Poderia Portugal ter uma pequena central nuclear? Poder, podia, mas…
Portugal tem sido apontado como um exemplo europeu na integração de energias renováveis. No entanto, essa aposta traz um desafio estrutural: a intermitência. Nem sempre há sol ou vento quando a procura elétrica existe. Dependência da energia de outros países. Mas, uma central nuclear não ajudaria muito para sermos autossuficientes?
Bom, cada vez se fala mais na autossuficiência energética da Europa, e Portugal tem um cenário igualmente desafiante, mas numa escala "controlável". Será o nuclear a solução? Será seguro? As pessoas vão deixar?
É neste contexto que surge uma questão cada vez mais debatida: poderá o país recorrer a centrais nucleares de pequena escala para garantir estabilidade e independência energética?
A resposta curta é sim. A resposta completa exige perceber tecnologia, custos e impacto no sistema elétrico nacional.
O que é uma central nuclear “pequena”?
Quando se fala hoje de nuclear moderno, não se fala apenas de grandes centrais como as dos anos 80. A evolução trouxe os chamados SMR (Small Modular Reactors).
Explicação simples
Um SMR é:
- Um reator nuclear compacto
- Construído em módulos (como “blocos” industriais)
- Transportado e montado no local
Diferença face ao nuclear tradicional
- Centrais antigas: 1.000 MW ou mais
- SMR: 60 a 300 MW
Menor dimensão significa:
- Menor investimento inicial
- Maior segurança passiva
- Implementação mais rápida
Na prática, é a “miniaturização” da energia nuclear, semelhante ao que aconteceu com centros de dados na informática.

A eletricidade produzida por uma central nuclear em Portugal poderia ter um custo de produção na ordem dos 0,08 € a 0,12 € por kWh, com base em estimativas internacionais.
Como funciona um reator nuclear (sem complicações)
A base é relativamente simples:
- O urânio sofre fissão nuclear (divide-se)
- Liberta calor
- Esse calor aquece água
- A água gera vapor
- O vapor move uma turbina
- A turbina gera eletricidade
É, essencialmente, uma central térmica… mas sem queimar combustíveis fósseis.

Ilustração das reações que ocorrem dentro de um reator nuclear de fissão.
Quanta energia poderia produzir em Portugal?
Vamos a números concretos. Um único SMR tem uma potência de 300 MW. Isto significa que a produção anual rondará os ~2,3 TWh. Na prática, este valor representa cerca de 5% do consumo elétrico nacional.
Assim, num cenário realista, se Portugal instalasse 3 SMR, estaríamos a falar em cerca de 15% da eletricidade gerada. Já numa escala maior, 4 SMR, o valor subiria para um quinto do que o país consome atualmente.
Comparação com renováveis:
- Solar: depende do sol
- Eólico: depende do vento
- Nuclear: funciona 24 horas por dia, todo o ano
Esta é a grande diferença: o nuclear fornece energia de base (base load).
Quanto custaria uma central nuclear?
Investimento inicial, andaria entre 2 a 2,5 mil milhões de euros por SMR (300 MW). Assim, um projeto com 3 unidades: estaríamos a falar em cerca de 7 mil milhões €.
Em termos de preço da produção elétrica (custo), o valor seria de ~70 a 90 €/MWh.
Comparação:
- Solar: mais barato
- Nuclear: mais estável
Tempo de implementação; 3 a 6 anos (estimado)
Ainda assim, em Portugal: licenciamento poderia prolongar o processo para 8 a 10 anos.
Os riscos reais
- Financeiros: projetos nucleares têm histórico de derrapagens orçamentais.
- Políticos: Portugal nunca teve nuclear. Seria uma mudança estrutural.
- Aceitação pública: existe resistência histórica ao nuclear.
Os riscos associados à introdução de energia nuclear em Portugal são, acima de tudo, de natureza financeira, política e social, e não podem ser ignorados numa análise séria do tema.
Do ponto de vista financeiro, os projetos nucleares têm um histórico bem documentado de derrapagens orçamentais e atrasos significativos. Mesmo em países com experiência consolidada, como a França ou o Reino Unido, várias centrais recentes ultrapassaram largamente os custos inicialmente previstos. Isto deve-se à complexidade técnica, aos elevados requisitos de segurança e às constantes revisões regulatórias. Num país como Portugal, sem experiência prévia no setor, o risco de aumento de custos seria ainda mais elevado, exigindo garantias públicas ou modelos de financiamento complexos.
No plano político, a introdução de energia nuclear representaria uma mudança estrutural profunda. Portugal construiu, ao longo de décadas, uma estratégia energética centrada nas renováveis, evitando deliberadamente o nuclear. Avançar com esta tecnologia implicaria não só alterar legislação, como criar entidades reguladoras especializadas, formar recursos humanos e estabelecer acordos internacionais para fornecimento de combustível e gestão de resíduos.

A Comissão Europeia apresentou recentemente uma estratégia para acelerar o desenvolvimento e a implantação de pequenos reatores modulares (SMR) e reatores modulares avançados (AMR) (COM/2026/117) na Europa. Os SMR e os AMR são tecnologias nucleares inovadoras com potencial para contribuir para o percurso da UE rumo à neutralidade climática, à segurança energética e à competitividade industrial.
Trata-se, portanto, de uma decisão de longo prazo que ultrapassa ciclos governativos e exigiria um consenso político alargado, algo difícil de alcançar num tema historicamente sensível.
Por fim, a aceitação pública é um dos maiores obstáculos. Existe em Portugal, à semelhança de muitos países europeus, uma resistência histórica à energia nuclear, frequentemente associada a acidentes como o de Chernobyl ou Fukushima Daiichi nuclear disaster.
Apesar dos avanços tecnológicos e dos elevados padrões de segurança atuais, a perceção de risco mantém-se elevada junto da população. Sem um esforço significativo de transparência, informação e debate público, qualquer projeto nesta área enfrentaria forte contestação social.
Em conjunto, estes três fatores mostram que o maior desafio do nuclear em Portugal não está na tecnologia, mas sim na capacidade de gerir risco económico, garantir estabilidade política e conquistar confiança pública.
Resíduos radioativos:
- Exigem armazenamento seguro por décadas
- Tecnologicamente resolvido, mas sensível
Dependência externa:
- Tecnologia importada
- Combustível nuclear fornecido por outros países
E se Portugal combinasse nuclear com renováveis?
Aqui está o ponto mais interessante. A combinação entre energia nuclear e fontes renováveis é, possivelmente, o cenário mais interessante para o futuro energético de Portugal. O país já dispõe de uma base sólida assente em produção eólica, que tem um peso significativo no sistema elétrico, numa capacidade solar em rápido crescimento e num conjunto relevante de barragens hidroelétricas, que ajudam a regular a rede.
No entanto, este modelo enfrenta uma limitação estrutural. Em períodos em que não há vento nem sol, a produção renovável cai de forma acentuada. Nessas situações, Portugal é frequentemente obrigado a importar eletricidade ou a recorrer a centrais a gás natural, o que aumenta custos e dependência externa, além de contrariar objetivos ambientais.
É precisamente neste ponto que o nuclear pode assumir um papel estratégico. Ao contrário das renováveis, uma central nuclear garante produção constante, independentemente das condições meteorológicas. Essa estabilidade permite assegurar a chamada “energia de base”, essencial para o funcionamento contínuo da rede elétrica. Ao mesmo tempo, contribui para reduzir a necessidade de recorrer ao gás natural, funcionando como um complemento às renováveis e não como um substituto.
Assim, a integração de nuclear com eólica, solar e hídrica poderia criar um sistema energético mais equilibrado, resiliente e menos dependente de fatores externos, aproximando Portugal de um cenário de verdadeira autonomia elétrica.

A energia nuclear continua a ter um peso relevante na Europa. Atualmente, existem cerca de 100 reatores nucleares ativos na União Europeia, distribuídos por pouco mais de uma dezena de países. Se alargarmos a análise a todo o continente, incluindo países como a Rússia, o Reino Unido ou a Ucrânia, o número sobe para aproximadamente 160 reatores em funcionamento. Apesar da dimensão destes valores, a produção nuclear está concentrada em poucos países, sendo a França o caso mais emblemático, onde esta fonte continua a ser central para garantir eletricidade estável e em grande escala.
Cenário de independência energética
Um modelo plausível:
- Renováveis: 70% a 80%
- Nuclear (SMR): 15% a 20%
- Restante: armazenamento + backup mínimo
Resultado:
- Redução quase total de importações
- Preços mais estáveis
- Menor exposição a crises energéticas
Exemplos práticos
No inverno, há menos sol, mais consumo. Aqui a o nuclear garante estabilidade. Já no verão, há um excesso solar.
Esse excesso poderá ser usado para produzir hidrogénio e armazenar energia. Quando houvesse picos de consumo, o nuclear manteria a base e as renováveis complementariam.
Em resumo
Uma pequena central nuclear em Portugal não é ficção. É uma opção tecnologicamente madura, especialmente com os SMR.
O impacto seria significativo:
- Mais estabilidade no sistema elétrico
- Menor dependência externa
- Complemento ideal às renováveis
Mas a decisão não é técnica. É estratégica.
Sem dúvida que estamos a falar de um nível político e social muito acima do que a sociedade portuguesa alguma vez decidiu e participou.
Esta transformação para um futuro melhor exigia claramente um total consenso político, uma aceitação social e uma visão a longo prazo
Sem isso, o nuclear continuará a ser apenas um cenário teórico, ainda que cada vez mais relevante num mundo onde a energia se tornou um dos pilares da soberania nacional.
Nota editorial
Importa sublinhar que os valores e cenários apresentados ao longo deste artigo têm um caráter meramente indicativo. Tratam-se de estimativas baseadas em dados públicos e em projeções típicas do setor, podendo variar de forma significativa consoante fatores técnicos, económicos, regulatórios e geográficos específicos de Portugal.
A eventual implementação de centrais nucleares, mesmo de pequena escala, exige uma análise muito mais aprofundada, que envolva estudos de viabilidade detalhados, avaliação de impacto ambiental, enquadramento legal, aceitação social e modelos de financiamento sustentáveis.
Assim, este conteúdo deve ser entendido como um exercício informativo e exploratório, cujo objetivo é lançar o debate e ajudar a compreender a ordem de grandeza, os desafios e as oportunidades associadas ao tema, e não como uma proposta concreta ou um plano de execução.




















A Central Nuclear de Ferrel ainda pode ser construída.
Nuclear em Portugal?..
Seriam 30 anos SÓ para escolher o local, depois mais 30 para construir, para depois se descobrir que foi feita em ‘Área protegida’ e a obra embargada e no fim descobria-se que alguém meteu €€ ao bolso.. No fim não teríamos nem central nem dinheiro.. um clássico da Tuga
Lembrem-se, por exemplo, que os planos para um novo aeroporto de Lisboa existem desde os tempo do ESTADO NOVO!… E o projeto da central Nuclear do Ferrel…
O problema com o nuclear não é com a tecnologia em si.. mas sim com o facto de que teria gestão Portuguesa.
Não, não teria gestão portuguesa. Seria dado, certamente, a uma qualquer empresa francesa ou alemã, ficando a seu cargo a gestão. No entanto o custo de construção, esse sim, seria inteiramente nosso.
O artigo, já agora muito bem escrito e explicado, tem uma visão utópica, pois se um “simples” aeroporto é o que é, uma central destas teria um debate com pelo menos 100 anos. É pena pois se de facto a política estivesse cá para gerar riqueza para o país, podíamos realmente começar a pensar em independência energética.
O que você propoẽm é uma desgraça!!
Se Portugal contruir, e gastar o dinheiro dos contribuintes em uma central nuclear, não pode ser para ficar dependente da Alemanha, ou da França!!
Quem põem o dinheiro, e o território, decide quem controla o quê!
Se o objectivo é independência, energética, pelo menos para serviços minimos, então teremos que ser nós a faze-lo.
Importa mencionar, que uma central nuclear, requer desse País um compromisso sério, ha metas rigidas, na quantidade de Fisicos em Energia nuclear que se devem formar, por ano.
Para garantir a continuidade.
Ultrapassada esta questão, a unica dúvida que fica, será porque é que ainda não foi feito.
Porque olhando para o tema, claro que devemos ter uma fonte de energia extra.
A Barragem ajuda muito, mas se houver seca, estamos tramados, no entanto as barragens permitem ter uma agricultura mais vibrante.
Mas se a energia for barata, com motores bomba, talvez seja possivel fazer algo parecido.
Era muito importante ver, e estudar, como os espanhois teem uma agricultura de topo, com sistema gota-a-gota.
Depois sobre Chernobil, e Fukudhima, são casos completamente distintos.
Chernobyl, foi um caso de corrupção extrema, que colocou os fisicos, sobre tremenda pressão, e os levou a testar, se era possivel a central funcionar, sem os motores de backup.
Porque não havia os motorees??haaa… para isso teem de perceber como funciona a Ucrânia, O dinheiro foi alocado, mas “desapareceu” num “buraco” chamado Kiev.
E os fisicos com o menino nas mãos, e sempre a equacionar, ai e se ha um problema, e é preciso os motores para arrefececimento??
Pois deu no que deu.
Fukushima, é completamente diferente.
O Japão, não tem condições Geológicas para albergar centrais nucleares, em terra, e muito menos ao nivel do mar.
Desde terramotos, a tsunamis, aquilo é uma miséria.
E o que eles fizeram?ignoraram a segurança de todos no mundo e controem na mesma.
Correu mal??
Não ha problema, a gente despeja no Mar, os residuos radioactivos, os outros que se lixem.
2 exemplos de Países, que não estão qualificados, do ponto de vista de valores, para albergar centrais nucleares.
Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
E depois temos que ver que Portugal, já leva com o perigo das centrais Espanholas, prepositadamente encostadas ao nosso territótio.
Ora a única forma, de garantir equilibrio, será contruir a nossa central encostada ao territótio deles.
Dessa forma:
A = B se B = A.
As centrais nucleares modernas, são extremamente seguras, o problema que a Europa enfrenta, é o de que passou demasiados anos a destruir o nuclear, e agora não ha competências.
Para teres ideia, a Rosatom, está a ajudar a França, a contruir uma central nova, sabes Porquê? Perderam-se competências,
A própria burrsula, admitiu isso mesmo.
E as novas centrais que os Russos estão a criar já são de ciclo fechado.
No qual a central, consome os residous outra vez, até que chaga ao ponto de a radioactividade é mais baixa do que quando estavam na natureza.
Já ha desenvolvimentos, para aproveitar tudo ou praticamente tudo, elevando em cerca de 10x, as estimativas do combustivel suficiente.
Estava nos 100 anos antes, e passará para 1000 anos, mas carece de verificação comprovada, ao longo dos anos, que ainda não existe, porque é tecnologia de ponta que ainda não está presente no mercado, de forma industrial.
O pessoal nunca iria nisso, principalmente com a “tola” feita por fanaticos ecologistas, Climaximos e companhia, sem contar com partidos políticos que ao mínimo sinal de deteção de contestação, enfiam os megafones nas bocarras e vêm para a Rua cavalgar a onda de descontentamento …
Portugal não é diferente dos outros países da EU.
Se queremos ser independentes energeticamente a única solução é o Nuclear.
Quanto ao risco, esse existirá sempre, mas já hoje esse risco existe para PT, com a central de Almaraz apenas a 1 centena de km da nossa fronteira, e não temos proveito nenhum…
Se querem VE com fartura tem de investir no Nuclear, não existe outra forma de ter energia estável livre de combustíveis fosseis.
Tendo em conta que para produzires esse mesmos 2,3TWh de electricidade em solar gastarias à volta de 1.6 mil milhões de euros, podendo investir o resto em capacidade de armazenamento para estabilizar a carga de rede, pergunto-me qual seria mesmo a utilidade desta tecnologia…
Palavras de burro que não sabe que a Zona de Exclusão é também um destino turístico. Leva-se um dosimetro para evitar zonas quentes e feito. Há quem acampe lá, e como disse, muitas pessoas nem de lá saíram. Os PANeleiros e BEstas da vida é que têm razão. Portugal tem dos custos ao consumidor mais altos da Europa, especialmente considerando o poder de compra.
Daqui a 30 anos estaríamos a substituir a fissão por fusão sem saber o que fazer a toneladas de lixo nuclear.
Não é toneladas
Também gostava de ter nuclear aqui para equilibrar os preços de um bem essencial, o problema disso é que apartir do momento que exista uma, é um alvo abater em caso de conflito.
Poderia ter e era para ontem.
Portugal está intrinssecamente ligado à rede espanhola e o relatório disponibilizado na semana passada sobre do apagão do ano passado veio revelar o risco que temos de ter um novo apagão sem termos forma de o evitar.
Isto porque apesar desta ligação de rede, os espanhois não nos dão cavaco sobre nada do que fazem, não tendo nós informação nenhuma que nos permita tomar medidas para o evitar do nosso lado. E soube-se agora que durante a tempestade Kristin foi por um triz que não tivemos outro. Mais uma vez devido a problemas na rede espanhola.
Portugal só tem um problema, tem mais mas pronto, a população com o QI mais baixo da europa, logo, é impossível termos algo que possa desenvolver ou valorizar o nosso país, tanto a curto como a longo prazo, enfim…
desculpa não percebi nada
Não ter nuclear é ter QI baixo?
Então os alemães ao encerrarem todas as suas centrais ficaram menos inteligentes?
Tá certo…
Isso da Alemanha tem uma explicação, Infelizmente, pela primeira vez na historia da humanidade, as ultimas duas gerações são menos inteligentes que os pais, logo…
Mas já estão a planear a sua construção…
Nuclear e perigoso não quero radiacao no meu terreno. Vao poluir os outros paises e deixem o meu Portugal
E pagar 350%, do preço base, na energia eléctrica, a esses países, compensa?
O apagão deu-se, porque Espanha cortou 96%, do preço, da electricidade, porque tinha capacidade e a energia solar, estava, a mais, na rede. Despejaram tudo, para Portugal (e França), por valores muito baixos.
Ainda há 3 meses atrás, estivemos a pagar 5650%, desse valor, para importar electricidade… produzida nos reactores nucleares espanhóis e franceses. Pagamos isso tudo, mais os lucros, das distribuidoras.
O volume de resíduos é uma ninharia por unidade de energia produzida. E são recicláveis, podendo ser usados para produzir mais energia em outro tipo de reator, que também produz combustível para os “velhinhos” PWR. Tudo visto, fica ainda menos resíduos por unidade de energia, e a maioria dos mesmos pode ser aproveitado para a indústria e outros usos, tal como “radiografias gamma”, usadas para verificar integridade estrutural de betão, aterros, etc, irradiação de produtos alimentares e instrumentos cirúrgicos para conservação e esterilização, e até tratamento de cancro via radioterapia.
O hidrogênio é mais problemas que soluções. E energia nuclear também dá para produzir hidrogênio ou até hidrocarbonetos sintéticos com facilidade. Sendo a fonte de energia mais poderosa que existe, vir “para baixo” é bem mais fácil que “para cima” na escala.
Não compensa. Por muito que se gastasse em baterias para suprir a intermitência do solar e do eólico faltava muito gravete para comprar a nuclear, fora a manutenção daquilo e o risco de acidente, que nas mãos de portugueses era certinho ao fim de meses. E não se esqueçam que aquilo se paga 2 vezes: uma para construir, outra a dobrar para desmantelar. Agora, que dava aí um mar de pasta para alguns políticos, autarcas e capitalistas se governarem, isso dava, sem sombra de dúvida.
Também fica, muito mais barata, a curto, médio e super mais barata, a longo prazo. Só aí consegue poupar para pagar 50000 reactores nucleares. Foi assim que, os EUA, montaram os novos reactores deles. Usam lucro, das que já estão operacionais.
E, na Europa, são 65 reactores (sem contar com a Rússia), um teve um incidente grave. Há outros problemas, exigem manutenção que, pode demorar meses, só que compensam, muito largamente, a produção.
Em 70 anos, desde que existem, aconteceram 4 incidentes, catastróficos, ou perto disso. Tivemos muito piores, com as termoeléctricas…
Tiraste-me as palavras da boca.
O local da central nuclear (SMR ou outra) fica marcado por décadas. Os terrenos usados pelas centrais eólicos ou solar são sempre recuperáveis. Não tem comparação.
Um comentário com 0 de conhecimento…
Portugal não é só um País que está 50 anos atrasado na vasta maioria das coisas, mas também um País cheio de gente atrasada mental.
Basta ver o estado em que Portugal se encontra e em quem votaram nas últimas eleições para governar
O que seria do povo se fossemos muito mais inteligentes e ao invés de partidos da direita, tivéssemos votado nesses paladinos da esquerda nacional como o José Sócrates, o António Costa e a geringonça com os comunistas e bloquistas!!!!
Aí sim fomos inteligentes ao ponto de proibirmos explorar petróleo do nosso território e agora lítio!!!!!
Cada idiota!!!!!!
Continua a votar em quem votas, se quiseres que isto se torne um qualquer país latino-americano. É só dar uma olhadela no que se passa lá fora!
Com esse dinheiro do nuclear ajudem a construir casas baratas para nos brasileiros e restantes emigrantes. E preciso mais justica social
Acima: 1) Portugal, em 2015, importou 9.291 GWh de eletricidade (Fonte: REN Data Hub)
O Ruben está a gozar com as políticas desastrosas da nossa esquerda pateta!!!!
Até destruíram o SEF para não barrarem nenhum cadastrado a entrar no país!!!!
Eu sou a favor do Nuclear se instalarem ao lado da Assembleia da República ou até por baixo da assembleia, se os senhores deput@dos concordarem com a energia verdinha, não me oponho a localização.
Sairá muito mais barato, e será imensamente mais rápido, meter baterias para acumular a energia produzida em excesso seja no fotovoltaico, eólica, hídrico, que meter nuclear.
Claro que a tecnologia das baterias terá de ser diferente para não ser propícia a começar a arder por si mesma, e se tal acontecer para os vapores/ fumos não serem altamente tóxicos/ mortais como actualmente são nos veículos.
Continuo a achar que o nuclear é a energia do presente que vai predominar no futuro, talvez até reduzido a uma pequena caixa que alimenta o edifício todo durante décadas, mas só algures depois da invasão da Europa, 3.ª guerra mundial, e do gigantesco abanão que o planeta Terra vai levar com a passagem de um gigantesco Planeta-Cometa que segundo profecias irá aparecer um dia sem ser detectado ou esperado a não ser quando já estiver muito próximo, apesar de toda a tecnologia existente e que será algures durante a 3ª guerra mundial, por tanto algures nas próximas décadas.
A tecnologia nuclear deverá evoluir para ser completamente segura de se utilizar localmente, junto de cada casa, onde quer que ela esteja, mas implicará uma mudança profunda a nível espiritual e intelectual para que tal possa ser feito em segurança, e não vire mais uma bomba para prejudicar os demais, como agora seria utilizado se estivesse disponível em larga escala em miniatura como espero que seja o caso algures no futuro. Por tanto acabar também com aqueles cabos horríveis espalhados por todo o lado.
Parece-me que estás falar de eletricidade em pó, extraída dos cogumelos.
Depois de veres o Arnageddon nunca mais foste o mesmo.
Como aqui algins já disseram, aqui em Pprtugal prpjetos sejam eles quais forem não andam, enrolam e enrolam, depois é os desvios de dinheiro.
Pode ssr que entretanto um dia venha de vez a fusão nuclear ou outros tipos de energia que venhamos a descobrir mais eficientes e ecológicas.
Fusão é a que já existe há décadas…
Centrais nucleares em Portugal estaríamos a um terramoto dos grandes de completa aniquilação, não brinquem com o futuro das pessoas…
Sim tugas e nuclear deve ser perigoso!
Já não basta bater nos imigrantes que agora os tugas já se autoflagelam com racismo?! cuidado.
Onagawa mostra que não. Após o terramoto de 2011, as populações refugiaram-se em edifícios de apoio da central.
Não coloquem geradores na cave e Tasse bem
Discussões como não consumissem entre 5% a 15% de energia nuclear.
Existem centrais em Espanha , é o mesmo que tê-las:
Central de Almaraz (Rio Tejo)
Central de Trillo (Rio Tejo)
Não têm no território, mas correm os mesmos riscos.
Excelente artigo!
Temos, por uma lado:
1) Portugal, em 2015, importou 9.291 KWh de eletricidade
2) As importações, via MIBEL, tiveram um custo médio de 66,21 €/MWh
Por outro, segundo o post e o estudo que lhe serviu de base:
3) Um SMR de 300 MW produz 2.400 GW/ano. Se se quisesse cobrir parte das importações seriam 3, ou seja 7.200 GWh (e continuando a importar 2.100 GWH)
8) O custo da “produção elétrica seria de ~70 a 90 €/MWh” – que é o custo total de construir (“o investimento inicial, andaria entre 2 a 2,5 mil milhões de euros por SMR, para 3 seria entre 6 e 7,5 mil milhões) e operar a a dividir por toda a energia que ela produzirá durante a sua vida útil. Aqui os erros de estimativa podem ser grandes.
Conclusão – comparando o custo da eletricidade atómica dos SMR (70 a 90 €/MWh) com a importada (66,2 €/MWh), fica mais barato importar. No futuro as coisas mudam de figura e valia a pena investir os 6 a 7 mil milhões de euros em 3 SMR? Um dos problemas para se poder responder é que são contas bastante falíveis.
Acima: 1) Portugal, em 2025, importou 9.291 GWh de eletricidade
Verdadeiramente importou muito mais, somando os 7.644 GWh gerados em centrais a gás (GNL), que também foi importado.
Mas a questão das centrais a gás tem que que se pensar também pela sua importância na segurança do sistema elétrico. Basta lembrar que uma das duas centrais que serviu de “black start” no recente apagão foi a central a gás da Tapada do Outeiro.
Sim, são contas tão falíveis como a energia tal como a temos agora o é (vai agora fazer um ano do apagão e não estamos imunes a outro acontecimento igual). Porquê? Porque não temos capacidade de gerar eletricidade em quantidade suficiente para as necessidade do país.
Num cenário hipotético de virmos a ter centrais nucleares, conjugadas com energia renovável, Portugal seria praticamente autosuficiente. Mesmo que produzir energia através do nuclear fosse um pouco mais caro, ficaríamos isentos da volatilidade dos preços. Ou seja, energia e preço mais estáveis.
O que vale é que para dar palpites somos todos encartados 🙂
Energia a preços mais estáveis e mais altos, interessa para quê?
Por cá, será impossível. O governo não irá arriscar, perder votos, mesmo que seja a melhor opção.
Usando, os desastres (foram 4, só se fala de 2… os mais recentes) como base. Só que, em mais de 320 reactores, em todo o mundo, só 4 tiveram problemas, gravíssimos. Há outros problemas, que assustaram, mas só aqueles 4 foram problemáticos (os 2 mais antigos, foram nos EUA e 99,999% nunca leram nada, sobre eles). Por isso, a probabilidade, é pequena, bem mais pequena, que explosões, em centrais hídricas, termoeléctricas, biomassa ou solares (incêndios).
Há a situação, do lixo nuclear, nos SMR, são meio kilograma, anual. E já há soluções, para semi-reciclagem, para reutilização. O restante, terá de ser enterrado. Ora até temos, 42 minas, com mais de 500 metros, de profundidade, que permitiam, o armazenamento, seguro, desse lixo, por custos baixos.
Morre mais gente em acidentes a instalar painéis solares e eólicas que em acidentes nucleares.
Fukushima foi um peidinho, tal como Three Mile Island, não morreu ninguém da libertação de radiação e a maioria da zona é habitável. Há zonas do mundo com radioactividade superior, sem problemas, completamente natural. Mesmo em Chernobyl, há pessoas que nunca saíram da zona, e hoje é uma reserva natural.
Bom sítio para ires passar uma temporada 😉
O zé lenços da voz de bagaço vai abrir lá um resort para os amigos.
França recicla bem
O artigo está giro. 3 a 6 anos para construir….o problema é que não há nenhum, nenhum, repito nenhum reator destes instalado. Independentemente das virtudes do nuclear e dos smr, não existir nenhum fornecedor, nenhuma experiência anterior, atira um projecto destes para 2050. E como não se sabe nada não fazemos ideia dos custos
Os custo deverão estar intimamente ligados à quantidade de malta a desviar fundos.
Artigo interessante e bem apresentado ! 🙂
Se a fizerem adjacente ao parlamento tem o meu total apoio (afinal não queremos que falte energia aos nossos políticos) eheheh XD
Se fecharmos a de carvão não vão fazer nenhum nuclear.
Qual de carvão?
As duas últimas centrais a carvão foram:
– Central Termoelétrica de Sines: encerrada em 2021, era a maior central a carvão do país.
– Central do Pego: fechou também em 2021, antecipando o fim do carvão em Portugal.
O carvão, todo importado, deixou de ser barato. Teve uma grande subida em 2022.
– Países que o produzem, como a Polónia e a Alemanha, vão manter as centrais a carvão.
– Países que são grandes importadores, como o Japão e a Coreia do Sul, continuam a importar grandes quantidades de carvão para não depender tanto do gás.
– Portugal fechou as centrais a carvão em 2021. Tem 4 centrais a gás de ciclo combinado, ou seja turbina a gás e turbina a vapor (gerado pelo gás superaquecido da turbina a gás). Em 2025, forneceram 17% da energia elétrica produzida no país (excluindo a produzida por bombagem).
Portugal já deveria ter há muito, mas a baixa literacia inclusivamente do jornalismo dá nisto – um país dependente.
Já há reactores a utilizarem os resíduos existentes e a energia solar em Portugal não é mais barata que a nuclear, muito por culpa dos contratos feitos. E não se pode comparar porque é intermitente.
Continuaremos alegremente sem energia nuclear e com centrais aqui ao lado da fronteira.
Enfim…
Não é? Quais são os preços de uma e de outra?
Os micro-reactores são sem dúvida uma solução que devíamos adoptar. Mas por cá a ignorância e o medo vencem sempre. Preferimos importar a energia produzida nas centrais nucleares espanholas e francesas!!!!!
Portugal não importa eletricidade de França, mas sim de Espanha. Como a energia elétrica importada não vem separada por fontes, a única correspondência é com o mix de fontes de de eletricidade de Espanha, em média anual: Eólica 24%, Nuclear 21%, Solar 20%, Gás Natural (ciclo combinado) 15% a 20%, e Hídrica e outras 20%.
Mas quem te disse que se Portugal construísse centrais nucleares e as operasse a eletricidade nelas gerada era mais barata que a importada?
Num comentário acima, com contas, o que mostro é o contrário. Há a ignorância, o medo … e a presunção – dos que pensam que sabem, mas não sabem.
Os alemães que fecharam todas as centrais nucleares que tinham e agora estão arrependidos, sabem menos que tu!
Qual é o custo da Barragem do Carrapatelo rebentar? E do Castelo do Bode? E da Aguieira?
Qual é o custo da EDP turbinar toda a água de uma albufeira e deixar a população com falta de água em 3 concelhos (vivi eu esse episódio, que inclusive impediu de usar a albufeira para o combate a incêndios, pelos hidroaviões).
A Alemanha fiou-se no gás barato russo. Depois de Fukushima (2011) Ângela Merkl acelerou o plano de desativação das centrais nucleares. As últimas foram desligadas em abril de 2023, em plena crise energética causada pela invasão russa da Ucrânia. Agora soma-se a atual.
Mas escreves -“a Alemanha” como se fossem todos os alemães que agora estão arrependidos. Há polémica, como não podia deixar de ser.
Mas contra as renováveis já havia um crítico residente – que combate os “moinhos de vento” e os “espelhos”. faltavas tu contra as barragens hidroelétricas.
Lembro que aqui ao lado, o colapso da barragem de Vega de Tera em 1959 matou 150 pessoas. Mais que Chernobyl pelo menos diretamente. Aquilo é uma aldeia. As barragens do Tejo e afluentes, ou as do Douro, ou até o complexo do Cávado e Rabagão (imaginem a do Alto Rabagão, a segunda maior do País vir baixo cheia) apanhariam zonas altamente povoadas, nomeadamente Porto, Lisboa, Braga….
Na China também rebentou uma que matou 250 mil pessoas. No terramoto de Tohoku também foi uma abaixo que matou 50, enquanto Fukushima? Zero.
Andamos aqui a chorar com os potenciais riscos da energia nuclear, quando é a fonte de energia mais segura que existe e os potenciais riscos são cada vez mais minimizados.
Podem fazer uma á porta do JL. Ele assim já nem precisava de ter painéis.
Nem os cidadãos nem a classe política têm a maturidade suficiente para decidir
Poder pode, mas há necessidade?
Concordo com a instalação das centrais nucleares junto das zonas de maior consumo de energia, como Lisboa, Porto e Setúbal. Cidades e vilas do interior já tem as barragens e as aeolicas que com certeza já as torna autosuficientes.
Não serão autosuficientes, senão no apagão do ano passado não tinham ficado sem eletricidade.
As redes estão interligadas. Num apagão apaga tudo, incluindo as abastecidas por centrais nucleares.
E por falar em apagão, as centrais nucleares em Espanha não serviram de “black start”, foi precisamente o contrário.
Nunca se fala, ou muito pouco, dos resíduos e o que fazer com eles.
Há o projecto que combina com as ” limpas” (não existe energia “renovável”) com a utilização de hidrogénio. Se se pode armazenar em segurança e utilizar hidrogénio, porque não se segue mais este caminho?
Porque, ao que parece, para produzir hidrogénio é necessário gastar energia…que não é tão barata como isso…e é importada do país aqui ao lado.
Tugalhada+ central nuclear= fim do mundo.
Podem fechar.
Quem tem medo do nuclear tem um profundo atraso, desculpem mas é assim. Estou farto de fingir o contrário
O que vale é que por cada atrasado há um adiantado. Se se perguntar a qualquer um, é certo e sabido que se considera adiantado e os outros atrasados.
Profundo atraso tem quem só comenta isso mesmo. Há aqui um debate mais interessante. Uma opinião educada, academica e diplomática faz a diferença. Numa sociciedade muito educada pelo Youtube, nota-se logo quem está num tema importante como num Quizz inconsequente.
Já devíamos ter há muitos anos…
Porquê? Tem havido falta de eletricidade? Ficava mais barata?
e geotermica? nao!
geotérmica em Portugal Continental? Onde tem vulcões? Isto não é a Islândia
Parabéns pelo artigo, fiquei a saber muito do que nem pensava estar envolvido numa central nuclear.
Eu quero ver com o boom dos veículos elétricos e dos Data Centers, onde é que vão buscar a energia para aguentar tanta demanda. E mais, as companhias que alocam serviços a esses Data Centers não se podem dar ao luxo de sofrer com apagões e perder milhões por dia.