Quantcast

Mapa mostra o desemprego na Europa: Portugal está melhor do que Espanha e França

15 Comentários

O panorama do desemprego europeu continua a apresentar diferenças significativas entre países. Segundo uma análise, a Finlândia passou a registar a taxa de desemprego mais elevada entre os 32 países analisados.

A comparação utiliza dados de agosto de 2026, embora os valores do Reino Unido e da Suíça correspondam a junho, por serem os mais recentes disponíveis à data da análise. O Visual Capitalist considerou informação do Eurostat, do organismo de estatística britânico (ONS) e do serviço de estatística russo (Rosstat)

Finlândia ultrapassa Espanha e lidera desemprego na Europa

Com uma taxa de desemprego de 10,3%, a Finlândia surge à frente de Espanha, que regista 10,0% e ocupava a primeira posição um ano antes. Apesar dos sinais de recuperação da economia finlandesa, nomeadamente ao nível das exportações e do investimento, a melhoria da atividade económica ainda não se traduziu numa recuperação significativa da contratação.

Em sentido contrário, a Grécia conseguiu reduzir a sua taxa de desemprego de 8,8% para 7,4% no espaço de um ano, enquanto França registou uma subida de 7,8% para 8,2%.

A Alemanha e os Países Baixos apresentam ambos uma taxa de 4,0%, abaixo da média da União Europeia (UE), que se situava nos 6,1% em agosto de 2026. Por sua vez, a Chéquia destaca-se por apresentar a taxa de desemprego mais baixa da UE, com 3,2%.

Portugal regista desemprego abaixo da média europeia

Segundo os dados, Portugal apresenta uma taxa de desemprego de 5,7%, ocupando a 16.ª posição da classificação, partilhada com a Eslováquia. O valor coloca o país abaixo da média da UE e de economias como Espanha, França e Itália, mas acima da Irlanda (5,0%), da Alemanha (4,0%) e dos Países Baixos (4,0%).

Embora o indicador permita comparar a proporção de pessoas desempregadas na população ativa, não reflete, por si só, outros aspetos relevantes dos mercados de trabalho, como os níveis salariais, a produtividade ou a qualidade do emprego.

Indústria automóvel alemã perde mais de 42 mil empregos

Apesar da taxa de desemprego relativamente baixa, a Alemanha enfrenta dificuldades na indústria automóvel, um dos setores mais importantes da sua economia.

Nos 12 meses terminados em junho de 2026, o setor perdeu 42.300 postos de trabalho, com o emprego a atingir o nível mais baixo desde 2005. A concorrência das fabricantes chinesas e as tarifas comerciais norte-americanas estão entre os fatores que pressionam a atividade das empresas alemãs.

O impacto também se faz sentir nos fornecedores de componentes e acessórios, cujo emprego recuou 7,6% em termos homólogos, uma queda superior aos 6,1% registados entre os fabricantes de veículos e motores.

A Volkswagen, maior fabricante automóvel da Europa, enfrenta um processo de reestruturação na Alemanha, marcado pela crescente concorrência das fabricantes chinesas, pela necessidade de reduzir custos e pelos planos de eliminação de milhares de postos de trabalho até 2030.

Turismo continua a apoiar recuperação do emprego em Espanha

Entretanto, Espanha mantém uma das taxas de desemprego mais elevadas entre os países analisados, mas a evolução das últimas décadas mostra uma recuperação importante. Em 2013, mais de um quarto da população ativa espanhola encontrava-se desempregada, uma proporção bastante superior aos 10,0% registados em agosto de 2026.

O turismo tem contribuído para esta melhoria, empregando 3,18 milhões de pessoas no segundo trimestre de 2026, mais 5,4% do que no período homólogo. O crescimento do alojamento, da restauração e dos transportes de passageiros ajudou a criar oportunidades de emprego.

Ainda assim, persistem diferenças regionais significativas, com as regiões do norte e do centro a beneficiarem de economias mais diversificadas, enquanto várias zonas do sul continuam mais dependentes das atividades turísticas e sazonais.

Taxas de desemprego baixas não refletem economias mais fortes

Na parte inferior da classificação encontra-se a Rússia, com uma taxa de desemprego de 2,2%, num contexto marcado pela entrada de gerações menos numerosas no mercado de trabalho, pela emigração associada à guerra e pela transferência de recursos para a produção militar, fatores que contribuem para a escassez de trabalhadores.

Os dados mostram que os mercados de trabalho europeus continuam a evoluir a ritmos diferentes, com países que conseguem reduzir o desemprego e outros onde a recuperação económica ainda não se traduz numa criação significativa de postos de trabalho.

A comparação demonstra que uma taxa de desemprego reduzida não é, isoladamente, suficiente para avaliar a situação económica de um país, sendo necessário considerar outros indicadores, como a participação no mercado de trabalho, os salários e a produtividade.

Leia também:

Comentários

15

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

  1. Avatar de lelas
    lelas

    Normal e vai continuar a subir: se não fazemos um ensino profissional ou técnico ligado às necessidades da economia local e andamos a empurrar os jovens para cursos superiores que o país não precisa ou está saturado, é normal que depois haja desemprego. Tem que haver requalificação de adultos, ninguém nasce ensinado a ser trolha, eletricista, agricultor etc. As pessoas não vão para essas áreas porque não têm experiência e os anúncios também escasseiam, pois preferem contratar indostanicos ao preço da chuva.

    1. Avatar de Gringo Bandido
      Gringo Bandido

      A vida de uma pessoa não pode ser condicionada aos caprichos do mercado, infelizmente tem sido assim, não se verguem mais e façamos ao contrário.

      1. Avatar de Zé Fonseca A.
        Zé Fonseca A.

        O mercado não é caprichoso, é tendencioso, quem achas que paga ordenados quando as empresas não têm rentabilidade?

        para o comuna é só facilidades, estão à margem daquilo que é o mundo

        1. Avatar de Gringo Bandido
          Gringo Bandido

          Zé Fonseca Caviar és um dinossauro, viva a revolução e não é o mundo é mesmo um sistema, não é nenhuma inevitabilidade.

    2. Avatar de Zé Fonseca A.
      Zé Fonseca A.

      Continuar a subir? É lógico, temos das taxas de desemprego mais baixas da história de Portugal e o número de empregos mais alto de sempre, é lógico que a tendência terá que ser a subir, num país socialista até parece mal termos tão poucos desempregados, faltam poucos meses para se instaurar nova crise, depois podes vir usar a tua retórica

    3. Avatar de JoseZe
      JoseZe

      Ainda anda muito pessoal enganado com grande parte do ensino superior que almejam tirar. Ensino, muito dele, completamente datado, leccionado por professores também eles datados. Falo por experiência própria, estou a tirar um curso para ser Soldador, pós-laboral, e ainda recebo uns subsídios para lá andar. Não chega a 200€/mês, mas já ajuda bastante para gota.

      E como dizes, e bem, o pessoal tem que se começar a mentalizar que os ditos "trabalhos sujos/duros" são, cada vez mais, o futuro no mercado. Andar a passear livros 3 anos ou mais, para depois a AI fazer o mesmo trabalho com a mesma qualidade a uma fracção do preço/tempo. É verdade que as pessoas tem tendência a fugir um bocado destas indústrias, até porque, normalmente, são indústrias onde é difícil iniciar, mas é algo que tem que começar a mudar.

      Ainda me lembro, quando era novo, de me dizerem para ir para a faculdade, caso contrário, acabaria a ser electricista ou canalizador. O engraçado é que, actualmente, um bom electricista ganha muito mais à hora do que um licenciado com um canudo todo catita. E provavelmente trabalha por conta própria.

      1. Avatar de Zé Fonseca A.
        Zé Fonseca A.

        Achas que os robots não soldam?

  2. Avatar de Yamahia
    Yamahia

    Pudera com o salário de um finlandês paga logo em Portugal dois ou três.

  3. Avatar de Max
    Max

    É a taxa de desemprego em agosto mais baixa dos últimos 11 anos:

    https://postimg.cc/D4v4k59s

  4. Avatar de Max
    Max

    Gráfico da evolução do desemprego em agosto, de 2016 a 2026, em Portugal, Espanha e Média-UE (link). Chama a atenção a taxa de desemprego de Espanha, historicamente alta, que chegou a ser cerca do dobro de Portugal e da Média-UE, mas que se tem vindo a reduzir.

    Os destaques do Google Notebook:

    1. Portugal em Relação à Média Comunitária:
    • Entre 2016 e 2017, Portugal apresentava taxas superiores à média europeia.
    • A partir de 2018, Portugal passou a registar sistematicamente taxas de desemprego inferiores ou alinhadas com a média da UE-27 (exceção feita a 2020 devido ao impacto sanitário e turístico pontual).
    • Em agosto de 2026, Portugal fixou a sua taxa em 5,7%, ficando 0,4 p.p. abaixo da média da União Europeia (6,1%).
    1. Espanha vs. Portugal e UE:
    • Espanha mantém a taxa mais elevada da comparação em todo o período, embora tenha reduzido o seu desemprego quase para metade (de 19,3% em 2016 para 10,0% em 2026).
    1. Mínimos da Década:
    • Em agosto de 2026, Portugal (5,7%) e Espanha (10,0%) atingem os valores mais baixos da série temporal de 11 anos, enquanto a Média da UE estabiliza nos 6,1%.

    https://postimg.cc/30vzX5rS

  5. Avatar de Grunho
    Grunho

    Os portugueses são miseravelmente pagos. Em igualdade de trabalho e horas levam para casa menos de metade do que leva um francês e menos de 2/3 do que leva um espanhol. Que até pagam menos pelos carros e pelo combustível. O custo de vida é igual ou superior ao de Espanha. Portanto, na primeira oportunidade dão à sola daqui. É só por isso que a taxa de desemprego é baixa. Ninguém quer trabalhar para a parasitagem capitalista cá do sítio.

    1. Avatar de Gonçalo Ribeiro
      Gonçalo Ribeiro

      A verdade e um pouco diferente…

      O Portugues ate e Bem Pago… O problema e o governo manter o custo de vida alto de mais para o qué o pais consegue produzir( recebemos menos mas Temos Tudo mais caro qué a vizinha espanha e outros.)

      E de NADA vale a pena aumentar ordenados pois so Vai aumentar I custo de vida e deminuir o poder de compra…

    2. Avatar de Zé Fonseca A.
      Zé Fonseca A.

      Os capitalistas não pagam pelo custo de vida, têm de pagar pela produtividade, senão têm de fechar as empresas, e a produtividade está medida e para o que o tuga produz até recebe bem

      1. Avatar de Grunho
        Grunho

        Como é que a produtividade é mais baixa se os capitalistas até vendem as coisas ao mesmo preço ou mais caras que em Espanha?

  6. Avatar de Max
    Max

    Gráfico do desemprego em agosto de 2016 vs. agosto 2025, em cada país da UE (link). Sem dúvida que a a taxa de desemprego é um indicador importante da saúde económica de cada país, embora se deva ser ter em conta a tendência histórica (como é o caso de Espanha, que, em junho de 2026, atinge um valor elevado (10,0%), mas que é o mínimo de 11 anos.

    Os Destaques do Google Notebook:

    1. Posição de Portugal: Com 5,7% em Agosto de 2026 (frente a 5,9% em Agosto de 2025), Portugal situa-se na 13.ª posição dos países com menor desemprego, ficando 0,4 p.p. abaixo da Média-UE (6,1%).

    2. Extremos Comunitários: A Espanha (10,0%) e a Grécia (9,2%) registam os valores mais elevados da União Europeia, enquanto a Chéquia (2,7%), Malta (3,0%) e a Polónia (3,1%) apresentam as taxas mais reduzidas.

    3. Evolução da Média Europeia: A Média-UE registou um ligeiro aumento de 6,0% em Agosto de 2025 para 6,1% em Agosto de 2026.

    Para quem fala permanentemente numa situação catastrófica na UE, não se vê catástrofe nenhuma.

    https://postimg.cc/jW3B9Vc2