Como a Blue Origin e a NASA planeiam proteger a Terra contra asteróides perigosos
A Blue Origin, empresa espacial de Jeff Bezos, está a colaborar com a NASA para impedir a colisão de asteróides que possam estar em rota de impacto com a Terra. Eis como planeiam fazê-lo!
A defesa planetária contra objetos próximos da Terra tem reunido cada vez mais atenção e, apesar de ainda não ter sido identificada qualquer ameaça iminente séria, os astrónomos têm acompanhado este tema, construindo um catálogo de asteróides grandes o suficiente para serem, eventualmente, perigosos.
No sentido da precaução, a empresa de Jeff Bezos fez uma parceria com investigadores do Jet Propulsion Laboratory (JPL) da NASA e do California Institute of Technology (Caltech), com o objetivo de estudar como integrar capacidades de defesa da Terra na sua plataforma de nave espacial já existente, a Blue Ring.
Conheça a NEO Hunter!
De nome missão Near Earth Objects (NEO) Hunter, o conceito baseia-se em múltiplas tecnologias para rastrear, desviar e afastar asteróides que se aproximem, evitando possíveis impactos com a Terra.
Esta é a aplicação mais recente da Blue Ring, o satélite modular da Blue Origin, construído para suportar até 4000 kg de carga útil distribuída por até 13 portas de ligação diferentes.

A Blue Ring foi projetada para diversas aplicações, incluindo para telecomunicações, em Marte. O satélite transportou o seu primeiro cliente, no ano passado, quando a Blue Origin se associou à Scout Space para lançar um sensor de consciência orbital como a primeira carga útil da Blue Ring.
A Blue Ring foi concebida para operar em qualquer lugar, desde órbitas baixas e geoestacionárias até ao espaço cislunar, Marte e outros destinos no espaço profundo.
Conforme citado pelo Space.com, a NEO Hunter utilizará várias técnicas para interceptar, avaliar e, se necessário, redirecionar as trajetórias de asteróides potencialmente perigosos, segundo um comunicado da Blue Origin.
Working alongside JPL/Caltech, we've developed a Near-Earth Objects (NEO) Hunter mission concept for planetary defense using Blue Ring. NEO Hunter tests multiple asteroid-deflection techniques, including ion-beam deflection and robust direct kinetic impact, helping protect Earth… pic.twitter.com/ZWsdfJAtLq
— Blue Origin (@blueorigin) March 11, 2026
Como a Blue Origin e a NASA planeiam proteger a Terra
Ao longo de duas fases da missão, a NEO Hunter lançará um conjunto de cubesats para se encontrarem e avaliarem uma possível ameaça espacial.
Conhecer ao máximo a composição, massa e densidade de um objeto ajuda a definir as estratégias que podem ser mais eficazes para alterar a sua trajetória.
Primeira fase da missão NEO Hunter
Uma dessas estratégias pode ser realizada através do potente emissor de feixe de iões da NEO Hunter. A nave será capaz de disparar um raio de partículas carregadas sobre um asteroide para alterar a sua órbita.
Motores de propulsão iónica libertam partículas carregadas para impulsionar uma nave espacial, como o usado na sonda DART da NASA.
De forma semelhante, um feixe de iões pode direcionar um fluxo concentrado de átomos carregados com força suficiente para, teoricamente, alterar a direção de um objeto no espaço.
Segunda fase da missão NEO Hunter
Se um asteróide for demasiado grande ou se mover demasiado depressa para ser influenciado de forma eficaz pelo feixe de iões da NEO Hunter, a nave poderá entrar numa segunda fase da missão chamada "Robust Kinetic Disruption".
Essa técnica foi demonstrada, pela primeira vez, pela DART, uma sonda espacial que a NASA colidiu com o asteróide Dimorphos, em 2022, com sucesso.
IMPACT SUCCESS! Watch from #DARTMIssion’s DRACO Camera, as the vending machine-sized spacecraft successfully collides with asteroid Dimorphos, which is the size of a football stadium and poses no threat to Earth. pic.twitter.com/7bXipPkjWD
— NASA (@NASA) September 26, 2022
De forma semelhante, a NEO Hunter pode traçar uma rota para uma interceptação a alta velocidade com o asteróide alvo, indo de encontro à rocha espacial a até 36.370 km/h.
Antes disso, contudo, a NEO Hunter lançará outro satélite menor, chamado "Slamcam", para documentar o impacto e confirmar o sucesso da missão.
Este é mais um exemplo de como plataformas comerciais como a Blue Ring podem conduzir missões científicas, de exploração e de defesa planetária de baixo custo e elevada prioridade.
Afirmou a Blue Origin, no comunicado.



















