Reentrada de foguetão da SpaceX deixou um rasto de poluição nunca detetado
O regresso de um foguetão da SpaceX resultou na primeira evidência observacional de que detritos espaciais em reentrada deixam uma assinatura química detetável causada por humanos na atmosfera superior.
Nas palavras da Inside Climate News, "tudo o que sobe, deve descer", e uma nova investigação reforça as crescentes preocupações de que algumas empresas e países estejam a utilizar o espaço atmosférico global como depósito de resíduos industriais potencialmente tóxicos e que alteram o clima, provenientes de voos espaciais comerciais pouco regulamentados.
O novo estudo, publicado esta quinta-feira, analisou um rasto de poluição deixado por um foguetão Falcon que caiu na atmosfera superior a 19 de fevereiro de 2025, depois de a SpaceX ter perdido o controlo da sua reentrada.
O foguetão tinha sido lançado no início desse mês, levando cerca de duas dezenas de satélites Starlink para a órbita da Terra.
Nuvem de poluição por lítio detetada, pela primeira vez
Publicado na revista Communications Earth & Environment, o estudo foi liderado por Robin Wing, do Leibniz Institute of Atmospheric Physics.
Utilizando lasers altamente sensíveis, Robin Wing e a sua equipa internacional de investigadores observaram uma nuvem de poluição por lítio, monitorizando-a até à reentrada descontrolada de um estágio superior do foguetão Falcon 9 da SpaceX descartado.

Camadas metálicas naturais formam-se na mesosfera superior, devido à separação de meteoritos, e são medidas por lidar. Massa adicional e elementos estão agora a ser introduzidos através da desintegração de satélites artificiais, num novo tipo de poluição que tem consequências desconhecidas para a atmosfera superior e para a camada de ozono. Fonte: Wing, R., Gerding, M., Plane, J.M.C. et al. Measurement of a lithium plume from the uncontrolled re-entry of a Falcon 9 rocket. Commun Earth Environ 7, 161 (2026).
Conforme o The Conversation, esta foi a primeira evidência observacional de que detritos espaciais em reentrada deixam uma assinatura química detetável causada por humanos na atmosfera superior.
Além disso, foi a primeira vez que uma nuvem de poluentes originada por um evento específico de reentrada de lixo espacial foi monitorizada a partir do solo.
Para o estudo, os investigadores utilizaram um sensor baseado em laser altamente sensível para detetar a fluorescência do rasto de metais na mesosfera e na termosfera inferior. Este não é um sistema de observação comercial e facilmente disponível, mas poderia vir a ser, conforme mencionado.
A 20 de fevereiro de 2025, captaram um aumento súbito e claro de iões de lítio provenientes de baterias de lítio e invólucros metálicos fabricados pelo homem usados em satélites. Estes diferem claramente do material natural proveniente de meteoritos.
Usando modelação de trajetórias atmosféricas, os investigadores traçaram o tempo e a altitude da nuvem de lítio diretamente até à trajetória de reentrada de um estágio superior do foguetão Falcon 9 descartado, enquanto se desintegrava na termosfera inferior e mesosfera sobre o Oceano Atlântico, a oeste da Irlanda.

Observação de lítio na noite de 19/20 de fevereiro de 2025. Densidade máxima de lítio antes da chegada do rasto (19/02/2025 às 19:00 a 20/02/2025 às 00:21 UTC). Fonte: Wing, R., Gerding, M., Plane, J.M.C. et al. Measurement of a lithium plume from the uncontrolled re-entry of a Falcon 9 rocket. Commun Earth Environ 7, 161 (2026).
SpaceX e outras empresas planeiam preencher a atmosfera de satélites
Este estudo torna-se particularmente importante, se considerarmos os muitos lançamentos de satélites que estão planeados para o futuro.
O número de satélites em órbita disparou de alguns milhares há poucos anos para cerca de 14.000 atualmente, impulsionado sobretudo pelas megaconstelações, a serem construídas por grandes empresas.
A par desses, outros estão planeados. A SpaceX, por exemplo, solicitou o lançamento de uma megaconstelação de até um milhão de satélites para alimentar centros de dados no espaço.
Além de ser previsível que cada um desses satélites acabe por reentrar na atmosfera, também os foguetes que os lançam deverão regressar.
Estimativas citadas pelo The Conversation sugerem que, até 2030, várias toneladas de material de naves espaciais se desintegrarão diariamente na atmosfera superior.
Até agora, além de não existir um quadro regulamentar para estas emissões, há poucas opções de monitorização e a compreensão científica dos impactos prováveis é limitada.
A deteção inédita demonstra que os poluentes provenientes da reentrada destes dispositivos são mensuráveis e podem ser rastreados, num processo importante para responsabilizar as empresas envolvidas na exploração espacial.
Imagem: Space.com
Neste artigo: foguetão, poluição atmosférica, spacex




















Pior é a Índia e a passividade global fala por sí.
A meu ver, uma solução seria os Estados Unidos invadirem a Índia, é só uma questão de tempo
Não precisam. Usam o Paquistão como proxy.
A SpaceX precisa de 9000 milhões, de Starlink, em órbita, para fornecerem os serviços de 8000 euros, anuais, que andam a preparar, o lançamento, para o final deste ano.
Precisam do Super Heavy 6000 (a versão que devem testar, em Outubro e, se correr bem, esperam lançar 5000, em 2027 e 60000 em 2028), o mais depressa possível. 600 milhões, de dólares, por lançamento estão a descapitalizar, a SpaceX e várias empresas agregadas. A Starlink já dá lucro, só que paga 50%, de cada lançamento. Fazerem 700 lançamentos, por ano, dá 15000 milhões, de prejuízos. Daí precisarem do Ultra Heavy (que, o Elon, já esperava lançar 75000 vezes, este ano), para colocar 300 a 2000 satélites, em órbita, em cada lançamento.
Fontes, tens, do prejuízo? incialmente nos 5 a 6 primeiros anos teve. Desde então é só capitalizar : Tou farto de procurar pela tua descrição, não consigo perceber onde foste buscar isso. Podes ajudar amigo?
“O regresso de um foguetão da SpaceX resultou na primeira evidência observacional de que detritos espaciais em reentrada deixam uma assinatura química detetável causada por humanos na atmosfera superior.”
Isto é a gozar? estamos a ler um artigo politico disfarçado?
Existiu alguma vez alguma duvida que as reentradas na atmosfera deixam detritos?
Se não há dúvidas, qual é a surpresa de haver o registo de iões de lítio através de sensores a laser?
A notícia é que há mecanismos que permitem detectar e quantificar esses detritos.
Mas afinal agora já poluem ???
A humanidade paga toda estaluxuria.