Já ouviu falar de “posting zero”? Tendência está a tirar a geração da Internet das redes sociais
Apesar de ter aprendido a mexer em smartphones e tablets antes mesmo dos primeiros passos, a geração da Internet está cansada das redes sociais. É neste cenário que surge a nova tendência de "posting zero", que é "expectável" que chegue a Portugal.
Embora pareça que o mundo está cronicamente online, a verdade é que a atividade nas redes sociais está em declínio em todo o mundo.
Um estudo publicado no Financial Times inquiriu 250.000 utilizadores online em 50 países e concluiu que a utilização das redes sociais caiu até 10%.
Este declínio detetado é liderado pelos jovens: a geração que fez da Internet a sua extensão está, agora, cada vez mais cansada.
De facto, a comercialização excessiva das redes sociais, que vão hoje muito além das atualizações diárias da vida de amigos e familiares, saturou os feeds de anúncios direcionados, vídeos repetitivos e, mais recentemente, conteúdo gerado por Inteligência Artificial (IA).
Geração da Internet está cansada das redes sociais
Num cenário de verdadeira fadiga digital, Kyle Chayka, do The New Yorker, cunhou o termo "posting zero", descrevendo o facto de as atualizações diárias da vida de um utilizador online médio estarem a tornar-se mais raras.
Na sua coluna semanal Infinite scroll, Kyle Chayka relembra o tempo em que o seu feed estava cheio de atualizações banais da vida dos seus amigos, desde a foto do pequeno-almoço ou do animal de estimação até a registos dos encontros com amigos.
Também podemos estar a caminhar para algo como o Posting zero, um ponto em que pessoas normais - as massas não profissionalizadas, não comercializadas e não sofisticadas - deixam de partilhar coisas nas redes sociais, pois cansam-se do ruído, do atrito e da exposição.
Escreveu Kyle Chayka, explicando que "o Posting Zero significaria o fim das redes sociais tal como foram concebidas, como um registo em tempo real do mundo criado por qualquer pessoa que estivesse a viver qualquer experiência".
Na sua perspetiva, "a presença de pessoas normais era o que fazia com que valesse a pena acompanhar as redes sociais".
No seu lugar, como resíduos numa praia outrora movimentada, haverá apenas marketing corporativo seco, lixo gerado por IA e porcaria vinda de vigaristas sedentos a tentar monetizar um público cada vez menor de voyeurs.
Opinou Kyle Chayka, do The New Yorker, descrevendo uma teoria que, entretanto, ganhou força na Internet, com a BBC a convidá-lo para uma entrevista.
Tendência de "posting zero" poderá chegar a Portugal
Ainda que a tendência tenha sido cunhada nos Estados Unidos, o analista de redes sociais e investigador Joaquim Fialho considera que é expectável que se caminhe para ela.
Conforme citado pelo jornal Público, além do "enamoramento das redes sociais" estar "a desaparecer", a "saturação", o "cansaço digital" e a "perda da dimensão social" destas plataformas desencorajam as pessoas de publicar, levando-as, inclusive, a optar por outras redes sociais "mais restritas e com menos exposição".
Na perspetiva do analista, embora esta realidade ainda não seja palpável em Portugal, é expectável que os portugueses e, em particular a Geração Z, acabem, também, por se distanciar das redes sociais e negligenciar os posts.
Além de o "enamoramento das redes sociais [estar] a desaparecer", verifica-se uma "saturação dos conteúdos polémicos", "um cansaço digital" e "uma perda da autenticidade das publicações".
Este cenário, aliado à "perda da dimensão social" das plataformas, aos "algoritmos" e à "manipulação da informação", "gera afastamento", segundo Joaquim Fialho.
A solução encontrada pelos jovens passa pela migração para grupos e meios mais "restritos e com pouca exposição".
Além disso, "os jovens podem querer evitar a hiperexposição e, ao mesmo tempo, proteger a sua privacidade", de acordo com o psicólogo e membro da direção da Ordem dos Psicólogos Portugueses, Renato Gomes Carvalho, citado pelo jornal Público.
Ou seja, a consciencialização e o aumento da literacia que as pessoas vão tendo relativamente às redes sociais e aos respetivos riscos pode, também, contribuir para a diminuição de publicações.
Leia também:
Imagem: Luke Tribe/ ABC Everyday
Fonte: The Print
Neste artigo: posting zero, Redes Sociais























finalmente, o fim deste “cancro” …
Não vejo como um cancro com o conteudo certo aprende-se mais nas redes sociais do que em 12 anos de escola mas a malta teima em ver o pior que nem sei bem o que é
Então não se aprende…ai eu…
Vai ver onde é que a escola ensina sobre finanças e depois vais ver quantos milhões de videos existem sobre finanças IRS e afins é muito facil de perceber
Vídeos didácticos sem dúvida nenhuma
E quem diz finanças diz outros milhões de assunto que nem se falaam na escola mas aprende-se em videos
Sim, sim…
Há uma coisa que se chama credibilidade e ainda vale muuto. Se fou um podcast de alguém credivel.
Se for um influencer podem ficar com ele.
Se for uma IA precisa sempre de check.
Talvez, mas se calhar só para quem anda na escola a brincar…
lol.
A resposta que procuras está no teu próprio comentário.
+1
Aprende?
População mundial, nas redes sociais: 673200000000000 perfis. Pessoas que fazem 4000000 de posts, diários de 600, ou mais, letras, a médias de 10000 posts, por segundo.
Tudo, boas aprendizagens…
Com uso responsável e selectivo e sem os algoritmos satanicos capitalistas quem sabe talvez seja possível mas essa experiencia ainda está para acontecer!
Mais um doutor formado na Universidade TikTok.
não entendes porque é um “cancro”??? para mim é simples de entender, basta observar o meu colega de trabalho (um jovem de 27 anos que finalizou o mestrado há 3 anos) que passa o dia a “surfar” (sem postar nada) no “lélé” para perceber que, por muito que seja alertado para a sua fraca produtividade devido ao seu constante “consumo” de tik-tok, ele está tão viciado que prefere ser despedido a deixar o telemóvel sossegado …
a baixa produtividade vai salvar o clima e o planeta no geral.
Vão para as ruas fazer o mesmo que fazem nas redes sociais? mais vale ficarem nas redes sociais!
E muito do ruido nas redes sociais e’ publicidade, esta’ insuportável, ninguém vê publicidade, se um anuncio passa ate ao fim e’ porque a pessoa esta noutra, foi ao WC, a ver/fazer outras coisas, enquanto esse anuncio e’ sinalizado pelo marketing como visto, e’ mentira. Para as marcas PAREM DE ANUNCIAR NOS MEDIA E REDES SOCIAIS, invistam nos placars físicos das ruas.
Já se vê disso… na Austrália, não sendo por culpa, de começarem a afastar-se, das redes sociais. A lei, de limitação de acesso, a maiores de 16 anos, já levou 82500 “criadores de conteúdos”, a queixarem-se, que, nestes 15 dias, desde a aprovação, da legislação, já perderam 60%, dos seguidores e 95%, de visualizações, dos seus vídeos. Alguns, recebiam 700000 dólares, australianos, por mês, pelos valores, de Dezembro, nem 15000 vão receber. E, patrocinadores, começaram a saltar fora, daqueles limites de 10k, de seguidores.
Ena uma tendência positiva, mais vale tarde do que nunca.
Sim, os menores de 16 anos prometem aderir a pouco e pouco a esse detox das redes sociais, o facto de estarem a ser feitas leis para os proibir de aceder é apenas uma mera coincidência.
Já reparo nisso algum tempo nos primeiros tempos que o Instagram foi laçado avia aquela moda de por publicações feitas por pessoas normais que publicavam o que faziam durante o dia e o que faziam nas ferias etc.. agora não vejo muita malta a fazer este tipo de pots agora que ninguém publica nada e só gaijas a fazer nuds ao conteúdo politico etc.
Por estas razaes ja começo por deixar de usar
Pois avia
MR, vc é um exemplo perfeito do estado da educação aqui no penico.
O que é uma pessoa normal?
Avia de aviar?
Já reparo nisso algum tempo nos primeiros tempos que o Instagram foi laçado avia aquela moda de por publicações feitas por pessoas normais que publicavam o que faziam durante o dia e o que faziam nas ferias etc.. agora não vejo muita malta a fazer este tipo de pots agora que ninguém publica nada e só gaijas a fazer nuds ao conteúdo politico etc.
Por estas razaes ja começo por deixar de usar
Antigamente até era porreiro publicar coisas, nós sabíamos que o que publicávamos ia aparecer no feed dos nossos amigos. Entretanto, os algoritmos mudaram e, simplesmente, deixámos de ver o que os nossos amigos publicavam, em detrimento do que o algoritmo acha que gostamos.
Sejamos honestos, para que serve o raio de uma rede social se não vemos o que os nossos amigos publicam?
Acho que é expectável as pessoas desistirem de publicar, ou nem sequer ligarem.
Falo até por mim que deixei exatamente o Instagram por isso. Eu quero ver a cronologia por ordem de publicação dos meus amigos e não o que o Instagram acha que devo ver.
A ganância das empresas que gerem as redes sociais dá nisto. Como um grande filósofo português dizia “o que tu plantas, semeias”.
Pessoalmente, estou especialmente e completamente saturado do abuso de publicidade e desinformação.
Geração estragada! Viciados em ecrãs!
Fazem bem. Touch grass, muito bom.
Tipo há 10-15 anos, toda a gente tinha facebook e progressivamente foram deixando de postar. No instagram, muitas pessoas passaram do postar todos os dias a postar dumps uma ou duas vezes por semana ou a não postar de todo.
Pessoalmente, a sensação de fomo desapareceu. O sentimento de estar a perder por não usar as redes sociais desapareceu. As profissões de influencer ou youtuber pederam a magia.
A geração internet está tão cansada da internet, que na Austrália que proibiu jovens abaixo de 16 anos de acederem, que eles estão se caracterizando para iludirem a autenticação ou então usando VPN…
isto é o 8 ou o 80!! Já há algum tempo que tenho a minha própria política, que se baseia em 2 princípios: 1) Consultar e ver posts páginas que trazem alguma mais valia; 2) usar as redes sociais para assuntos realmente importantes. Uso as redes sociais para me manter atento a assuntos relacionados com novas tecnologias; alguma política e humor. Por exemplo apenas uso o Instagram para seguir os meus humoristas preferidos, dado que eles apostam mais nesta rede social. Agora o posting zero, acho que apenas pretende seguir uma tendência que é a de desmotivar, sobretudo por parte daqueles que pararam no tempo e não conseguem passar a sua mensagem com eficácia nestes canais e preferem os canais tradicionais (TV, rádio e jornais), onde possuem um posicionamento privilegiado. Eu, neste momento sou apoiante do CHEGA e nos canais tradicionais o CHEGA só serve para duas coisas: levar pancada e aumentar audiências. Já nas redes sociais o CHEGA lidera isolado. Por isso, querem desmotivar para as redes sociais. O problema não são as redes sociais, mas a forma como as usamos. Há dias fiz uma viagem de Lisboa para o Porto de autocarro. pelo caminho ví alguns vídeos de tecnlogia, os meus mails e ouvi um pouco de música. 2 lugares há minha frente, um jovem, passou o caminho todo a passar reels de forma automatizada, sem os ver até ao fim. A ver o que calhava e o que o algoritmo lhe tinha selecionado. Ah! Já agora, sou contra proibirem os jovens de ter redes sociais antes dos 16 anos. Podiam era ter algum apoio a saber delas tirar o proveito consoante os seus interesses.