Tempestade solar pode colocar missão Artemis II em risco
Depois de mais de 50 anos sem irmos à Lua, nas vésperas de uma partida histórica, uma tempestade solar poderá representar um dos maiores perigos para a missão Artemis II. Esta missão, que levará astronautas novamente até à órbita do nosso satélite natural, poderá enfrentar problemas com a radiação intensa libertada pelo Sol, capaz de afetar tanto os sistemas da nave como a saúde da tripulação.
O perigo invisível no espaço profundo
Ao contrário do que acontece na Terra, onde o campo magnético protege o planeta, no espaço profundo os astronautas ficam expostos a níveis muito mais elevados de radiação.
As tempestades solares, resultantes de explosões energéticas como ejeções de massa coronal, podem libertar partículas altamente energéticas.
Uma erupção solar de classe X1.4 provocou falhas nas comunicações de rádio e lançou uma CME rápida, enquanto a NASA se prepara para a sua missão lunar Artemis II.
Referiu a NASA.
A erupção teve origem na região ativa 4405, um grupo de manchas solares magneticamente complexo que está agora a girar para uma posição mais próxima da Terra, o que significa que qualquer atividade contínua poderá ter impactos mais diretos na Terra e nos preparativos da Artemis II nos próximos dias.
A erupção solar também provocou uma ejeção de massa coronal (CME) com uma componente que poderá estar direcionada para a Terra.

Erupção de tipo X-flare (à esquerda) e, à direita, a CME ondulante libertada durante a erupção. (Crédito da imagem: Esquerda: satélite GOES SUVI; direita: imagens do SOHO Lasco C2)
Estas partículas representam vários riscos:
- aumento da probabilidade de cancro a longo prazo
- possíveis falhas nos sistemas eletrónicos da nave
- impacto no desempenho cognitivo dos astronautas
Cientistas sugerem adiar a missão
Alguns especialistas alertam que a atual atividade solar poderá tornar o período de lançamento particularmente perigoso. Modelos científicos indicam maior probabilidade de tempestades solares intensas, levando à recomendação de adiar a missão para uma fase mais segura, possivelmente mais tarde em 2026.
Ainda assim, a NASA mantém, para já, o calendário previsto, optando por reforçar a monitorização do Sol em tempo real.
A NASA está atenta ao que se avizinha para o lançamento da Artemis II. Temos de estar atentos agora aos surtos de rádio. Estes podem afetar gravemente as comunicações HF/VHF e as comunicações por satélite durante as operações críticas de lançamento e as manobras na órbita inicial.
Afirmou a física solar Tamitha Skov à Space.com.

Previsão do modelo M2M WSA-ENLIL+Cone da NASA para a CME lançada durante a erupção solar de magnitude X1,4. Reparem na velocidade da CME! É muito rápida! (Crédito da imagem: NASA)
Monitorização constante para proteger astronautas
Para reduzir riscos, a missão contará com vigilância contínua da atividade solar, recorrendo a satélites e observatórios especializados.
Em caso de evento extremo, poderão ser ativados protocolos de emergência para minimizar a exposição à radiação.
Além disso, equipas científicas em Terra irão analisar dados em tempo real para antecipar possíveis picos de radiação e apoiar decisões críticas durante o voo.

A cápsula Orion possui sensores de radiação integrados e os astronautas utilizam dosímetros pessoais que medem a dose acumulada em tempo real. Se os níveis ultrapassarem um limiar crítico, os alarmes alertam a tripulação, que executará um protocolo treinado. Na imagem Jeremy Hansen, Christina Koch, Reid Wiseman e Victor Glover.
Um desafio crítico para o regresso à Lua
A missão Artemis II marca o regresso de voos tripulados além da órbita terrestre desde o programa Apollo. No entanto, este avanço traz consigo desafios significativos, sendo a radiação solar um dos mais complexos.
Se a atividade solar se intensificar, poderá não só comprometer esta missão, como influenciar o calendário de futuras viagens à Lua e até a Marte, onde a exposição à radiação será ainda mais prolongada.




















Vão morrer todos:
https://idlewords.com/2026/03/artemis_ii_is_not_safe_to_fly.htm