Nissan Micra elétrico: a pequena revolução urbana da Nissan
Durante décadas, o Nissan Micra foi sinónimo de mobilidade urbana simples, prática e sem complicações. Um daqueles carros que se tornaram parte do quotidiano das cidades europeias, fáceis de conduzir, fáceis de estacionar e, sobretudo, fáceis de viver no dia a dia. Agora, o pequeno utilitário da Nissan prepara-se para escrever um novo capítulo, totalmente elétrico.
Quarenta anos. Cinco gerações. Mais de sete milhões de unidades vendidas por esse mundo fora. E agora, finalmente, dirão alguns, a Nissan decidiu que chegou a hora de dar ao seu utilitário mais carismático uma vida completamente nova. Sem motor a combustão. Sem compromissos.
O Nissan Micra de sexta geração regressa ao segmento B como um veículo 100% elétrico e totalmente conectado. Mas espere, não pense que isto é apenas mais um citadino com ficha. Há mais história aqui do que parece.
De ícone térmico a símbolo da eletrificação
Quem cresceu a ver um Micra estacionado à porta de casa sabe exatamente do que falamos. Era o carro da avó. Era o primeiro carro. Era aquele que cabia em qualquer buraco de estacionamento e que nunca dava problemas. Elegante sem esforço, discreto sem ser apagado.
Nascido em 1982, foi a resposta da marca japonesa à crescente procura por automóveis urbanos compactos e económicos. Estava-se na ressaca do choque petrolífero dos anos 1970 e cada vez mais se procuravam automóveis sem consumos exagerados.
Na altura, a imprensa não foi particularmente entusiasta. Afinal, era mais pequeno e apertado do que a principal concorrência, o design era um pouco estranho para os hábitos de então. Não era um carro revolucionário, dizia-se.
A verdade é que a primeira geração, conhecida internamente como K10, era um carro simples e funcional, com linhas quadradas e motores de pequena cilindrada. Mas conquistou de forma consistente os mercados europeu e asiático, estabelecendo-se como uma alternativa acessível e fiável para condução citadina.
Ao longo das décadas seguintes, o Micra evoluiu. E muito. A geração K11, lançada em 1992, tornou-se especialmente icónica pela sua forma arredondada e simpática, chegando a ganhar o prémio de Carro do Ano na Europa em 1993. A K12, apresentada em 2002, trouxe uma linguagem estética mais moderna e introduziu mais equipamentos de segurança e conforto, consolidando a imagem no segmento.
A quinta geração, revelada em 2017, marcou uma rutura significativa com o passado. O Micra passou a assentar na plataforma CMF-B da aliança Renault-Nissan, tornando-se um carro mais dinâmico, com design mais agressivo e opções de motorização mais potentes.
Contudo, foi também nesta fase que o futuro europeu do modelo começou a ser redefinido, com a Nissan a anunciar que não haveria uma sexta geração convencional para o mercado europeu.
Uma nova era
E eis que o Micra renasce na Europa sob uma forma completamente diferente, 100% elétrico, mas com o mesmo espírito e fiel aos seus princípios. Temos perante nós um automóvel elegante e despretensioso, surgindo agora com uma personalidade assertiva e emissões zero. O que mudou, substancialmente, foi tudo o resto.
Construído sobre a mesma plataforma do novo Renault 5, o Nissan Micra 2025 é mais do que um modelo urbano. É um símbolo da transição para uma mobilidade mais sustentável, inteligente e emocionante.
Sim, partilha bases técnicas com o primo francês, desde logo a plataforma AmpR Small. Não é nenhum segredo e a Nissan não tenta esconder isso. E, honestamente, porque haveria de o fazer? A base é sólida e o Micra sabe muito bem o que quer ser por cima dela.
Design que não pede desculpa
Concebido no Centro de Design Europeu da Nissan (NDE), em Londres, o novo Nissan Micra apresenta um visual exterior renovado e distinto.
Os faróis, repare neles, piscam quando se aproxima do carro. Um gesto pequeno, quase humano. Como se o Micra soubesse que chegou. O modelo combina tecnologia avançada com elementos de design que resgatam a identidade visual das gerações anteriores, mantendo as dimensões compactas ideais para o ambiente urbano.
No centro da personalidade do novo Nissan Micra está a paleta de 14 combinações de cores exteriores, disponível em Pure White, Elegant Silver, Mystery Black, Noble Marine, Authentic Blue e Rebel Red.
Ah, e temos também jantes de 18 polegadas de série, em todas as versões. Pormenor que, neste segmento, não é assim tão óbvio.
O coração: duas baterias, uma filosofia
Aqui chegamos ao essencial. Porque a questão que toda a gente faz sobre qualquer elétrico é sempre a mesma: mas até onde vai?
Com duas versões de bateria disponíveis, o novo Nissan Micra adapta-se a diferentes perfis de condutor e necessidades de mobilidade.
A versão de entrada, com bateria de 40 kWh, oferece uma potência de 120 cv e uma autonomia de até 319 km, ideal para quem privilegia a condução citadina e deslocações diárias.
Já a versão equipada com bateria de 52 kWh eleva a potência para 150 cv e permite percorrer até 415 km com uma só carga.
Quatrocentos e dez quilómetros. Com um citadino. Não é pouca coisa, é, aliás, o suficiente para ir do Porto a Lisboa sem tocar num carregador. Ou seja, o argumento da "ansiedade de autonomia" fica bastante enfraquecido aqui.
E quando é mesmo necessário carregar? Graças ao carregador de 100 kW DC (ou 80 kW na versão de 40 kWh), o carregamento rápido de 15% a 80% demora uns práticos 30 minutos.
Tempo para um café, uma ida à casa de banho, talvez uma mensagem atrasada que se esqueceu de responder. Nada que perturbe o dia.
Existe ainda, e isto é genuinamente útil, a tecnologia Vehicle-to-Load (V2L), que permite que a bateria elétrica carregue muito mais do que apenas o carro, sejam portáteis, bicicletas elétricas ou equipamentos de campismo.
Para quem vai a festivais de verão ou faz campismo, isto é transformador.
Tecnologia que respeita a inteligência do condutor
O interior. Dois ecrãs de 10,1 polegadas, disponíveis a partir da versão Advance: um atrás do volante e outro central, a cobrir toda a largura do tablier. Google Maps integrado com localização de postos de carregamento em tempo real, incluindo disponibilidade.
Sistema de som Harman Kardon com nove altifalantes. Três modos de condução (Eco, Sport e Comfort), com possibilidade de escolher entre 48 cores de iluminação interior, adaptando o ambiente ao estado de espírito.
Quarenta e oito cores! Alguém na Nissan tem bom humor.
No campo da segurança, o novo Micra traz o sistema de assistência Nissan ProPilot, a par de mais uma série de ADAS que em trajetos diários faz diferença real, sobretudo para condutores menos experientes ou em situações de cansaço.
A condução de um só pedal (o e-Pedal) também está presente e quem já experimentou sabe: depois de habituar, é difícil voltar ao travão convencional.
O Micra no quadro da eletrificação da Nissan
É justo perguntar onde é que o Micra se encaixa na estratégia mais ampla da Nissan.
A resposta é clara. O regresso do Nissan Micra assinala o próximo grande passo na ousada ofensiva de produtos da Nissan na Europa, onde a empresa irá introduzir quatro novos modelos totalmente elétricos até 2027, como parte do seu impulso para a eletrificação, incluindo o novo Nissan LEAF, o JUKE e um modelo do segmento A.
O Micra não é um produto isolado. É um ponta de lança de uma ofensiva. O modelo que vai para a rua primeiro, que tem de provar que a Nissan continua a saber fazer carros que as pessoas querem.
A marca tem como objetivo ser neutra em carbono em todo o ciclo de vida dos seus produtos e operações até 2050, e a Ambition 2030 está no centro dessa visão.
O Micra elétrico não é apenas um produto comercial. É uma promessa feita publicamente.
Porque o Micra importa
Há algo de curiosamente simbólico neste regresso. Como já dissemos, o Micra foi, durante décadas, o carro que democratizou a mobilidade individual em Portugal e em toda a Europa.
Acessível, fiável, sem pretensões. E agora volta num momento em que a eletrificação ainda é, para muitos, sinónimo de exclusividade e de preço proibitivo.
Se o Micra conseguir repetir o papel que sempre teve (ser o carro que qualquer pessoa consegue imaginar a conduzir) então terá feito algo que vai muito além de vender unidades. Terá ajudado a normalizar o elétrico. A torná-lo rotina, em vez de novidade.
E isso, sinceramente, parece mais importante do que qualquer especificação técnica.
O novo Nissan Micra 100% elétrico já está disponível na rede de concessionários Nissan.
No fim do dia, a mobilidade elétrica urbana não é sobre potência pura nem sobre números impressionantes na ficha técnica. É sobre facilidade, fluidez e lógica no uso diário. E isso, o Nissan Micra elétrico entrega, quase com um sorriso contido, mas presente.




































É um r5 com outra roupa.
Ainda assim diferente do Mitsubishi que veste a mesma roupa do Clio, só muda o crachá.
Estranho mundo este.
Estranho? Não estás atento ao mundo automóvel desde… quer nascente. Se não vejamos.
Em 1999, a Renault constituiu a aliança Renault-Nissan com a Nissan e, desde então, detém 43,5% das ações da Nissan. Em 2016 a Renault-Nissan adquiriu uma participação de 34% na Mitsubishi tornando parte da aliança.
Não tens é estado atento 😉
A razão pela qual a Nissan deixou de ser Nissan e a Mitsubishi deixou de ser Mitsubishi… Eram marcas Japonesas, com características e filosofias muito diferentes do que são atualmente.
Não deixou. Apenas como todas fazem, cooperam na produção para tornar o produto mais em conta. Ainda há dias estive em Busan, na Coreia, onde na mesma linha de carros Renault estavam os Polestar 4. O mesmo já vimos na Mercedes-Benz, que utiliza componentes desenvolvidos em parceria com a Renault. E muito mais por aí fora. Não deve haver uma marca que não tenha este tipo de acordos. Com o desenvolvimento de plataformas dedicadas, algumas marcas, com uma estratégia mais lenta no mercado dos elétricos, recorrem a parcerias para adotarem plataformas já testadas. Como sempre aconteceu.
A toyota está a cooperar com os chineses, portanto deixou de ser uma marca japonesa e passou a ser chinesa.
E a MAZDA. com o 6e. Um MAZDA que não é um MAZDA. Nem o TOYOTA bz7. Aliás, este e o 6e são muito parecidos de perfil.
Estranho mundo?
– Uma citroen Berlingo também é uma Peugeot Partner, Opel Combo, Fiat Doblo, Toyota ProAce City, Vauxhall Combo…
– Uma Volkswagen Sharan é também uma Seat Alhambra (1996).
– O VW Up é um Seat Mii e um Skoda Citygo (2011).
– O Seat Arosa é o VW Lupo que tanto gostas de falar dele (1997)
– O Peugeot 104 (1976) é um Citroen LN.
– O Twingo III é também um Smart For Four (2014)…
E não faltam exemplos nos últimos 50 anos, deves é viver debaixo de uma rocha.
“Uma Volkswagen Sharan é também uma Seat Alhambra (1996).” e uma Ford Galaxy 🙂 Dacia Dokker, agora Renault Expresso, Mercedes e mais umas quantas
Sim, verdade.
O “badge engeneering” é uma prática com mais de 50 anos na industria automóvel mas parece que só agora é que alguns notaram que isso existe.
“badge engineering”
A partir de €28.000
“Quatrocentos e dez quilómetros. Com um citadino. Não é pouca coisa, é, aliás, o suficiente para ir do Porto a Lisboa sem tocar num carregador. Ou seja, o argumento da “ansiedade de autonomia” fica bastante enfraquecido aqui.”
Fala como alguém que nunca fez uma viagem de auto estrada com um carro electrico. Eu acho os electricos fabulosos, mas até a autonomia de auto-estrada (não de tests idiotas que não condizem com a realidade) não for acima de 500km para dar para ir e vir, estes carros nunca serão uma escolha acertada.
É como tudo na vida. Tenho um DCi 1.5 110CV e já sei que se passar dos 100kms/h na AE o consumo dispara. E ao preço que está a gota, mais vale ir devagar… xiça!
Sais de Lisboa e vais até à Mealhada. Deixas o carro a carregar enquanto carregas o pandulho de leitão e depois segues. Podes fazer igual em sentido contrário, paras algures por Fátima e rezas que a bateria chegue até Lisboa. Mas pelo sim pelo não, deixas o carro a carregar.
Faço mais de 100kms meia dúzia de vezes por ano ou algo que o valha. E como eu, milhões de Tugas.
Até 120 nao dispara assim tanto… tens que ir ver esse motor… tenho um de 2006 e não tenho esse problema… 🙂
Esse motor é o típico “motor de combustão pplware” que aos 120km/h só gasta 2.8L/100km…
Eu ainda este fim de semana fiz quase 500 km e não gastei meio deposito numa Dacia Dokker, 1.5 DCI, de 90 Cv. e para lá até levei o carro com meia carga e de volta com bastante lenha, fui a uma festa de aniversários dos meus sobrinhos na zona de Leiria, e os meus cunhados perderam as árvores de frutos todas que tinham, como deves imaginar há por lá lanha com fartura. 🙂 🙂 🙂
5L/100km a andar nas calmas é muito acima dos 2.8L/100km do que alguns obtém por aqui…
4,9, se faz favor, 🙂 mas estamos a falar de um carro mais pesado, um Clio ou similar consegue ainda melhores consumos, 3.5 lt, eu pelo menos consigo num carro mais pequeno, mas como tenho dito não sou grande exemplo, raramente tenho pressa de chegar.
Boas. “…o suficiente para ir do Porto a Lisboa sem tocar num carregador.” Como é possível tal afirmação? A não ser que vá a uma velocidade de de +/- 80 km/h!!! o que não acredito em auto estrada. Porto-Lisboa são 337 kms
Até eu que sou bastante calmo a conduzir tenho duvidas que conseguisse com uma só carga fazer Lisboa, Porto.
Quanto à estética, parece que um RE5 se encavalitou num mini e o resultado final saiu o Micra, pessoalmente acho o RE5 mais giro, acho que a Renault está com linhas muito bem conseguidas para o meu gosto pessoal.
Falhou-me a parte da revolução. É mais do mesmo. Só se a revolução for o facto de já não ser carro barato económico a rolar e manter. O Micro era sinónimo de carro barato e para todos, com manutenção barata. A 28k nem de perto nem de longe. Se retirassem os ecrãs, as jantes de 18″ (num micra???) e mais uma série de minhoquices, talvez o carro andasse pelos 20k. E que ninguém pense em manter o carro muitos anos. Quando avarias um dos ecrãs até fogem.
Renault 5 + Twingo = Micra, óticas twingo corpo do 5