OpenAI é “porta de entrada” da Disney para a IA, com outras empresas a ser incluídas no futuro
O investimento de mil milhões de dólares (em inglês, $1 billion) da Walt Disney Co. na OpenAI servirá como uma "porta de entrada" para a Inteligência Artificial (IA), num caminho tecnológico que a empresa precisa de percorrer. Na perspetiva do diretor-executivo, este passo terá um impacto significativo a longo prazo.
Disney decidiu "embarcar na onda" da IA
Na semana passada, a Walt Disney Co. anunciou um investimento de mil milhões de dólares na OpenAI, permitindo que os utilizadores criem vídeos com as suas personagens protegidas por direitos de autor no gerador de imagens e vídeos Sora.
Apesar das preocupações relacionadas com a possibilidade de a IA roubar propriedade intelectual, em particular a relacionada com personagens populares, a Disney deu um passo importante naquele que é um futuro inevitável.
Nenhuma geração humana jamais impediu o avanço tecnológico, e não pretendemos tentar. Sempre achámos que, se isso vai acontecer, incluindo a perturbação dos nossos modelos de negócio atuais, então devemos embarcar nessa onda.
Disse o diretor-executivo da Disney, Bob Iger, ao programa "Squawk on the Street" da CNBC.
No âmbito deste acordo, mais de 200 personagens, incluindo Mickey Mouse, Darth Vader e Cinderela, estarão disponíveis na plataforma através de um contrato de licenciamento de três anos, que será exclusivo da OpenAI apenas no início, segundo Iger.
Crescimento da OpenAI impressionou a Disney
À medida que novos produtos de IA ganharam força no mercado, várias empresas de media, incluindo a Disney, tomaram medidas legais, num esforço para proteger a sua propriedade intelectual, que consideravam estar a ser violada.
Na semana passada, por exemplo, antes do anúncio deste acordo com a OpenAI, a Disney enviou uma carta à Google, alegando que a empresa infringiu os seus direitos de autor em "grande escala".
Na carta, consultada pela CNBC, a empresa afirmou que a Google tem usado as suas obras protegidas por direitos de autor para treinar modelos e distribuir cópias do seu conteúdo protegido sem autorização.
Segundo Iger, a Disney tem sido "agressiva" na proteção da sua propriedade intelectual. Contudo, ele ficou "extremamente impressionado" com o crescimento da OpenAI, bem como com a sua disposição em licenciar conteúdo.
Queremos participar no que Sam está a criar, no que a sua equipa está a criar. Achamos que este é um bom investimento para a empresa.
Partilhou o diretor-executivo da Disney, explicando que o acordo com a OpenAI terá um impacto significativo a longo prazo nos negócios da empresa.
Por sua vez, o investimento da Disney é "um grande apoio à OpenAI", na opinião de Barton Crockett, analista sénior de pesquisa de media na Internet, à CNBC.
Acho que é crucial para uma empresa de criação de conteúdo, como a Disney, estar à frente disso.
Disse, explicando que é importante que empresas como a Disney compreendam a importância do conteúdo gerado por utilizadores e pela IA.
Acordo não ameaça os criativos da Disney
Relativamente aos artistas, Iger assegurou que o acordo da Disney com a OpenAI "não representa de forma alguma uma ameaça aos criadores", em parte porque as vozes dos personagens, bem como os nomes e imagens dos artistas, não estão incluídos.
Na sua perspetiva, pelo contrário, o acordo "honra[-os] e respeita[-os], em parte porque há uma taxa de licença associada a isso".
Barreiras de proteção intelectual devem evoluir
Segundo o diretor-executivo da OpenAI, Sam Altman, haverá barreiras de proteção em torno de como os personagens da Disney podem ser usados no Sora.
Na sua perspetiva, "é muito importante que permitamos que a Disney defina e evolua essas barreiras de proteção ao longo do tempo", sendo "claro que elas estarão lá".























