Hoje na História dos Computadores: Google, de um projeto académico à gigante tecnológica
Muitos confundem a Internet com o Google. Outros entendem que o ciberespaço começou com o nascimento da Google. Apesar de estarem os dois errado, a verdade é que desde o aparecimento deste projeto, o mundo nunca mais foi o mesmo.
De projeto académico, à "quase dona disto tudo". Vamos conhecer um pouco da história desta empresa, na nossa rubrica Hoje na História dos Computadores.
BackRub e as origens em Stanford
O Google nasceu em 1998, mas a sua história começa alguns anos antes, na Universidade de Stanford. Larry Page e Sergey Brin, dois estudantes de doutoramento, desenvolveram um motor de pesquisa experimental chamado BackRub.

Em fevereiro de 1999, a Google mudou-se da sua humilde garagem para a sua nova sede na 165 University Avenue, em Palo Alto, com a ajuda do financiamento recentemente adquirido. Este era também o mesmo edifício de escritórios que albergava empresas como a PayPal e a Logitech. A Google também contratou o seu primeiro funcionário, Craig Silverstein, que permaneceu na empresa durante mais de dez anos antes de sair para trabalhar na Khan Academy.
A inovação estava no algoritmo PageRank, que avaliava a relevância das páginas com base nos links recebidos, algo revolucionário face aos motores de pesquisa da época.
Top motores de pesquisa antes do Google
- AltaVista: lançado em 1995, foi durante anos o motor de pesquisa mais rápido e avançado, destacando-se pela capacidade de indexar grandes volumes de páginas.
- Yahoo!: inicialmente um diretório organizado manualmente, tornou-se o ponto de entrada para a internet de milhões de utilizadores nos anos 90.
- Lycos: um dos primeiros motores de pesquisa comerciais, muito popular pela integração com serviços adicionais e conteúdos multimédia.
- Excite: apostava na análise semântica dos termos pesquisados, algo inovador para a época, combinando pesquisa com portal de notícias.
- Ask Jeeves: diferenciava-se por permitir pesquisas em forma de perguntas diretas, numa tentativa precoce de tornar a pesquisa mais “humana”.
A fundação da empresa
Em setembro de 1998, Page e Brin fundaram oficialmente a Google Inc., numa garagem em Menlo Park, Califórnia.
O nome deriva de “googol”, o termo matemático que representa o número 1 seguido de 100 zeros, refletindo a ambição de organizar uma quantidade praticamente infinita de informação. Desde cedo, o foco foi claro: resultados rápidos, relevantes e uma interface simples.
Crescimento e inovação contínua
No início dos anos 2000, a Google começou a crescer de forma acelerada. Em 2000 surge o Google AdWords, que viria a tornar-se a principal fonte de receitas da empresa. Em 2004, a Google lança o Gmail, redefinindo o conceito de correio eletrónico com 1 GB de armazenamento gratuito, algo inédito na altura.
Nesse mesmo ano, a empresa entra em bolsa, consolidando a sua posição no mercado tecnológico global.

Foto de equipa dos membros da crescente equipa do Google em Palo Alto, Califórnia, agosto de 1999, antes da mudança para Mountain View. Fotografia: Google Llc Handout/EPA
Expansão para novos produtos e plataformas
A partir de 2005, a Google deixa de ser apenas um motor de pesquisa.
E o Google Maps?
Nesse mesmo ano, foi lançado o Google Maps. Mais concretamente no dia 8 de fevereiro de 2005. Esta plataforma usava imagens de satélite, o que ajudou muito após o furacão Katrina.
Inicialmente criada como um programa em C++ por dois irmãos dinamarqueses, a Where 2 Technologies foi outra empresa disruptiva adquirida pela Google em 2004.
A Google também adquiriu outra empresa semelhante, a Keyhole, no mesmo mês, que mais tarde foi usada para criar o Google Earth e adicionar funcionalidades ao Google Maps.

O Google Maps usa um símbolo semelhante a um «alfinete» para indicar a localização de um lugar. Mas em cidades muito grandes, com milhares de empresas, é difícil localizar um lugar específico entre tantos alfinetes. É aí que o Google entra em cena, oferecendo a exibição do logótipo da empresa em vez do alfinete padrão.
E o YouTube?
Outro alto histórico foi a aquisição do YouTube em 2006 marcou a entrada decisiva no vídeo online.
Conforme reza a história, a Google comprou o YouTube, o serviço de partilha de vídeos, em 2006, por 1,65 mil milhões de dólares, mas isso foi considerado um grande risco, uma vez que o YouTube estava repleto de conteúdos protegidos por direitos de autor que os utilizadores carregavam sem autorização e enfrentava potenciais processos judiciais.
E o Google Chrome?
Em 2008, o lançamento do Google Chrome mudou o mercado dos navegadores, apostando na velocidade, segurança e integração com serviços web.
Uma grande parte dos custos do Google era devido aos royalties que tinha de pagar a diferentes navegadores para se manter como motor de pesquisa predefinido. Para combater isso, a dupla fundadora contratou vários programadores do Mozilla Firefox para criar um navegador próprio do Google.
Eric Schmidt opôs-se à ideia inicialmente, mas ficou impressionado depois de ver o produto demonstrativo.
O Google Chrome foi lançado oficialmente como versão beta em 2 de setembro de 2008 para Windows XP. Era um navegador minimalista que, assim como o Google, revolucionou o mercado existente e abriu caminho com facilidade.
Depois veio Android!!!
No mesmo período, a Google aposta fortemente no mobile com o Android, hoje o sistema operativo mais utilizado em smartphones a nível mundial.

A Google comprou o Android de uma empresa independente chamada Android Inc. Estas foi fundada alguns anos antes da Google a comprar, no primeiro semestre de 2003. O cofundador mais conhecido da empresa de Palo Alto era Andy Rubin, que já havia trabalhado para empresas como a MSN e a Apple. Foi na Apple que Rubin teria recebido o apelido de «Android», quando os seus colegas de trabalho perceberam o seu amor por robôs.
O sistema operativo Android mantém, atualmente, uma posição absolutamente dominante no mercado móvel global, tanto em número de utilizadores como em quota de mercado.
Estima-se que existam cerca de 3,9 mil milhões de utilizadores ativos de Android em smartphones em todo o mundo, um valor que demonstra a enorme penetração da plataforma à escala global. Este número faz do Android o sistema operativo móvel mais utilizado do planeta, muito à frente de qualquer concorrente direto.
Em termos de quota de mercado, o Android concentra aproximadamente 72 a 73% do mercado mundial de sistemas operativos móveis, enquanto o iOS se situa na ordem dos 27 a 28%. Esta diferença evidencia a forte presença do Android, sobretudo em dispositivos de gama média e de entrada.
A reorganização sob a Alphabet
Em 2015, a Google anuncia uma profunda reestruturação. Nasce a Alphabet, um conglomerado que passa a controlar a Google e outros projetos mais experimentais, como inteligência artificial, saúde e veículos autónomos.
Esta mudança permitiu separar o negócio principal de publicidade e serviços digitais das apostas de longo prazo.
O que é a Alphabet?
A Alphabet é a holding criada em 2015 para agrupar a Google e várias empresas com focos distintos, desde publicidade digital a biotecnologia e inteligência artificial. Estas são as principais empresas sob o seu “guarda-chuva”.
Google e serviços principais
A Google continua a ser o núcleo da Alphabet e inclui os serviços mais conhecidos:
- YouTube
- Android
- Google Search
- Google Maps
- Gmail
- Google Chrome
- Google Cloud
Outras apostas estratégicas da Alphabet
Fora do universo direto da Google, a Alphabet controla várias empresas independentes, cada uma com um objetivo específico.
- Waymo: focada no desenvolvimento de veículos autónomos e serviços de robotáxi.
- DeepMind: centro de investigação em inteligência artificial avançada, responsável por avanços científicos relevantes.
- Verily: empresa dedicada à saúde, biotecnologia e dispositivos médicos.
- Calico: projeto focado na investigação do envelhecimento e da longevidade humana.
- X: laboratório de inovação radical, onde nasceram projetos como os balões de internet e tecnologias energéticas.
- GV: braço de capital de risco da Alphabet, investindo em startups tecnológicas.
- CapitalG: fundo focado em empresas tecnológicas já em fase de crescimento.
Uma estrutura pensada para o futuro
A criação da Alphabet permitiu separar o negócio altamente rentável da Google das apostas de longo prazo e maior risco.
Esta estrutura dá mais transparência financeira e liberdade estratégica, tornando o grupo um dos mais diversificados e influentes do setor tecnológico global.
Google hoje. Impacto e desafios
Atualmente, a Google é uma das empresas mais influentes do mundo digital. Está presente na pesquisa online, publicidade, sistemas operativos, cloud, inteligência artificial e hardware. Ao mesmo tempo, enfrenta desafios significativos relacionados com privacidade, concorrência e regulação, especialmente na Europa.
Apesar das críticas, o papel da Google na forma como acedemos à informação, comunicamos e usamos a tecnologia é inegável. O projeto académico de dois estudantes transformou-se numa infraestrutura essencial da internet moderna, moldando o quotidiano de milhares de milhões de pessoas em todo o mundo.






















PCs -> Web -> Mobile -> AI
A Google domina a web, o mobile, e criou a IA com o paper ‘Attention is All You Need’ e o AlphaGo. O Aluminium OS será o Checkmate final na microsoft. O futuro será tudo cloud. Até a Apple escolheu a IA da google.
gmail foi durante muito tempo invite only, fui dos primeiros a ter, no inicio davam 5 invites depois aumentaram para 10 e mais tarde para 50 até que desapareceu o invite only
A verdade é que a Google confunde-se com a própria internet, hoje em dias as pessoas dizem logo, vai ao Google.
Por acaso ultimamente vou preferencialmente aos chatbots IA.
Steve Jobs foi mentor dos fundadores da Google. Os laços romperam-se quando, a seguir ao lançamento do IPhone, em 2007, a Google lançou o Android, em 2008. Até então a Google nunca deu qualquer indicação de estar a trabalhar num produto concorrente, inclusivamente,
Eric Schmidt foi CEO da Google entre 2001 e 2011 e integrou o Conselho de Administração da Apple entre 2006 e 2009. Saiu da administração da Apple devido a conflitos de interesses, à medida que a Google (com o Android) se tornou concorrente direta da Apple no mercado dos smartphones.
O que não quer dizer que as duas empresas não tenham feito parcerias de valores fantabolásticos.
Na altura era uma empresa magnifica, e durante anos, agora até mete nojo.
Já foi uma boa empresa e motor de pesquisa. Hoje em dia omite muitas páginas…