Poderá a energia nuclear tornar-se uma das fontes mais limpas e seguras do planeta?
Uma equipa de investigadores norte-americanos está a desenvolver um método inovador para reduzir drasticamente o tempo de vida dos resíduos nucleares. Esta descoberta poderá transformar a sustentabilidade da energia nuclear nas próximas décadas, resolvendo um dos seus maiores dilemas ambientais.
O desafio da longevidade dos resíduos nucleares
A energia nuclear, embora eficiente na produção de eletricidade com baixas emissões de carbono, enfrenta o persistente problema dos seus subprodutos. O maior obstáculo é o fator tempo, uma vez que os materiais radioativos podem demorar centenas de milhares de anos a tornarem-se inofensivos.
No entanto, o Departamento de Energia dos Estados Unidos anunciou recentemente que o Thomas Jefferson National Accelerator Facility - conhecido como Jefferson Lab - está a liderar uma iniciativa que promete acelerar este processo de forma sem precedentes.
Através do programa NEWTON (Nuclear Energy Waste Transmutation Optimized Now), os cientistas pretendem utilizar aceleradores de partículas para reduzir o tempo de decaimento radioativo das varetas de combustível nuclear gasto. O objetivo é passar de uma espera de 100.000 anos para apenas cerca de 300 anos.
Caso o projeto atinja os seus objetivos, estima-se que os engenheiros possam começar a desintoxicar resíduos nucleares num prazo de 30 anos. Esta previsão baseia-se na tecnologia de que dispomos atualmente, mas o cenário poderá ser ainda mais otimista.
Dependendo da velocidade da evolução tecnológica neste campo, é possível que surjam aceleradores de partículas capazes de reduzir a vida radioativa destes resíduos para meras décadas, alterando radicalmente o panorama da gestão energética mundial.
Transmutação: a alquimia moderna no combate à radiação
Ao contrário do que a ficção científica sugere, não é possível simplesmente "sugar" a radiação de um objeto. O programa NEWTON foca-se na conversão de isótopos altamente perigosos em variantes ligeiramente menos radioativas.
Embora o material resultante continue a exigir cuidados, a sua perigosidade torna-se muito mais controlável. É um processo que se assemelha à transmutação alquímica, onde a estrutura da matéria é alterada para fins benéficos.
O funcionamento do acelerador do Jefferson Lab baseia-se no disparo de feixes de protões de alta energia contra materiais como o mercúrio líquido. Este impacto provoca a libertação de neutrões através de um fenómeno chamado "espalação".
Estes neutrões ligam-se ao combustível nuclear gasto, diluindo a intensidade radioativa do material. Como vantagem adicional, esta reação química gera eletricidade, o que contribui para a autossuficiência do sistema. Após este tratamento, os resíduos podem ser enterrados em segurança por três séculos ou reciclados para outras utilizações benéficas.
Foco na eficiência e inovação dos componentes
O financiamento de 8,17 milhões de dólares atribuído ao Jefferson Lab divide-se em duas frentes de investigação que visam tornar os aceleradores mais eficazes. Atualmente, estes dispositivos utilizam nióbio, um material que se torna supercondutor em temperaturas extremamente baixas, exigindo sistemas de refrigeração criogénica muito caros.
- Uma parte da verba será usada para testar se a adição de uma camada de estanho ao nióbio permite que o acelerador opere em temperaturas mais altas, eliminando custos de refrigeração.
- A segunda vertente do projeto foca-se na utilização de um magnetrão para alimentar as cavidades do acelerador. Os investigadores acreditam que este componente pode fornecer a energia necessária de forma mais eficiente, desde que consigam sincronizar a sua frequência com a do acelerador.
Se estes avanços se confirmarem, o Jefferson Lab terá estabelecido as bases para que a energia nuclear se torne uma das fontes mais limpas e seguras do planeta.
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Tudo bem! Mas os árabes não inventam nada?
Existe muita coisa no papel que é lindo mas a realidade disponível é outra.
No futuro quando existirem soluções que hoje já existe muita teoria posso mudar a minha opinião sobre a energia verdinha, até lá só concordo com Energia Nuclear em Portugal se for ao lado da assembleia da república ou por baixo isto se os políticos conseguirem viver com isso então não tenho nada contra.
O típico comentário de que não sabe com unergia nuclear funciona…
O típico PhD em investigação e desenvolvimento de reatores!
Espera mas do sofá…
Não é PhD… Mas basta ler para não dizer babuzeiras.
hoje em dia podes estar em cima dum reator aberto sem problemas.
Ora nem mais é mesmo isso babuzeiras, então recomendo a ler muito bem.
Mas como podes estar em cima de um reator aberto não faz mal nenhum ser ao lado da tua casa ou ao lado da assembleia, problema resolvido.
Espera upsss afinal se for ao lado da assembleia já não é bem assim, tal e coisa, coisa e tal…
Oh amigo quando leres aproveita para ler sobre oMarketing dos SMRs e Reatores de Geração IV.
não tenho problema em ser em lado nenhum…. até porque há regulamentação para isso mesmo (onde e como)
Se for energia nuclear por fusão, podem abrir uma ao lado de minha casa.
A energia nuclear já é a forma de produção de energia mais limpa e segura.
Até é possivél reciclar os residuos nucleares. A França é a líder na tecnologia.
Reciclar resíduos nucleares como??? Essa desconhecia!
É uma mentira, que o propaga, produzem é menos mas os (produtos de fissão) continua a ser lixo nuclear altamente perigoso que precisa de armazenamento geológico profundo que fica radioactivo por milhares de anos…
Existem centrais que podem reutilizar o combustível gasto de uma central nuclear. A reutilização de combustível nuclear é possível através do reprocessamento, um processo químico que separa o urânio e o plutônio remanescentes (cerca de 96% do material) de produtos de fissão de alta atividade, permitindo o seu uso em novos combustíveis, como o MOX (óxido misto), reduzindo o volume de resíduos
isto ^
Lá por ser repetido algumas vezes não passa a ser verdade.
Sim as centrais de Geração III+, como o EPR, produzem menos lixo nuclear mas os produtos de fissão) continua a ser lixo nuclear altamente perigoso que precisa de armazenamento geológico profundo.
O Guilherme tem noção do desperdício nuclear que por exemplo os estados unidos armazenaram desde que tem centrais nucleares, ou melhor, aqui os nossos vizinhos espanhóis, vá pesquisar e depois venha aqui comentar antes de elaborar mais, mais uma panóplia de comentários visivelmente ignorantes, para hoje em dia!
Uma das fontes mais limpas, seguras e baratas … bem, como diz uma pessoa minha conhecida, baratas são carochas 🙂
ou como diz uma pessoa minha conhecida, carochas são baratas 🙂
Já é.
Até lá talvez o processo de fusão nuclear se torne mais viável e sustentável
Em regiões de guerra, é uma “bomba radioativa caseira” esperando o gatilho ser acionado pelo inimigo.
Em regiões de guerra podemos levar com bombinha em cima a qualquer altura
Li estes ultimos posts sobre energia nuclear.
Mas ninguem esta a falar de economias de escala, consumo medio do pais e mix energetico
As centrais nucleares querem produzir a 95%+ 24h/dia por questoes de eficiencia e seguranca(envenenamento).
Se nós temos energia solar durante o dia a 0€, energia nuclear nao vai resolver nada. Vai obrigar o estado a pagar preco fixo para nuclear produzir durante o dia. Nao ha nuclear a funcionar a noite e desligado durante o dia(irrialista).
Em termos de escala os valores que vi num post anterior(70 a 90€mwh) sao para energia nuclear tradicionais em modelos de escala, NAO SMRS. Pelo que tenho visto novas centrais nucleares tradicionais so teem estes valores na China. Nem a russia consegue os 70€mwh para novas centrais. (nao vou “jurar” nestes valores mas sao os que tenho visto nas pesquisas)
Portanto Portugal tem um mix energetico mau(alta volatibilidade) para combinar bem com nuclear, e consumo baixo. Pode fazer sentido quando as baterias estabilizarem os preco durante o dia, e o consumo for alto suficiente para funcionar em economia de escala(2060/2080?). Ja agora como bonus, as baterias tambem ajudam a estabilizar a producao nuclear, olá França :D.
Dito tudo isto. Ninguem falou nas potencialidades dos SMR como “fornos” para a industria(SMR sao mais caros a produzir energia eletrica mas funcionam a mais altas temperaturas). Para determinadas industrias que requerem temperaturas entre +- 300 e 700 graus pode ser possivel usar os SMR para criar centros industriais locais(reduzindo o problema da inefiencia de produzir calor para eletrecidade para calor novamente).
Esta abordagem pode criar menos dependencia do gas em algumas industrias, e abrir o caminho quando o consumo for suficiente para Portugal investir em nuclear.
Eu nao vou falar de “decommissioning”, se a economia à entrada nao funciona, nao vale a pena falar do fim.
Respondendo à pole anterior, faz sentido uma central nuclear em portugal? Depende da industria nao da eletricidade no caso de Portugal. Os paises que ja teem nuclear faz sentido continuar, de uma forma ou outra.
Eu nao tenho conhecimento tecnico nesta area, só quero abrir a discussao para além da retorica tradicional.
Ora lê aqui: https://pplware.sapo.pt/motores/poderia-portugal-ter-uma-pequena-central-nuclear-poder-podia-mas/
É tão limpa que quando explode limpa tudo hehe
Lisboa é uma das zonas onde aconteceu um dos maiores sismos da história conhecida.
Não é bom local para meter uma central. Nem o resto de Portugal.
Quando aconteceu Fukushima os Japoneses bem se arrepederam.
Uma central normal, não as mini que muitos falam mas ainda são vaporware, demoram uns 10 anos a construir e custam talvez perto de um novo aeroporto de Lisboa.
O Reino Unido anda há 30 anos para completar apenas uma central nuclear.
Depois em Portugal não há pessoal técnico para fazer uma.
Tudo o que vem de fora vai custar muito mais.
Os Franceses que têm umas 70 centrais, tentaram exportar as suas centrais sem sucesso. Começaram a ter problemas e actualmente já não têm pessoal qualificado para fazer algo realmente acontecer. Não basta só teoria…
A história atómica do Reino Unido – construiu (desde a década de 1950) 19 centrais nucleares, mas agora só estão ativas 5, parte delas em fim de vida.
Os 30 anos é porque durante 30 anos não construiu nenhuma. Tem uma em construção desde 2017, mas que tem tido grandes problemas, desde os custos que dispararam até ao atraso no arranque – esperava-se que o primeiro reator começasse a produzir em 2023, mas agora espera-se que seja em 2030 ou 2031.
Claro que se fosse em Portugal não havia derrapagem nos prazos nem nos custos, ficava baratíssimo.
Atualmente portugal poderia ter uma central na zona do Minho encostada a Espanha. bem gerida dar-nos-ia uma autonomia grande, reduziria riscos sísmicos e acompanhada com as centrais fotovoltaicas as barragens as eólicas e a energia do mar, poderíamos ser autónomos e ate vender energia.
A Espanha não precisava da nossa energia. Eles têm em demasia das centrais nucleares e dos parques solares.
A França não deixa que passe nada no país deles.
Eles já têm de sobra das centrais nucleares deles, para vender à Alemanha e outros.
A haver uma central, que não vai acontecer, só seria para consumo próprio.
Mesmo que alguém comprasse uma central aos Chineses, seria apenas algo para rebentar muito e muito dinheiro.
Depois uma central não é o que as pessoas pensam. Uma central abastece umas 100.000 casas.
Talvez o suficiente para abastecer a Amadora e Loures.
A typical nuclear power plant produces 1,000 megawatts (MW) of electricity. If the average home uses about 10,000 kilowatt-hours (kWh) of electricity per year, then one nuclear power plant can provide power to about 100,000 homes for a year.