Starlink reduz altitude de milhares de satélites para mitigar risco de colisões
A Starlink, divisão da SpaceX, deu início a um ambicioso processo de reconfiguração da sua mega constelação de satélites. A iniciativa tem como principal objetivo aumentar a segurança das operações espaciais e mitigar os riscos de colisões em órbita.
Manobra estratégica da Starlink para um espaço mais seguro
Michael Nicolls, Vice-Presidente de Engenharia da Starlink, anunciou através da rede social X que a empresa está a proceder a uma "significativa reconfiguração da sua constelação de satélites". Esta operação consiste em baixar a altitude orbital de aproximadamente 4400 satélites. Os equipamentos, que atualmente operam a cerca de 550 quilómetros de altitude, serão reposicionados para uma órbita mais baixa, a rondar os 480 quilómetros.
A decisão visa colocar os satélites numa região orbital menos congestionada, o que diminui drasticamente a probabilidade de colisões com outros objetos espaciais. Adicionalmente, operar a uma altitude inferior permite que, em caso de falha ou anomalia, o satélite seja atraído pela gravidade terrestre e se desintegre na atmosfera de forma muito mais rápida, reduzindo o tempo em que representa um perigo como lixo espacial.
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Nicolls explicou que esta medida proativa está também relacionada com o ciclo solar de 11 anos. A aproximação do próximo "mínimo solar", previsto para o início da década de 2030, foi um fator crucial na decisão. Durante este período, a atividade solar diminui, o que resulta numa menor densidade da atmosfera terrestre a grandes altitudes.
Com uma atmosfera menos densa, o tempo de decaimento balístico (o tempo que um satélite leva a cair naturalmente e a queimar na reentrada) aumenta significativamente. Ao baixar a órbita, a Starlink garante uma redução superior a 80% neste tempo de decaimento durante o mínimo solar, passando de mais de quatro anos para apenas alguns meses.
A redução da altitude resulta na condensação das órbitas da Starlink e irá aumentar a segurança espacial de várias formas.
Afirmou Nicolls.
Starlink is beginning a significant reconfiguration of its satellite constellation focused on increasing space safety. We are lowering all @Starlink satellites orbiting at ~550 km to ~480 km (~4400 satellites) over the course of 2026. The shell lowering is being tightly…
— Michael Nicolls (@michaelnicollsx) January 1, 2026
Contexto recente e riscos não coordenados
Este anúncio surge num momento oportuno. Há poucas semanas, a Starlink admitiu que um dos seus satélites sofreu uma anomalia que gerou alguns detritos e o deixou fora de controlo.
Poucos dias antes, o mesmo Michael Nicolls tinha alertado para uma "quase colisão" com um lote de satélites chineses, que terão sido lançados sem uma coordenação adequada com outros operadores orbitais.
Com esta alteração, a Starlink pretende proteger ainda mais a sua constelação contra "riscos difíceis de controlar, como manobras e lançamentos não coordenados por parte de outros operadores de satélites".
A medida posiciona a empresa como um ator mais responsável num ambiente espacial cada vez mais concorrido.
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Agora é só ter cuidado com a cabeça quando vão à varanda
Este Podcast feito por AI….. qualquer dia ninguem escreve no pplware é tudo escrito por AI
Não, o texto é nosso. A voz, o alinhamento e algumas indicações recorrem a IA. No Pplware haverá sempre pessoas a escrever textos, a editar imagens, a fazer análises, a desenvolver guias práticos, a marcar presença em eventos e a realizar ensaios. A inteligência artificial é utilizada apenas como uma ferramenta de apoio.
No passado, quando surgiram os computadores, os profetas da desgraça anunciaram que, sem livros, sem máquinas de escrever e sem a escrita manual, o mundo se tornaria mais inculto, o desenvolvimento abrandaria e as pessoas empobreceriam intelectualmente. O tempo mostrou o contrário. As sociedades passaram a usar cada vez mais o computador, abrindo caminho a uma nova realidade intelectual, social e profissional. Mais tarde, com o aparecimento do Google e o desaparecimento das enciclopédias em DVD, os mesmos alertas regressaram: o mercado ficaria mais pobre, concentrado em poucos e o acesso à informação seria limitado.
Na prática, os motores de pesquisa democratizaram o acesso ao conhecimento, permitindo que milhares de milhões de pessoas chegassem a informação que nunca estaria ao seu alcance através de enciclopédias físicas. Hoje, esses mesmos profetas afirmam que a inteligência artificial vai eliminar o traço humano e condenar as pessoas à passividade. Não é isso que está em causa. A IA amplia a forma como se obtém informação, como se aprende, como se ensina, como se produzem conteúdos e como se compreende o mundo, desde que seja usada de forma crítica, com fontes fidedignas e possibilidade de comparação e contraditório.
Mas haverá sempre profetas da desgraça.