Ferrari Testarossa: o superdesportivo que também gerou polémica e conquistou o mundo
A Ferrari volta a estar no centro da polémica. O novo Ferrari Luce dividiu opiniões e há quem considere que o primeiro elétrico da marca se afastou demasiado da identidade que tornou Maranello uma referência no mundo automóvel. Mas.. no passado também houve alvoroço após apresentação de um carro que, depois, se tornou um ícone. Sim, falamos do Ferrari Testarossa.
Ferrari Testarossa: quando a Ferrari foi acusada de ter ido longe demais
Hoje é considerado um dos automóveis mais emblemáticos da história da Ferrari, mas quando apareceu em 1984 o Ferrari Testarossa esteve longe de reunir consenso.
À semelhança do que acontece atualmente, o Testarossa nasceu envolto em críticas. Muitos admiradores da marca consideraram que a Ferrari tinha rompido em excesso com a sua identidade e que aquele modelo representava um afastamento daquilo que sempre definira a alma de Maranello.
O Ferrari que parecia demasiado diferente para ser um Ferrari
Desenhado pela Pininfarina sob liderança de Leonardo Fioravanti, o Testarossa foi criado para resolver limitações reais do modelo anterior, incluindo problemas térmicos e melhor aproveitamento do espaço. Mas as soluções técnicas acabaram por transformar profundamente o visual do carro.
As enormes entradas de ar laterais tornaram-se imediatamente o elemento mais controverso. As famosas lâminas horizontais que percorriam as portas e os guarda-lamas traseiros não existiam apenas por estilo: ajudavam a alimentar os radiadores laterais e respondiam também a requisitos regulamentares em alguns mercados. Ainda assim, muitos olharam para elas como um exagero visual.
Na imprensa automóvel começaram a surgir comparações pouco simpáticas. Houve quem apelidasse aquelas entradas de ar de “ralador de queijo” e quem considerasse que o carro parecia demasiado largo, teatral e distante da elegância clássica da Ferrari.
A Ferrari mudou… e os puristas resistiram
O Testarossa também rompeu com outros elementos tradicionais. A traseira abandonou parte da assinatura visual habitual da marca e o conjunto geral parecia mais próximo de um exercício de design futurista do que de um Ferrari convencional da época.
Curiosamente, muitas das críticas que surgiram em 1984 são semelhantes às que aparecem sempre que a Ferrari altera demasiado a sua fórmula: “não parece um Ferrari”, “perdeu identidade”, “é demasiado moderno”.
O tempo acabaria por mostrar o contrário. O Testarossa transformou-se num fenómeno cultural, ganhou presença em cinema, televisão e tornou-se uma das silhuetas mais reconhecidas da indústria automóvel.
Produziram-se perto de 10 mil unidades considerando toda a família Testarossa, algo incomum para os padrões da Ferrari. Quarenta anos depois, o Luce está a ouvir críticas semelhantes.
Há um paralelo curioso com o momento atual.
O novo Luce, o primeiro Ferrari totalmente elétrico, está a gerar uma reação semelhante à que aconteceu com o Testarossa há quatro décadas. Grande parte das críticas não está relacionada com desempenho, mas com identidade visual.
Muitos entusiastas consideram que o modelo, desenhado com colaboração do estúdio LoveFrom de Jony Ive, apresenta uma linguagem demasiado distante daquilo que se espera de um Ferrari.
As críticas foram suficientemente fortes para coincidirem com uma queda temporária das ações da Ferrari após a apresentação e até figuras históricas ligadas à marca demonstraram desconforto com a direção seguida.
Se a história se repetir, talvez daqui a algumas décadas o Luce seja visto de forma diferente. Porque a história do Testarossa mostra precisamente isso, aquilo que hoje parece demasiado ousado pode acabar por definir uma era.
























Na minha opinião, o Luce não é exatamente o mesmo fenómeno crítico que o Testarossa. O Testarossa foi uma polémica sobretudo de linguagem visual; o Luce é uma polémica de identidade de marca, tecnologia, tipologia de carro e futuro da Ferrari.
O Testarossa Era um superdesportivo de dois lugares, motor central-traseiro, 12 cilindros, baixo, largo, dramático, pensado para performance e desejo. Mesmo sendo visualmente ousado, continuava dentro do imaginário Ferrari, velocidade, motor, ruído e teatralidade. Aliás, apesar das críticas ao design, tornou-se rapidamente “o carro a ter” e foi um dos Ferrari V12 mais vendidosaté hoje..
O Luce rompe em muito mais frentes. É o primeiro Ferrari totalmente elétrico, tem quatro portas, cinco lugares, uma arquitetura de EV, uma linguagem muito mais minimalista.
Resumindo;
A diferença principal é esta: o Testarossa continuava a ser profundamente Ferrari, ao Luce não é apenas: “não gosto da frente” ou “as linhas são estranhas”. É mais profunda, “isto ainda é um Ferrari?”
Mas a malta não gosta do design ou por ser eletrico ? é que mesmo eletrico continua a identidade de velocidade até é bem mais rapido que os a combustão
Press (X) to doubt
É exatamente o que penso.
Há mais ferrari’s com 4 portas e com 5 lugares.
Qual? O Purosangue é 4 lugares
Com 4 portas sim, uma raridade. Com 4 portas e 5 lugares não.
Verdade, é 5 lugares.
Desculpem, 4 lugares.
Sem duvida que a comparação é, no mínimo, injusta.
Esta comparação parece uma jogada de marketing para tentar minimizar o (horror) que fizeram com este.
O impacto que ambos os carros tiverem nos fãs e na sociedade automobilística? Não, é uma coimparação justa. Não é entre carros, é entre reações. Estás bem explícito.
O impacto é diferente. Muito diferente.
No testarossa foi principalmente o design… Que mesmo assim não foi tão ‘radical’ como neste. E neste não é apenas o design mas toda a mudança de tecnologia. Se bem que no que diz respeito ao design as criticas parecem bem maiores.
Ou seja, para mim, é uma comparação injusta.
E não sou ‘só’ eu que digo… Temos o ex-presidente da Ferrari a conter-se nas palavras e mesmo assim a dizer que deviam tirar o cavalo…
Em relação ao Testarossa o próprio Enzo (vivo na altura) apoiou o lançamento e no salão de Paris de 82 a recepção foi um ‘sucesso’, mesmo com algumas reacções mistas.
‘Só’ isto diz imenso sobre o que se passa!
A esta distância temporal, como já referi, até percebo o teu ponto. No entanto, a comparação não pretende dizer que os dois casos são iguais. O objetivo é mostrar que a Ferrari já enfrentou momentos em que uma parte dos fãs rejeitou uma mudança importante antes de o mercado ter tempo para a avaliar.
É verdade que o Luce representa uma transformação mais profunda, porque não está apenas em causa o design, mas também a passagem para a propulsão elétrica. Nesse aspeto, o impacto potencial é maior do que o do Testarossa.
Contudo, também convém lembrar que estamos a analisar reações antes de o carro chegar efetivamente aos clientes. A história automóvel está cheia de modelos que foram criticados na apresentação e mais tarde acabaram por ser valorizados. O próprio Testarossa teve detratores, tal como o F40, o Enzo, o FF, o Purosangue e até os SUV de outras marcas de luxo.
Quanto às declarações de antigos responsáveis da Ferrari, são opiniões relevantes, mas não deixam de ser opiniões. Quem vai decidir o futuro do Luce será o mercado e os clientes da Ferrari. Se o modelo vender bem e conseguir manter a exclusividade e a rentabilidade da marca, dificilmente alguém defenderá que o cavalo deve sair da frente. Se falhar, então os críticos terão razão. Aliás, se vires as reações dos pilotos oficiais da F1 da marca, vais ver a surpresa quando se trata da condução.
Neste momento, ainda estamos na fase das previsões. A verdadeira sentença será dada quando os primeiros Luce começarem a chegar às estradas. E eu, apesar de não gostar do design, mas adorar o interior, antevejo muito sucesso para este bólide.
+1
Joca, o problema do teu argumentário é assumir que alguém está a dizer que o Luce e o Testarossa são polémicas idênticas. Não são. Nunca foram.
O paralelismo está na reação dos puristas perante uma rutura da Ferrari com aquilo que era considerado “o verdadeiro Ferrari” da época. Diz isso mesmo no texto.
Em 1984, muita gente também dizia que o Testarossa tinha ido longe demais. Hoje parece absurdo porque o tempo normalizou o carro e transformou-o num ícone cultural. Mas na altura foi visto por muitos como excessivo, artificial e distante da elegância tradicional da marca. Sem alma Ferrari!
E atenção, o facto de o Testarossa manter um V12 não invalida nada. Porque a identidade Ferrari nunca foi apenas mecânica. Sempre foi emocional e estética também.
O Luce leva a rutura muito mais longe? Claro que sim. É elétrico, tem outra arquitetura e outro posicionamento. Ninguém discute isso.
Mas dizer que o Testarossa “continuava profundamente Ferrari” é uma conclusão feita com retrospetiva histórica. Em 1984, essa unanimidade simplesmente não existia.
É precisamente aí que o paralelo faz sentido:
-> ambos geraram acusações de “isto já não parece Ferrari”
-> ambos dividiram os fãs da marca
-> ambos simbolizam momentos em que a Ferrari mexeu em pilares emocionais da sua identidade
A diferença é de escala, não de natureza.
O erro é olhar para o Testarossa como património consolidado e esquecer que, antes de ser lenda, também foi acusado de ser um exagero estilístico que traía a tradição Ferrari.
testarossa ou outro ferrari qualquer, design melhor ou pior, agrade a uns ou outros, a identidade da marca está lá… este luce parece o novo leaf da nissan com outro autocolante, entre um peugeot e um citroen, ok compreende-se a partilha de plataformas e o mercado alvo é outro… agora numa marca como a ferrari, arriscam destruir o mito que é a marca…
A frente do Luce de tão básica que é nem para a NASCAR servia, não se passa ali nada.
Ó Gringo (Hey gringo, don’t cross de river because in the other side are many bandidos!) também atacas a frente do Luce? Nem uma coisinha mais? Tipo, “Ferrari que é Ferrari tem duas portas, é para duas pessoas, sem espaço para estender as pernas!”
Não te preocupes, dificilmente vais por os olhos num 🙂
Há mais Ferrari’s com 4 portas
Max o mexicano do oeste! Epá a frente faz muito por um carro, aquela não tem personalidade, não me provoca emoção nenhuma de querer pegar num e acelerar nem inspira sei lá sonhos mesmo que nunca vá por olhos num ao vivo. O Kitt do knight rider tambem nunca vi um semelhante ao vivo mas dá para sonhar e apreciar.
Get out of my dreams and get into my garage! é o carro que procuro lol
Quer se goste ou não do Ferrari Testarossa se olharmos para ele dizemos com muita certeza que é um Ferrari o mesmo não acontece com o luce, se tirarmos o logótipo poderíamos dizer que era um Nissan, BYD, etc.
O Testarossa tambem podia ser um nissan ou um byd
Um Nissan ou um BYD não. O Luce é em conta, mas não tão em conta … E tem que se ver do lado de dentro.
“Curiosamente, muitas das críticas que surgiram em 1984 são semelhantes às que aparecem sempre que a Ferrari altera demasiado a sua fórmula”
Tentar comparar essas criticas passadas com a actual é de uma desonestidade intelectual megalitica apenas justificada pela total falta de noção do mundo automóvel ou uma paranóia por coisas diferentes só porque sim.
Estás a dizer disparates. Ignoras a história do mercado e as épocas. Sem essa avaliação, não tens base para comentar de forma honesta e séria. Isto porque o Testarossa foi violentamente criticado nos anos 80 por parecer exagerado, teatral e distante da elegância clássica da Ferrari. Hoje é um ícone. Isso é um facto histórico.
O Luce está a ser criticado por outros motivos, como é o caso da eletrificação, proporções, minimalismo visual e perda de agressividade estética. Também é factual.
Logo, a comparação não é “o carro A é igual ao carro B”. A comparação é “em dois momentos diferentes, parte dos fãs acusou a Ferrari de perder identidade”.
Isso não é desonestidade intelectual. É precisamente contexto histórico. Que tu não percebeste. Aliás, o mundo automóvel está cheio destes casos. e deixo-te alguns exemplos:
– Porsche 996 criticado pelos faróis e pelo motor arrefecido a água
– Lamborghini Countach acusado de ser excessivo
– BMW Série 4 atacado pela grelha gigante
– Ferrari F40 criticado por parecer demasiado bruto face ao 288 GTO
O padrão repete-se há décadas. Quando uma marca mexe em símbolos emocionais, os puristas reagem mal. Uns modelos acabam rejeitados. Outros tornam-se lendas.
Comparar a “polémica” gerada na chegada do Testarossa á entrada deste novo electrodoméstico assinado pela Ferrari é de facto um acto de coragem!
De história. São momentos que se tornaram parte da história. Não é na comparação dos carros, mas no impacto, nas reações e no resultado. Este carro vai-se tornar numa peça muito desejada? Ou vai ser um injeitado? O facto é que não passou indiferente, e já há quem olhe para o carro como um sucesso…. mesmo de meio milhão de euros.
Completamente falso, para começar o Testarossa tem uma data de elements Ferrari.
Os franceses até o colocaram na capa do Anuario do L’Automobile que compilava todos os carros fabricados no mundo.
Estás errado. Tens de ler a história. Aliás, chamar “completamente falso” a algo que está historicamente documentado é, no mínimo, curioso!
Ninguém afirmou que o Testarossa não tinha elementos Ferrari. Isso seria absurdo. O carro tinha um V12, motor central traseiro, assinatura da Pininfarina e prestações que o colocavam no topo do mundo automóvel. O que existiu foi outra coisa, uma enorme divisão de opiniões quando o modelo apareceu em 1984. E isso não desaparece só porque, 40 anos depois, o carro virou ícone de parede de garagem e estrela de posters.
Usar a capa de um anuário francês como “prova definitiva” é quase caricato (anedótico mesmo). A imprensa especializada pode adorar um carro e, ao mesmo tempo, os puristas odiarem-no. A história automóvel está cheia disso.
O Testarossa foi acusado de ser exagerado, teatral, demasiado largo e visualmente excessivo para um Ferrari. As famosas grelhas laterais foram gozadas durante anos. Hoje são lendárias. Na altura, muita gente achava aquilo um disparate estilístico. Sem alma Ferrari.
O problema é que há quem analise 1984 com nostalgia de 2026. Hoje o Testarossa parece “obviamente Ferrari” porque décadas de cultura popular o transformaram num símbolo. Mas quando surgiu, foi uma rutura enorme dentro da marca. Com reações muito piores às quer se viram agora 😉
E é precisamente esse o paralelismo com o Luce. Não a estética em si, mas a reação emocional dos puristas sempre que a Ferrari mexe na sua identidade visual. Negar isso não é defender a Ferrari. É reescrever a história automóvel à força. Podem tentar… mas não vão conseguir.
O Luce é um automovel que poderé ter sucesso para o mercado Chinês para o qual parece ter sido desenhado de proposito. Para os restantes mercados existe alternativas mais condicentes com o tradicional cliente Ferrari, super desportivos super esclusivos com os maravilhosos V12 e V8.
Comparar o Luce com o Testarossa é como comparar a obra prima do mestre com a prima do meste de obras
Tens de perceber do mercado, para entenderes o que está de facto em comparação. Não é nada disso que tu disseste.
ahhahaha, melhor comentário!
É confundir a estrada da Beira com a beira da estrada.
5 Estrelas para o Vitor M. (tens mesmo paciência), argumentar com energúmenos é obra.