUA que a UE lhes compre bens, mas desde que isso nao os deite abaixo.
Vai lá explicar isso ao teu amigo Trump.
“Enfraquecer a UE é péssimo para os EUA”
Eles lá sabem mas pelo menos nos últimos 25 anos é o que tem tentado fazer, não querem um euro €mais forte que o dólar $, isto não é obra do Trump América sempre foi isto só que agora com o Trump abre a boca toda sai mais amplificado…
Concordo plenamente com a análise do Guilherme. A política externa dos Estados Unidos, ao longo das últimas décadas, sempre procurou preservar a sua posição de vantagem económica e geopolítica face à Europa. A diferença é que os antigos presidentes norte-americanos atuavam de forma mais subtil e diplomática, enquanto o atual assume uma postura mais direta e transparente, mostrando sem rodeios as verdadeiras intenções da América. O caso da Gronelândia é apenas um exemplo — essa ambição não é nova, já existia na época do presidente Truman. Hoje, o que muda é a franqueza com que se revelam os objetivos estratégicos. Nesse sentido, até se pode aplaudir a honestidade política: menos disfarces, mais clareza sobre o que realmente está em jogo.
Estão lá os gajos preocupados com isso, querem que o gravete chova e em dólares. Já sabem que a prazo a China vai tomar conta de tudo, mas até lâ há que sugar bem os otários europeus. E bens os EUA quase não produzem, fora energia e alguns agrícolas transgénicos.
Os Europeus Ocidentais devido ao seu jornalismo politico e ensino que é basicamente activismo tornaram-se completamente ignorantes de coisas fundamentais do que faz funcionar a vida na terra e de como funciona a humanidade…formaram-se gerações de narcisistas e oikofobos.
A Alemanha que está a 31,9% de reservas(estava a 32,7% a 31 Janeiro) , notar que se chegar aos 20% activa medidas de poupança que começarão por cortar gás para a industria… os Alemães vestiram roupas de gala para fechar as centras nucleares deles…mas não t~em problema em pagar as para a dos Franceses…
“estes fornecimentos deverão constituir a base do futuro cabaz energético europeu, pelo menos até o bloco atingir a neutralidade carbónica a meio do século.”
Aqui o que falei no primeiro parágrafo…a “neutralidade carbónica” não evitará a dependência importante dos combustíveis fosseis. Isto se for cumprida, na Europa Surrealista é pouco provável…
Link para as reservas Alemãs
https://energien-speichern.de/erdgasspeicher/gasspeicher-fuellstaende/
https://www.bundesnetzagentur.de/DE/Gasversorgung/aktuelle_gasversorgung/_svg/Gasimporte/Gasimporte.html
Ora bolas, já tiveram muito mais baixas.
A resposta á pergunta do título é um obvio sim. Mais caro e tudo…
A UE para deixar de depender de A ou B com combustíveis fosseis tem de investir no nuclear.
Só quem não quer ver, é que não vê, que as energias renováveis são uteis e necessárias, mas estão longe de satisfazer as necessidades de energia de uma UE que se quer cada vez mais desenvolvida e industrializada.
Enquanto não encararem o touro de frente nunca vão deixar de depender de A ou B e isso como é óbvio é um grande ponto fraco da UE.
Problema da energia nuclear é que ainda não é amiga do ambiente, com os detritos nucleares que ninguém sabe o que fazer com eles a não ser atirá-los ao mar, ou meter em alguma gruta.
E de quando em quando ocorre algum problema com uma central, por muito seguras que alegadamente sejam, e lá provoca mais uma poluição doida na região.
Acredito que o nuclear, ou algo nesse sentido, seja o futuro desejável, mas é preciso que desenvolvam mais até ser realmente amigo do ambiente do início ao fim da vida útil, e sem os perigos da actualidade, que acredito eu seja a parte mais difícil.
E o pessoal continua a gritar contra tudo que é electicidade e apoiam os combustíveis fosseis.
Só para se ter uma ideia, Portugal em dezembro de 2024, gastou só em gasolina 125 Milhões de Litros.
Se incorporar até 5% de Etanol são 6.25 Milhões de litros de etanol, onde para produzir 1 litro de etanol, são precisos pelo menos 2Kg de milho. Assim para produzir 6.25 Milhões de litros de etanol são precisas 12.5 Toneladas de milho que ocupam um espaço de 10.000 metros quadrados, isto apenas para um mês…
… e nem vamos falar da quantidade de água e pesticidas que necessitam de ser acrescentados.
… e nem sequer vamos falar na produção de Girassol, que serve para produção de Biodiesel que é incorporado em 7% no gasóleo e onde as quantidades vendidas no mesmo mês foram de 330 Milhões de litros.
E depois vemos o pessoal a reclamar que os carros elétricos apenas estão a deslocar a poluição para outro lado.
O que é preciso é se queixar que os campos de milho estão a ser trocados por campos de painéis fotovoltaicos, milho esse que gasta recursos hídricos e em muitos casos apenas serve para se transformar em etanol para ser misturado no tanque do carro…
A culpa é do arrefecimento global.
Na Europa central estão a gastar o gás todo para se aquecerem e não chega. Agora tb andam a queimar gasóleo para o mesmo efeito.
Melhor isso que estar a gastar Electricidade
lol
Deves julgar que radiador a Óleo trabalha a Electricidade. Óleo, a palavra diz tudo
A electricidade vem do gás. Não sabias?
E que mais fontes para produzir eletricidade conheces?
Só é possivel através de Carvão e Gas como é obvio.
Com estabilidade e poder só conheço as tradicionais. As intermitentes deixam muito a desejar.
Por isso mesmo é que deve banir a electricidade.
É preferivel consumir directamente combustíveis fosseis e assim evita-se a praga da producao electrica. Com a vantagem que energeticamente nao ficamos dependentes de ninguem.
O Motinhas vendeu o cilindro eléctrico e/ou a gás que tinha e agora aquece a água do banho num fogão a lenha.
O Brasil está construindo navios para exportar para os países da UE.
não precisamos, as plataformas da galp já estão a roubar tudo ao brasil e a trazer para portugal, igual ao ouro.. passaram 500 anos mas continuam a pagar a fatura por serem uma colonia portuguesa
Vejam na RTP Play uma reportagem sobre o estado da produção de milho em Portugal e apliquem as mesmas conclusões para os cereais para alimentação humana.
Haverá dois choques num futuro próximo: energético e alimentar.
O setor alimentar vai sofrer uma revolução na próxima década pois já temos empresas a fabricar carne e leite sintético e só não estão a ser comercializados porque o custo de produção ainda é demasiado elevado.
Por exemplo produzir um hambúrguer sintético em 2013 tinha custo de €300.000 a unidade no entanto ao longo deste tempo já conseguiram reduzir o preço de produção do mesmo hambúrguer para €10 em 2025 e estima-se que o preço de produção vá continuar a baixar.
https://www.bbc.com/news/science-environment-23576143
https://www.nature.com/articles/d41586-025-01227-4
Deve ser a mesma evolução dOs combustíveis sintéticos.
O problema dos combustíveis sintéticos é que dependem muito de eletricidade.
Logo fica-te sempre mais barato usar a eletricidade diretamente num carro do que usares a eletricidade para produzires hidrogénio e o combinares o C02…
Qual evolução ? Vê alguma evolução desde 1920 ?
Eu só sou contra dos combustíveis sintéticos porque utilizam eletricidade na sua producao. Senao até podia ser algo porreiro
A Europa…algo supremo na História da Humanidade…tinha que levar com este “abre olhos” para começar a não viver à conta dos outros ! Agora ficaram órfãos…têm que se desenrascar e produzir 🙂 Tenho como mesmo exemplo o “nosso” Portugal que ainda estou para ver um dia a importar água engarrafada … parecendo mais um paralítico total à espera que lhe façam a papinha todo porque não se mexe 🙂