Monna Lisa, o gigantesco navio que enterra cabos até 3.000 metros de profundidade
Não estamos a falar de uma obra de arte pintada numa tela, mas sim lançada ao mar. Monna Lisa é o maior navio cablero do mundo, a par do seu “irmão”, o Leonardo Da Vinci. Capaz de instalar e enterrar cabos em simultâneo, opera com uma precisão ao centímetro.
Embora invisíveis aos nossos olhos, os cabos submarinos são os principais responsáveis pelo tráfego global da Internet. São essenciais e, por vezes, até motivo de tensão entre países. Alguns percorrem milhares de quilómetros, ligando continentes, como o cabo Nuvem, que liga Sines, em Portugal, a Myrtle Beach, nos Estados Unidos.
Mas como se instalam cabos de tamanha dimensão? A resposta tem nome: Monna Lisa.
Monna Lisa: um colosso flutuante ao serviço da conectividade global
O Monna Lisa é um navio de instalação de cabos (cable-laying vessel). A sua construção começou na Roménia em 2022, por encomenda da empresa italiana Prysmian, e custou 250 milhões de euros. Iniciou operações apenas este ano e a sua missão é clara: instalar cabos submarinos a profundidades que podem atingir os 3.000 metros.
Com 171 metros de comprimento e 34 metros de largura, é, juntamente com o Leonardo Da Vinci, o maior navio cablero atualmente em operação. Na China está a ser construído um ainda maior, com 215 metros, mas só deverá estar operacional em 2026.
O Monna Lisa transporta duas bobinas de cabo, uma de 7.000 e outra de 10.000 tonelada, tem capacidade para 120 pessoas, pode operar durante 90 dias consecutivos e atingir 16 nós de velocidade máxima.
Enterrar o invisível: tecnologia e precisão no fundo do mar
Antigamente, os cabos submarinos não eram enterrados, o que os tornava vulneráveis. Hoje, o enterro é prática padrão, e o Monna Lisa executa essa tarefa com um sistema simultâneo de instalação e enterramento.
Utiliza um arado subaquático, que escava uma vala de 2 a 3 metros, conforme o tipo de solo. O cabo é colocado nessa vala e, naturalmente, o sedimento cobre-o, garantindo a sua proteção. Este sistema chama-se Hydroplow, mas o navio também dispõe de robôs escavadores, usados em fundos mais duros.
Precisão centimétrica: um posicionamento sem falhas
Com tecnologia DP3, o Monna Lisa está equipado com o sistema de posicionamento dinâmico mais avançado, o que significa que nenhuma falha, mecânica, elétrica ou de software, fará com que perca a posição. Esta precisão centimétrica é vital para instalar cabos ao longo de grandes distâncias. Para garantir estabilidade, dispõe de um sistema de amarração com oito pontos.
O Monna Lisa faz parte de uma frota de dois navios da Prysmian, multinacional com sede em Milão. O “irmão” chama-se Leonardo Da Vinci, e um terceiro navio já está em construção, com previsão de entrega para 2027.
Em abril deste ano, o Monna Lisa foi carregado pela primeira vez e encontra-se a instalar cabos na costa leste dos Estados Unidos.






















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