Esta “bateria com rodas” transforma um camião a diesel num híbrido sem tocar no motor
Uma startup de robótica criou um reboque elétrico amovível que se encaixa num camião, reduzindo o consumo de combustível e as emissões sem exigir a compra de um veículo novo.
Os camiões elétricos prometem custos operacionais mais baixos, mas continuam a ser uma dor de cabeça para quem gere frotas, pois ainda custam entre duas a três vezes mais do que os equivalentes a diesel, têm autonomia limitada e obrigam a longas paragens para carregar.
Para uma indústria que vive de muitos quilómetros, isto tem travado a eletrificação em massa do transporte pesado.
Neste cenário, a Revoy, uma startup sediada em São Francisco que acabou de conseguir 27 milhões de dólares numa ronda de financiamento, apresentou uma solução.
Em vez de substituir a frota, a empresa propõe "hibridizar" os camiões que já existem, através de um chamado dolly elétrico amovível.
Como funciona esta "bateria com rodas" para camião
Conforme partilhado pela imprensa norte-americana, o dolly é uma unidade autónoma que se liga diretamente entre o prato de engate do camião trator e o reboque de carga.
Tem 3,96 metros de comprimento, pesa cerca de 10 toneladas e transporta uma bateria de lítio-ferro-fosfato (LFP) com 575 kWh, que alimenta um eixo motorizado próprio.
Quando o condutor acelera, o sistema deteta a exigência de carga e aciona o motor elétrico para fazer o trabalho pesado, poupando o motor a diesel.
Ao travar, o motor passa para modo de regeneração, recarregando a bateria e ajudando a desacelerar o veículo. O dolly inclui ainda sistemas de segurança ativa contra capotamentos e jackknifing (por exemplo, o veículo dobrar-se em forma de "V"), além de deteção de ângulo morto e apoio à marcha-atrás.
Poupança de combustível e redução de emissões
Os números apresentados pela Revoy são o verdadeiro argumento de venda. Com o dolly instalado, um semirreboque com um peso bruto de 36 toneladas consegue percorrer entre 320 a 400 km apenas com energia elétrica.
A empresa garante que o consumo médio, que normalmente ronda os 6 a 8 mpg (cerca de 30 a 39 l/100 km), pode subir para 20 a 35 mpg (entre 6,7 e 11,8 l/100 km), chegando aos 40 mpg em trajetos curtos, até 240 km.
Além disso, as emissões de carbono podem ainda cair até 85%.
Estes valores ganham ainda mais relevância num contexto de preços dos combustíveis inflacionados devido ao conflito com o Irão.
Um modelo por subscrição, com troca rápida de bateria
Em vez de vender o equipamento, a Revoy opera por subscrição, entregando o dolly às transportadoras como um serviço.
A empresa já obteve aprovação regulatória da National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA) em 2023 e concluiu um projeto-piloto de um ano com a Ryder System em 2024.
Para evitar longas paragens de carregamento, a Revoy está a construir uma rede de pontos de troca ao longo das autoestradas, onde um camião pode trocar um dolly descarregado por outro totalmente carregado em menos de cinco minutos, um conceito semelhante ao das estações de troca de baterias já exploradas por marcas do setor automóvel como a NIO.
A primeira operação comercial arrancará ainda este ano, no Oregon, com uma frota inicial de quatro reboques a cobrir um trajeto de 320 km perto de Portland, nos Estados Unidos.
Imagem: Ethan Noah Roy/Bloomberg






















Americanos a querer salvar o mundo ? não entendo…
é normal. Já todos sabem que o JL não entende muita coisa
Então eles querem salvar o mundo ? Não eram só os europeus ?