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Busan Plant (RKM): o laboratório industrial mais avançado da Renault na Ásia

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Voámos de Seul para Busan, na Coreia do Sul, para visitar a fábrica da Renault Korea Motors (RKM), integrada no universo industrial do Renault Group. Esta unidade é hoje um dos polos mais interessantes da marca fora da Europa. Fundada em 1997, tornou-se o maior centro produtivo do grupo na Ásia e um verdadeiro laboratório de transformação industrial.


Com 1785 colaboradores e uma produção anual na ordem das 84.000 unidades (2025), a fábrica exporta para dezenas de mercados internacionais, apoiando-se numa cadeia de fornecimento global e numa forte integração com parceiros locais. Mas o que realmente distingue Busan não são apenas os números – é a arquitetura industrial que sustenta as operações.

Busan Plant: uma única linha, múltiplas energias

A Busan Plant opera um dos sistemas de produção mista mais avançados da Coreia do Sul. Trata-se de uma linha multi-energia capaz de produzir veículos com motor de combustão interna (ICE), híbridos (HEV) e 100% elétricos (BEV) na mesma infraestrutura industrial. Esta abordagem permite acomodar até quatro plataformas e oito modelos diferentes, algo raro mesmo à escala global.

Entre os modelos atualmente produzidos encontram-se o Renault Grand Koleos (ICE e HEV), o Renault Arkana (HEV), o Renault Filante (ICE e HEV) e o Polestar 4 (BEV), este último fruto da parceria com a Polestar. A chave desta versatilidade está na conceção do bodyshop e da linha de Trim & Chassis.

  • No primeiro caso, a fábrica consegue montar diferentes carroçarias na mesma estação, com parâmetros reconfiguráveis a cada ciclo – um novo veículo sai da linha a cada 48 segundos.
  • No segundo, o processo industrial foi desenhado para permitir a fixação do sistema de propulsão completo, independentemente da motorização, nas mesmas estações.

Esta uniformização reduz custos, aumenta a agilidade e prepara a unidade para responder rapidamente a oscilações do mercado.

Renault quer que os robôs ganhem autonomia, e eles obedecem

Outro dos pilares tecnológicos da Busan Plant é a introdução de Autonomous Mobile Robots (AMR) na logística interna. Ao contrário dos tradicionais Automated Guided Vehicles (AGV), que seguem percursos fixos no chão, os AMR navegam de forma autónoma, recorrendo a sensores como LiDAR e radar para mapear o ambiente e evitar obstáculos.

Atualmente, cerca de 40 AMR operam na fábrica, assegurando o transporte de peças entre armazéns e postos de trabalho. Ao separar fisicamente as zonas de circulação de empilhadores das áreas de operadores, a fábrica aumenta significativamente os níveis de segurança e reduz a complexidade do tráfego interno.

Cada robô pode transportar cargas até uma tonelada, posicionando-se automaticamente sob contentores, lendo códigos QR, levantando e entregando componentes em zonas buffer junto à linha. Busan foi a primeira fábrica do grupo a implementar esta tecnologia, que deverá ser replicada em larga escala noutras unidades da Renault.

Qualidade como cultura: IA, visão artificial e rastreabilidade total

Num contexto de crescente complexidade tecnológica – especialmente com a eletrificação – a garantia de qualidade tornou-se um eixo crítico. Em Busan, essa ambição traduz-se em mais de 400 pontos de controlo suportados por sistemas de visão com inteligência artificial (IA).

A inspeção ocorre em tempo real, com deteção automática de erros de montagem, alertas imediatos para supervisores e correções no local, antes que o veículo avance na linha. O sistema cobre áreas como compartimento do motor, parte inferior da carroçaria e subconjuntos de portas, verificando centenas de pontos de aperto e montagem.

A rastreabilidade é reforçada por 65 câmaras CCTV distribuídas pela fábrica, que permitem identificar com precisão a origem de qualquer defeito. Paralelamente, um sistema de diagnóstico elétrico automatizado valida ligações de cablagem, calibra unidades de controlo (ECU) e assegura a conformidade funcional dos veículos.

Condução autónoma dentro da Busan Plant

A inovação em Busan não termina na linha de montagem. A fábrica lançou um Proof of Concept para automatizar o transporte dos veículos desde o final da produção até ao parque final – uma tarefa tradicionalmente assegurada por operadores humanos.

No caso do Renault Grand Koleos, foram utilizados sensores já instalados no veículo, como câmara frontal e sensores de estacionamento, para permitir condução autónoma num circuito. O automóvel é capaz de engrenar mudanças, acelerar, travar, realizar curvas apertadas e estacionar de forma autónoma.

Como sistema de redundância, foi desenvolvido um cockpit remoto baseado num Renault Arkana adaptado, permitindo a um operador assumir controlo total do veículo à distância, através de ligação 5G de baixa latência. Este projeto foi desenvolvido em parceria com o Korea Automotive Technology Institute, reforçando o ecossistema tecnológico em torno da fábrica.

Um hub estratégico para a nova mobilidade da Renault

A Busan Plant combina estampagem, soldadura, pintura, montagem final, produção de motores e integração de baterias num único complexo industrial. Esta integração vertical, aliada à proximidade do porto de Busan, facilita a exportação e posiciona a unidade como uma plataforma global para todo o tipo de modelos.

Mais do que uma simples fábrica, Busan tornou-se um centro de experimentação industrial para o grupo Renault. A capacidade de produzir diferentes energias na mesma linha, integrar robótica autónoma, aplicar IA à qualidade e testar condução autónoma em ambiente fabril coloca esta unidade na frente da transformação automóvel.

 

Cronologia da Busan Plant

  • 1995: Criação da Samsung Motors Inc. e construção da fábrica de Busan de acordo com os padrões tecnológicos da Nissan.
  • 1998: Início da produção do SM5.
  • 2000: Aquisição do grupo coreano pela Renault, que passa a deter 80,1% do capital, e criação da Renault Samsung Motors (RSM).
  • 2002: Início da produção do SM3.
  • 2003: Início da produção do SM5 2004.
  • 2004: Lançamento do SM3 CVTC 1.6 (julho). Lançamento do SM7 (dezembro).
  • 2005: Lançamento do novo SM5. Início das vendas da nova geração do SM3.
  • 2007: 22 de junho: Início da produção do motor M4R. 15 de novembro: Lançamento do QM5 (Koleos).
  • 2008: Início da produção do novo SM3.
  • 2009: Início da produção do novo SM5.
  • 2011: Início da produção do novo SM7 e do novo QM5 (Koleos).
  • 2013: Início da produção do SM3 ZE (Fluence ZE).
  • 2014: Início da produção do Nissan Rogue para a América do Norte.
  • 2016: Início da produção do SM6 e do QM5.
  • 2018: Alcançada a marca de 3 milhões de veículos produzidos desde 2000.
  • 2019: Início da produção do Twizy.
  • 2020: Início da produção do XM3/Arkana.
  • 2022: A Geely Automobile Holdings adquire 34,02% das ações da Renault Korea Motors.
  • 2023: A fábrica da Renault Korea em Busan produz e exporta veículos puramente elétricos.
  • 2024: Início da produção do Grand Koleos.
  • 2025: Início da produção do Grand Koleos para a América Latina (LATAM), início da produção do Arkana Y26 e do Polestar 4.

 

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