O secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth, anunciou a criação do Autonomous Warfare Command, conhecido como AutoWarCom, que ficará responsável por expandir o uso de drones, Inteligência Artificial e sistemas de comando e controlo em todas as forças armadas dos Estados Unidos da América (EUA).

O anúncio foi feito a 30 de setembro, durante o discurso sobre o estado das forças armadas, em Quantico, na Virgínia. O AutoWarCom será liderado por um oficial de quatro estrelas e juntar-se-á aos 11 comandos de combate já existentes, sendo o primeiro a ser criado desde o Comando Espacial, em 2019, segundo a Reuters.
O secretário da Defesa norte-americano justificou a decisão com o facto de o ritmo da guerra estar a mudar mais depressa do que os processos que o suportam, e afirmou que o poder de computação barato, a superinteligência e a produção comercial avançada permitiram a proliferação de capacidades de ataque de baixo custo e elevada precisão. O comando terá poderes semelhantes aos dos ramos das forças armadas.

Calendário e estrutura ainda por definir
Segundo a Air & Space Forces Magazine, um memorando de Hegseth indica que o Pentágono pretende pôr o comando em funcionamento até 1 de outubro de 2027, em articulação com o Congresso.
Até lá, o arranque será feito através de uma fase intermédia, o Project Agincourt, que se apoiará em iniciativas existentes como a Defense Innovation Unit e o programa Drone Dominance. A liderança e a estrutura exata ainda não são conhecidas, mas Hegseth anunciou que cada ramo vai introduzir gradualmente especialidades militares dedicadas à autonomia, de modo a criar percursos de carreira específicos nesta área.
Robôs humanoides e os riscos da IA
Recentemente, o Exército dos EUA escolheu cinco vencedores no concurso xTechHumanoid, entre os quais o robô Alex, do Florida Institute for Human and Machine Cognition, que dispõe de proteção balística e combina IA com controlo humano em missões perigosas.

Segundo uma investigação da Reuters a mais de 100 documentos militares, académicos e industriais, a China está a acelerar a investigação sobre utilizações militares de robôs humanoides e a planear a sua eventual utilização em guerra, nomeadamente em reconhecimento, logística e limpeza de edifícios ao lado de tropas, embora a agência não tenha encontrado provas de que um humanoide armado tenha sido destacado para uma unidade operacional chinesa.
O papel da IA nas forças armadas já vai além do controlo de máquinas e inclui análise de informações, logística e seleção de alvos, o que torna os erros particularmente graves.
Segundo quatro fontes ligadas ao caso citadas pela CNN, os EUA estiveram perto de intercetar, na primavera, um navio chinês no Médio Oriente, durante a guerra com o Irão.
Conforme informámos, um analista pediu a um chatbot que avaliasse informação sobre o manifesto do navio e este identificou incorretamente a carga como material para um programa de armas nucleares, tendo o analista recorrido depois novamente à IA para transformar essa conclusão num relatório de informações que circulou nas forças armadas.
Na altura, militares armados estavam já prontos para abordar o navio e tinham aeronaves no ar quando a operação foi travada, depois de os responsáveis reverem a informação e verificarem o erro.
Entretanto, a criação do AutoWarCom ainda depende de aprovação do Congresso e de decisões sobre a sua estrutura. Contudo, reflete uma aposta clara em sistemas autónomos, mais baratos e produzidos em maior escala.

















