Guerras na Ucrânia e Irão criaram um funil que está a fazer disparar os preços dos voos
Os conflitos no Irão e na Ucrânia transformaram o espaço aéreo numa verdadeira corrida de obstáculos. As companhias aéreas são obrigadas a imaginar soluções que implicam percorrer mais quilómetros e queimar mais combustível.
Europa e Ásia estão mais distantes pelo ar
Europa e Ásia, continentes unidos por terra, estão mais separados do que nunca pelo céu. Ou, pelo menos, está mais complicado do que nunca viajar entre eles. Com o conflito na Ucrânia e no Irão ativos, as companhias aéreas estão a lidar com um funil nos seus corredores habituais ou, pelo contrário, veem-se obrigadas a fazer grandes desvios. E isso tem enormes implicações.
Já passaram duas semanas desde que os Estados Unidos e Israel abriram hostilidades contra o Irão. A resposta deste país contra Israel e contra todos os países vizinhos que acolhem bases norte-americanas provocou o caos na mobilidade aérea da região.
De um dia para o outro, milhares de pessoas viram os seus voos com partida ou escala em Dubai ou Doha, dois dos 10 maiores aeroportos do mundo em volume de passageiros, serem cancelados. E nos corredores começaram a entrar centenas e milhares de pessoas que procuravam uma saída rápida de países que começavam a sofrer bombardeamentos.
Cancelamentos em massa e bilhetes a preços extremos
Só nos dois primeiros dias do conflito foram suspensas mais de 5.000 operações, com a Emirates, a Etihad Airways e a Qatar Airways entre as companhias mais afetadas.
As consequências foram imediatas: passageiros a viajar 10 horas de carro até países vizinhos para encontrar lugares livres e bilhetes a dispararem para valores acima de 10.000, 20.000 e até 80.000 euros.
Pouco a pouco, o volume de voos nestes aeroportos tem vindo a aumentar. Depois dos primeiros dias de hostilidades, Dubai está a gerir cerca de 500 operações diárias, mas é um número muito inferior à média habitual de 1.200 operações. E as companhias aéreas encontram-se numa situação semelhante.
Segundo o Business Insider, a Emirates esperava recuperar 100% dos voos esta sexta-feira, 13 de março. Antes do início do conflito operava mais de 500 voos diários e, por agora, mal ultrapassa os 300.
Em pior situação estão a Etihad Airways e a Qatar Airways, com um volume de operações que não chega aos 100 voos diários, quando anteriormente também superavam os 500.
Um funil aéreo entre Europa e Ásia
Quem não faz escala ou não tem como destino o Médio Oriente também não está livre de problemas. Com o espaço aéreo fechado sobre o Irão, a ligação entre Europa e Ásia transformou-se numa espécie de funil onde o Azerbaijão se tornou peça-chave. Pelo sul, as companhias aéreas têm de lidar com o conflito no Médio Oriente. Pelo norte, com a guerra na Ucrânia.
A maioria dos voos entre Europa e Ásia sem escalas no Médio Oriente está a passar pelo estreito corredor entre a Turquia, o sul da Rússia e o norte do Irão. A outra alternativa é desviar os voos pela zona sul da Península Arábiga.
Estes corredores estreitos representam um novo obstáculo para as viagens desde a Europa que anteriormente passavam pela Rússia antes dos ataques deste país à Ucrânia.
E é que a Rússia era o caminho escolhido para grande parte das rotas que ligavam a Europa à China ou ao Japão. Agora as companhias aéreas têm duas opções: contornar pelo sul ou fazer um grande desvio muito mais a norte.
Mais quilómetros, mais combustível e viagens mais longas
Naturalmente, os aviões têm agora de percorrer muitos mais quilómetros e queimar muito mais querosene.
O The New York Times dá o exemplo dos países nórdicos. Antes de 2022, voar de Helsínquia para Tóquio era tão simples como atravessar a Rússia. Agora os voos têm de contornar o país pelo norte ou pelo sul, aumentando o tempo de viagem, o consumo de combustível e, claro, os custos.
O mesmo aconteceu com a rota Helsínquia-Banguecoque, que utilizava o espaço aéreo iraniano para compensar o desvio necessário para evitar a Rússia. Agora os voos passam pelo funil que é o estreito corredor existente entre a Rússia e o Irão.
A BBC já tinha destacado este problema há alguns dias. Com a tensão crescente no Médio Oriente, algumas companhias aéreas já tinham optado por reconfigurar as rotas pela zona sul da Península Arábiga antes mesmo dos primeiros ataques.
Com mais tráfego aéreo nessa região e mais quilómetros por percorrer, os especialistas ouvidos pelo meio apontam para algo evidente: os voos serão mais longos e os riscos de atraso maiores.
Combustível de aviação em forte subida
Estes desvios surgem também num momento em que o combustível para aviões disparou de preço.
Segundo a Argus, o combustível de aviação custa atualmente o dobro do preço do petróleo antes da sua refinação. A diferença entre os dois produtos é tão elevada que a American Airlines já perdeu 19% do valor em bolsa desde o início do ano.
A razão é simples: os investidores desconfiam do futuro das companhias aéreas.
Um combustível caro e difícil de armazenar
O combustível utilizado pelos aviões é um produto refinado muito delicado, cujos custos de armazenamento são elevados. Por essa razão, as reservas são reduzidas.
Isso faz com que, sempre que surge um novo conflito, o preço dispare e até o abastecimento possa ficar em risco.
Quando uma situação inesperada envolve um conflito num corredor por onde passa 20% do petróleo e do gás de todo o mundo, a situação torna-se muito mais delicada.
E quando 40% do combustível de aviação destinado à Europa chega através do estreito de Ormuz e esse corredor se fecha, já se sabe o que pode acontecer.

No Médio Oriente, o Estreito de Ormuz situa-se à entrada do Golfo Pérsico, entre Omã, localizado na Península Arábica, e o Irão. É uma das principais rotas comerciais do planeta e, por isso, trata-se de uma via marítima estratégica por onde transita mais de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, qualquer acontecimento naquela região tem impacto direto no preço dos combustíveis e na economia mundial. Apesar da sua importância, é um estreito relativamente pequeno: tem cerca de 54 km na sua largura mínima e o ponto mais largo não ultrapassa os 100 km.
Risco de falências no setor
As consequências das mudanças nas rotas e do aumento do preço do combustível são diversas. Segundo o Deutsche Bank, as companhias aéreas correm risco de falência se o preço do combustível se mantiver tão elevado.
Não é um alerta vazio. A última vez que houve uma diferença tão grande entre o preço do petróleo e o combustível de aviação foi em 2005, após os desastres causados pelos furacões Katrina e Rita.
Esse foi o detonador que levou as companhias Delta Air Lines e Northwest Airlines à falência.
O impacto nos grandes hubs do Golfo
A mudança nas rotas também pode ter impacto nas cidades do Golfo. Dubai e Doha conseguiram atrair turismo ocidental graças ao facto de funcionarem como grandes pontos de escala entre Europa e Ásia, quase como gigantescos terminais intermédios.
Sem essas escalas nas grandes viagens entre os dois continentes, estas cidades correm o risco de perder o seu estatuto de espaço recreativo entre Europa e Ásia, onde muitos turistas passavam alguns dias entre duas longas viagens.

























Isto a somar ao aumento do preço dos combustíveis, vai ser bonito.
Não me parece que a coisa melhore nos próximos meses.
Ou me engano muito ou cuba, deve estar também para ser exterminada.
Eugenics??pois é.
A ideia de enfraquecer a Russia, para depois destruir o mundo, paira ha muito na cabeça, da maioria dos lunaticos á solta.
Só ha uma solução.
Hospitais Psiquiátricos, com celas de alta segurança, e açaimes feitos para humanos, adaptaveis, de baixo custo, por causa da raiva.
“Ninguém” fala de Cuba… Pois essa também já foi… Sem acesso ao combustível que vinha da Venezuela… é só uma questão de tempo até terem de ceder…