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Como o 11 de setembro de 2001 mudou (para sempre) a segurança nos aeroportos

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Passaram-se 25 anos desde os ataques de 11 de Setembro de 2001, e o que começou como uma resposta de emergência transformou-se na maior reformulação da segurança na aviação da história dos Estados Unidos da América (EUA). Hoje, viajar é mais seguro do que nunca, mas há novas ameaças no horizonte.

Segurança a recolher fotografia de uma passageira no aeroporto

Nos anos que se seguiram aos ataques às Torres Gémeas, os EUA criaram, em pouco mais de um ano, uma organização com mais de 50 mil funcionários: a Transportation Security Administration (TSA).

Até então, a segurança nos aeroportos era responsabilidade das próprias companhias aéreas e dos seus contratantes privados.

Na perspetiva de Jeff Price, especialista em segurança da aviação do Departamento de Aviação e Ciência Aeroespacial da Metropolitan State University of Denver (MSU Denver), enquanto a segurança fosse encarada como um custo, as empresas nunca investiriam mais do que o mínimo exigido por lei.

Neste contexto, a criação da TSA marcou uma mudança significativa, tirando essa responsabilidade das mãos das companhias aéreas e estabelecendo padrões nacionais de rastreio e fiscalização.

Mais tecnologia e mais rapidez

Ao longo destes 25 anos, os aeroportos foram sendo equipados com tecnologia cada vez mais sofisticada, como novos sistemas de raios-X, scanners de tomografia computorizada, detetores de metais mais precisos e sistemas avançados de imagem corporal.

Mais recentemente, entrou em cena o reconhecimento facial, que está a acelerar a verificação de identidade dos passageiros, e scanners capazes de analisar o conteúdo das malas sem que seja preciso abri-las.

A bagagem despachada passou também a ser sujeita a um rastreio muito mais exigente, assim como a carga transportada em aviões e as verificações de antecedentes dos trabalhadores do setor.

Uma das decisões mais determinantes, segundo Price, foi a proibição de facas nas cabines dos aviões. Antes de 2001, era permitido levar facas pequenas a bordo.

Aliás, foi essa permissão que os sequestradores exploraram, usando facas e lâminas de barbear para cometer os ataques, de acordo com o Relatório da Comissão do 11 de Setembro.

Segurança versus conveniência

Nos anos imediatamente a seguir aos ataques, os passageiros aceitavam de bom grado medidas mais intrusivas, porque tinham visto em direto o que podia acontecer.

Hoje, os viajantes querem processos mais rápidos e menos desgastantes, obrigando a TSA a equilibrar dois objetivos que nem sempre são fáceis de conciliar: segurança e comodidade.

Ainda assim, o especialista em segurança da aviação rejeita a ideia de que a segurança aeroportuária não passa de teatro para tranquilizar os passageiros. Na sua opinião, se assim fosse, já teria sido explorada ao longo destes 25 anos.

E fora dos EUA?

O impacto do 11 de Setembro não ficou confinado ao território norte-americano. Menos de duas semanas depois dos ataques, 169 países reuniram-se em Montreal, na sede da Organização da Aviação Civil Internacional (em inglês, ICAO), e condenaram por unanimidade o uso de aviões como armas, comprometendo-se a reforçar a cooperação internacional.

Desde então, o enquadramento global de segurança expandiu-se através de novos tratados, normas e auditorias aos Estados-membros, embora a própria ICAO reconheça que a implementação continua desigual entre países.

Na União Europeia, a Comissão criou um grupo consultivo para ajudar os Estados-membros a construir, já em 2003, um enquadramento europeu harmonizado de segurança da aviação.

Além disso, os passaportes tornaram-se cada vez mais biométricos, os processos de visto ganharam novas camadas de verificação de identidade, e até as fronteiras terrestres e marítimas reforçaram os seus padrões de segurança.

No Canadá, o antigo presidente e diretor-executivo da Winnipeg Airports Authority, Barry Rempel, descreveu o 11 de Setembro como o momento que mudou tudo para a indústria da aviação.

De tal forma, que deu origem a uma abordagem de segurança baseada no risco que, segundo referiu em 2021, quando exercia o cargo, a autoridade aeroportuária continua a seguir.

As novas ameaças: drones, cibersegurança e ameaças internas

Se os sequestros e as ameaças de bomba continuam a ser uma preocupação, o setor da aviação enfrenta hoje riscos que praticamente não existiam em 2001, desde drones armados, ciberataques a infraestruturas críticas e ameaças internas.

Para Price, o ciberespaço tornou-se “uma nova frente de batalha”, com ataques já registados no setor da aviação, e mais para vir.

 

Leia também:

EES: sistema da UE está a mudar o controlo de fronteiras e a criar filas nos aeroportos

Comentários

2
  1. UT
    utherzzao3

    Demolição controlada. WTC1, WTC2 e WTC7.

    R.I.P.

  2. PE
    Pedro

    Há pessoas que acreditam e aceita tudo o que lhes metem pelos olhos dentro. O óbvio ali tão perto. E denunciantes silenciados que ninguém quis ouvir.

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