Ariane 6: um lançamento muito importante para a independência da Europa
Recentemente abordámos a importância de a Europa dispor de uma alternativa autónoma à SpaceX no acesso ao espaço. Nesse contexto, a quinta missão do Ariane 6 marcou um passo decisivo ao colocar em órbita dois satélites Galileo, numa operação totalmente soberana, realizada sem qualquer dependência de terceiros.
A libertação? Durante longos meses, a União Europeia (UE) encontrou-se sem acesso à órbita, numa altura em que a soberania se impõe como um desafio crucial.
Em causa estiveram, nomeadamente, os atrasos prolongados do Ariane 6, que levaram os decisores a recorrer à SpaceX para lançar satélites Galileo. Um fracasso contundente, que pertence agora ao passado.

É um sistema civil europeu: o Galileo é o primeiro sistema de navegação por satélite concebido especificamente para uso civil, sob controlo da União Europeia, ao contrário do GPS norte-americano ou do GLONASS russo, que têm origem militar.
Sistema europeu de geolocalização
A 17 de dezembro, um foguetão Ariane 6 colocou em órbita dois aparelhos da constelação Galileo a partir do Centro Espacial de Kourou, na Guiana.
Desenvolvido pela União Europeia (UE) e pela Agência Espacial Europeia (ESA), este sistema de navegação por satélite concorre diretamente com o GPS norte-americano, o GLONASS russo e o BeiDou chinês.
Objetivo: fornecer serviços de geolocalização, navegação e sincronização em todo o planeta, graças a cerca de trinta aparelhos em órbita média.
Trata-se do 14.º lançamento no âmbito do programa Galileo.
Os satélites SAT 33 e SAT 34 serão colocados numa órbita terrestre média, a uma altitude de cerca de 22 922 km.
Referiu a Arianespace.
Até à data, a maioria dos satélites foi lançada pelo Ariane 5, retirado de serviço em 2023, bem como pelo foguetão russo Soyuz. Contudo, a UE pôs fim a esta parceria após a invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022.
🚀✨ Relive the moment!
Watch the replay of #Ariane6 lifting off on mission #VA266, carrying SAT 33 and SAT 34, the satellites of the 14th operation launch for the Galileo programme. pic.twitter.com/xBWsKrNYsi
— Arianespace (@Arianespace) December 17, 2025
Fim de um longo período de indefinição
A escolha era então drástica: arriscar perturbar o serviço Galileo, também utilizado para aplicações de segurança e defesa, ou recorrer a um operador não europeu. Foi a segunda opção que acabou por ser privilegiada.
Este lançamento do Ariane 6 põe assim termo a um período de indefinição na Europa e consolida a fiabilidade do novo foguetão pesado, inaugurado em julho de 2024.
A partir de 2026, a Arianespace e a ESA apontam para cerca de 6 a 8 lançamentos por ano. Estes incluem missões institucionais e voos comerciais, nomeadamente para colocar em órbita baixa satélites da constelação LEO da Amazon.
Esta cadência, associada aos 4 a 5 lançamentos anuais do Vega C, permanece, ainda assim, muito abaixo das capacidades norte-americanas e chinesas.
























Isto sim, mete o programa do Ricardo a léguas.
Boa sorte tentar competir com a SpaceX com um foguetão descartável. Competição com a SpaceX é o New Glenn, isso sim. Pelo menos enquanto a Starship não está operacional, porque assim que estiver até o New Glenn fica na sombra.