PplWare Mobile

Huawei admite que China obriga empresas a trabalhar com o Governo


Fonte: Euractiv

Desenvolveu desde cedo o gosto pela escrita e comunicação. Em leis formado, tem como hobbies a aquariofilia e a música. Mas é na tecnologia que encontrou o seu expoente máximo e no Pplware a plataforma ideal para a redação e produção de vídeo.

Destaques PPLWARE

  1. Josu says:

    E qual é a admiração? As empresas americanas também são obrigadas a cooperar com o governo americano graças ao Patriot Act.

  2. BlackFerdyPT says:

    (Nota prévia: A tradução correcta de “request” é “pedir” ou “solicitar” – e não “impor” ou “obrigar” – https://dictionary.cambridge.org/pt/dicionario/ingles-portugues/request)

    1) Lá porque algo não está sob a forma de lei (pública) isso não impede que tal exista sob a forma de acordo (secreto ou não). E, por isso, dizer que a “lei” em causa não permite ao governo chinês “pedir” que seja implementada uma porta dos fundos, não é contraditório com a possibilidade de existência de um “acordo” secreto que “obrigue” a que estes equipamentos venham sempre com portas dos fundos já incluídas.

    2) E, se os acordos (com possíveis cláusulas secretas) com outros países, obrigarem a que a Huawei partilhe a existência de tais portas dos fundos com as autoridades dos países onde queira vender os seus equipamentos – e a Huawei aceder a tal exigência, para poder vender nos países em causa – então, de facto, a Huawei não estará a “violar as leis de outros países”.

    Também,

    O regime chinês pode melhor ser descrito como nacional-socialista. E, neste regime, as corporações são (muito) controladas pelo Estado.

    Informem-se sobre o que quer dizer o nome Huawei. Tem um sentido patriótico de “servir a China” – i.e. de servir os interesses do seu regime.

    Logo, que existe uma forte relação entre o governo chinês e as grandes corporações do seu país, não é novidade nenhuma para quem está bem informado sobre questões políticas – sendo que, no Ocidente é também sabido que tal forte relação existe, mas com as ordens a fluir no sentido inverso.

    A notícia original da Euractiv.com é, obviamente, apenas mais uma maneira de lançar medo relativamente a esta companhia chinesa.

    (Mais uma vez, o grande “bicho-papão” é o governo chinês – que não tem por hábito andar a destruir países estrangeiros. E, o que o Edward Snowden anda a denunciar, há anos, passa ao lado de quase todos no Ocidente…)

    • Vítor M. says:

      Algo não combina no que disseste “regime e solicitar”. Não basta traduzir, é preciso enquadrar. Aliás, tu enquadraste muito bem neste comentário.

      • BlackFerdyPT says:

        Não percebi: nem o que quis você dizer (especificamente) com a sua primeira frase; nem com a terceira. Será que se poderia explicar melhor?

      • BlackFerdyPT says:

        Se a maneira como enunciei o meu primeiro ponto acabou por ser um pouco confusa, posso clarificar o mesmo…

        O que se passa (também) é que, “pedir” não é o mesmo que “obrigar”. (E, é preciso ter muita atenção aos termos que são usados, por ser prática comum dos políticos, meios de comunicação e grande capital usar a linguagem de modo enganador, de modo a induzir as pessoas em erro.)

        Se eu tiver sido obrigado, através de um acordo que não seja público, a fazer X, posso vir a público dizer que “Nunca ninguém me pediu para fazer X!”, que não estou a mentir. (Pois, obrigaram-me a tal, em vez de me pedirem – e sendo estas duas acções diferentes, eu não estou a mentir quando digo tal coisa.)

        Quanto ao resto,

        Uma das razões pelas quais, ainda que sejam de (alta) qualidade, os produtos da Huawei são tão baratos, é porque esta empresa é subsidiada pelo governo chinês. E, se tem sido tão bem-sucedida nacional e internacionalmente, é porque também muito tem sido promovida por este governo.

        E, sabendo-se que neste tipo de regimes muito se passa nos bastidores que não é do conhecimento público, em termos de jogos de influências, nunca o governo chinês obviamente teria apoiado tanto a Huawei se não estivesse esta companhia sob o seu controlo indirecto e fosse garantido que iria sempre jogar a favor dos seus interesses.

        • Vítor M. says:

          Mais uma vez, de forma clara, conseguiste responder ao que poderia estar em causa: terá sido solicitado ou obrigado?

          • BlackFerdyPT says:

            (a) Solicitado com base numa lei pública, ou (b) obrigado através de um acordo secreto.

            (Era essa a diferença que fazia no meu primeiro ponto…)

            O que escrevi no comentário posterior, era um exercício de retórica, para demonstrar a importância de usar o termo correcto, ao traduzir a palavra “request” (e também para explicar porque razão tinha eu feita a minha nota prévia) – pois, a tradução correcta desta palavra faz toda a diferença, visto que diferencia ainda mais os dois diferentes tipos de acções em causa.

            (Peço desculpa se não o explicitei e se acabei por criar alguma confusão por causa disso. Foi então uma má elucidação da minha parte.)

      • BlackFerdyPT says:

        Sobre “enquadrar” a nota de tradução que eu fiz, referia-me à frase que está no artigo original, em inglês

        «does not permit the Chinese government to request manufacturers to implement backdoors»

        que está erradamente traduzida, neste artigo, como

        «não permite que o governo da China imponha às fabricantes a implementação de backdoors nos produtos».

        • Vítor M. says:

          Não está, porque não pode ser truncada. Foi dessa forma a interpretação.

          • BlackFerdyPT says:

            Se o bom dicionário “inglês-português” da Universidade de Cambridge, para o qual apontei, não for suficiente, consulte os vários dicionários “inglês-inglês” disponíveis na Internet.

            A palavra “request” tem um sentido de “ask” (pedir, em especial formal ou educadamente) – ou eventualmente também de “demand” (procura, por algo ou alguém).

            Há um dicionário “inglês-português” que chega a admitir a tradução deste termo como “requerer”. Mas, pelo menos na minha opinião, isso é abusivo e o que diferencia os bons dos maus dicionários. Pois, a palavra inglesa para tal é “require”.

            Suponho que, em certas situações, um pedido possa ser interpretado como uma exigência. Mas, não é esse o sentido da palavra. E, “request” nunca tem o sentido de impor.

            (Aliás, só ficaria mal a uma executiva de tão patriótica companhia estar a retratar o seu governo como podendo ser muito autoritário.)

        • Rui Bacelar says:

          Em boa verdade, a letra da lei não está sequer em inglês mas sim em mandarim ou cantonês. Pegar pela tradução é de facto ingrato, mas por isso é que existe a metodologia jurídica, a interpretação com vista à aplicação da lei.

  3. Lrf says:

    E qual o problema? Toda a gente espia toda a gente.

  4. greego says:

    A perda de influência dos USA é notório, daí a coação que têm lançado sobre os países ainda seguidores das politicas de Trump…

  5. Z/OS says:

    Nestes comentários houve alguém que disse que a China é um país que se enquadra num sistema nacional-socialista. O nacional-socialismo é conhecido hoje por fascismo. Ora este termo, fascismo, aqui no nosso burgo é utilizado contra quem discorda de algo que foi implementado pela força da lei, por vezes sob pena de consequências. Ou seja, coagem-se os cidadãos a obedecer à lei, mas o mesmo estado que promulga estas leis tem negócios com estados nacionais-socialistas. Esta dubidade de tratamento é que torna a nossa actual sociedade uma amostra cada vez mais degenerativa do que aí vem. E vai ser para todos!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title="" rel=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

*

Aviso: Todo e qualquer texto publicado na internet através deste sistema não reflete, necessariamente, a opinião deste site ou do(s) seu(s) autor(es). Os comentários publicados através deste sistema são de exclusiva e integral responsabilidade e autoria dos leitores que dele fizerem uso. A administração deste site reserva-se, desde já, no direito de excluir comentários e textos que julgar ofensivos, difamatórios, caluniosos, preconceituosos ou de alguma forma prejudiciais a terceiros. Textos de caráter promocional ou inseridos no sistema sem a devida identificação do seu autor (nome completo e endereço válido de email) também poderão ser excluídos.