IA e energia: Europa contra-ataca para proteger a sua rede elétrica
Os centros de dados estão a tornar-se um grande problema industrial, e por uma boa razão. O seu consumo de energia disparou com a proliferação de projetos de IA generativa. Para evitar sobrecarregar a rede elétrica, a Europa irá regular tanto a infraestrutura existente como os projetos futuros.
Centros de dados e IA: problema na rede elétrica
Cada pedido enviado para um chatbot ativa um centro de dados algures, consumindo enormes quantidades de eletricidade. Multiplicado por milhares de milhões, este custo está agora a pressionar as redes europeias. Para evitar o colapso da rede, a Comissão Europeia publicou um roteiro que torna a suavização da procura uma das suas principais estratégias para enfrentar os desafios impostos pela IA.
O consumo de energia dos centros de dados deverá mais do que duplicar com o crescimento da IA, e algumas regiões já estão a atingir a sua capacidade máxima. Ao contrário de uma fábrica, cuja produção pode ser transferida, um centro de dados necessita de funcionar 24 horas por dia, 7 dias por semana, para garantir a disponibilidade do serviço.
Como resultado, as centrais elétricas a combustíveis fósseis permanecem em funcionamento durante mais tempo. A IA deixou de ser tratada como uma mera questão digital e passou a ser vista como um desafio industrial e energético. Um grupo de reflexão europeu quantificou o alerta. Sem reformas rápidas, os maiores polos de IA poderão absorver eletricidade e fundos públicos apenas para acabarem subutilizados e negligenciados em favor de regiões mais recetivas.
Uma gestão de energia mais eficiente na Europa
O EcoWatt fornece previsões de consumo de eletricidade há anos, com alertas verdes, laranja ou vermelhos que incentivam os consumidores a ajustar o seu consumo durante as horas de ponta. Tendo-se tornado um reflexo durante os períodos de elevada procura no inverno, o sistema baseia-se num princípio simples. Reduzir ou adiar a procura quando esta ameaça exceder a produção.
Bruxelas quer generalizar esta abordagem de resposta à procura, mas visando inicialmente os grandes consumidores. Para se ligarem à rede, os centros de dados teriam agora de aceitar uma certa flexibilidade. Tolerar maiores flutuações de tensão, ajudar a prevenir interrupções durante as falhas e até mesmo mudar para a geração no local durante as horas de ponta.
A Comissão está a planear padrões mínimos de desempenho para os centros de dados, estando prevista uma avaliação das necessidades para 2027. O objetivo é alinhar a procura digital à rede elétrica, para que o avanço da IA apoie a transição energética em vez de competir com ela. Esta mudança pressupõe que os operadores de data centers aceitem cooperar. Caso contrário, os consumidores arriscam pagar o preço.




















“e por uma boa razão”? O Futuro o dirá. Mas espero que esteja errado, em relação ao isso.
Basta que se instalem centrais de produção integradas nos próprios datacenters, CCGT por exemplo ou intercaladas com outras fontes, assim produzem a própria energia, em caso de falhas da rede terão funcionamento em modo de ilha (ou não) e caso seja possível e bem pensado ainda poderão injetar potência da RESP.
Mas é óbvio que não têm interesse, apenas interessam os dados, o pessoal só dá valor à eletricidade quando ela falta.
The American way
Esta notícia e outras do género, deveriam ser enviadas em envelope com forma de coração, lacrado, registado e com aviso de receção ao grande visionário Presidente da Câmara a Municipal de Sines que pelos vistos quer um centro de dados no “seu terreno”
A EDP vai subir o preço da eletricidade em Sines? Vai lá faltar a eletricidade?
+1
Os postos de trabalho criados durante a construção, depois vão desaparecer e só lá fica, o mamarracho.
Como sempre no relatorio da DGEG, estamos bem…
https://www.dgeg.gov.pt/media/wq4bi1to/rmsa-e-2025.pdf
Andamos a fechar cegamente centrais a gás e a deixar a segurança de lado…
@Mario, o terceiro poluidor nacional em 2025, segundo a Zero, passou em a ser uma central termoeléctrica a gás ali para os lados do Pego.
Eles não te contam a história toda.
E a Refinaria de Sines é o maior poluidor. Isto para produzir algo que ainda vai poluir ainda mais.
Gostava de ver o preço garantido confidencial que o datacenter de Sines vai ter.
Os valores prováveis (sem impostos):
– Data-center de Sines: 35 a 45 €/MWh, abaixo dos preços do MIBEL (40 a 55 €/MWh).
– Grandes fábricas eletrointensivas: 50 a 110 €/MWh
– Pequenas empresas: 90 a 150 €(MWh
– Consumidor doméstico: 140 a 160 €/MWh (sem taxas e impostos), 200 a 240 €/MWh (com todas as taxas e impostos).
O EcoWatt, francês, serve sobretudo para evitar picos de consumo. É curtido. mas é para ser usado pelos cidadãos, voluntariamente, não é pelos data-centers e outros grandes consumidores. Estes percebem bem é o aumento do custo da energia elétrica quando a procura é muito elevada.
Instala-se a app no smartphone. Se se receber um aviso laranja fazem-se coisas simples como reduzir 1º no aquecimento, no inverno. Multiplicado por centenas de milhar/milhões tem um grande impacto.
Quanto aos data-centers, o que querem é energia elétrica mais barata do que a média para empresas e famílias … mas – ao menos – não os dispensem do aumento do preço quando a procura é elevada, para os forçar a reduzir o consumo.
“Ah, mas levá-los voluntariamente, tipo o semáforo do EcoWatt …” Não acredito nisso, só sendo obrigados.
Os políticos portugueses estão sempre a marimbar para o seu povo como se viu nas escutas, existe nnn de projectos de Datacenters de AI para Portugal já em cima da calha, onde vão mamar a electricidade a um custo inferior e ainda vão lixar o povo tuga já com o aumento abismal de consumo vamos ter que pagar a fatura por isso as populações dos estados americanos não querem isso no seu território e começaram a proibir novos Datacenters pois o preço da água e electricidade disparou a pique!
exato, datacenters vão fazer disparar perco da agua e eletricidade, já podem ver os resultados dos states
Para cada problema a Europa tem uma solução, regulação! E com isso permanece irremediávelmente condenada à irrelevância no contexto global.