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Mais do que relógios: sabia que já existem pulseiras, anéis e brincos com sensores?

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Cada vez mais valorizada, a monitorização da saúde deixou de estar confinada ao pulso e aos ecrãs, indo além dos relógios. Um conjunto de marcas, algumas ainda em fase embrionária, está a apostar em pulseiras, anéis e até brincos que se confundem com joalharia, por forma a oferecer acompanhamento do sono, da recuperação física e do ciclo menstrual.

Durante largos anos, o mercado dos wearables de saúde foi dominado pelo formato de relógio inteligente, com nomes como a Garmin, a Apple e a Samsung a servir de referência incontornável. Nos últimos anos, contudo, o setor tem-se fragmentado e os utilizadores têm conhecido novos formatos.

Uma parte dessa diversificação está a ser conduzida por startups que combinam sensores biométricos com design de joalharia, dirigindo-se especialmente a um público feminino que procura discrição sem abdicar de dados de saúde precisos. A par destas startups, mantém-se a aposta de marcas já consolidadas no setor, que continuam a alargar o catálogo de dispositivos, direcionando-os para a saúde da mulher.

Brincos que seguem o ciclo menstrual

A norte-americana Incora Health é um dos exemplos mais recentes desta abordagem. A empresa está a desenvolver brincos inteligentes que monitorizam frequência cardíaca, sono e atividade física, cruzando esses dados com o ciclo menstrual da utilizadora através de Inteligência Artificial (IA).

O produto ainda não está à venda, encontrando-se em fase de lista de espera, mas já foi noticiado por publicações como a Women’s Wear Daily (WWD), demonstrando o interesse que este tipo de proposta tem gerado no setor, bem como o seu potencial.

Também para a orelha trabalha a Lumia Health, que já vai na segunda geração do seu brinco. Além de sono, atividade e ciclo menstrual, a marca destaca a monitorização do fluxo sanguíneo junto à orelha como o seu destaque face à concorrência, uma métrica que a empresa apresenta como pouco explorada pelos wearables tradicionais.

A equipa da Lumia inclui profissionais com experiência em empresas como a Bose, a Peloton, a Philips e a Whoop, e o dispositivo está disponível em acabamentos de ouro, prata e titânio, com preço de 249 dólares e uma subscrição mensal a partir de 9,99 dólares.

Pulseiras sem ecrã, com foco na discrição

No formato de pulseira, a Lumysi propõe um wearable sem ecrã, construído em titânio, com bandas intercambiáveis em aço inoxidável, pele e silicone. O dispositivo segue sono, recuperação, stress e atividade, e encontra-se atualmente em campanha de financiamento no Kickstarter.

Por sua vez, a Natural Cycles, conhecida pela sua aplicação de planeamento familiar natural baseada na temperatura corporal, lançou este ano a NC° Band, uma pulseira que substitui o termómetro utilizado anteriormente pela marca. Usada apenas durante a noite, a banda deteta automaticamente o momento em que a utilizadora adormece e regista temperatura, frequência cardíaca e movimento de forma contínua, com autonomia até 14 noites, ao preço de 129,99 dólares.

Anéis são o formato mais maduro desta panóplia

Entre os formatos alternativos ao relógio, o anel inteligente é, atualmente, o mais consolidado. A Oura, no mercado desde 2015, continua a ser a referência da categoria, com funcionalidades de sono, recuperação e prontidão diária amplamente testadas e validadas ao longo dos anos. A mais recente geração do seu anel inteligente custa, em Portugal, a partir de 429 euros.

A marca tem, inclusivamente, uma relação direta com a Natural Cycles, sendo um dos dispositivos compatíveis com a monitorização de temperatura da aplicação.

A Samsung entrou também neste mercado com o Galaxy Ring, apresentado em 2024. Com corpo em titânio de grau 5 e três acabamentos (preto, prateado e dourado), a proposta da sul-coreana está esgotada em Portugal, mas o preço começa nos 359,90 euros.

O anel monitoriza sono, frequência cardíaca, stress e ciclo menstrual, calculando uma pontuação diária de energia visível na aplicação Samsung Health, sem necessidade de subscrição mensal para aceder às funcionalidades principais, ao contrário do modelo de negócio da Oura.

Galaxy Ring da Samsung

Mais recentemente, marcas fora do setor tecnológico têm procurado entrar neste mercado. A Reebok, por exemplo, lançou o seu próprio Smart Ring, disponível em acabamentos preto fosco, prateado fosco e dourado brilhante.

Pplware’s take: um mercado com muito por onde crescer

Estamos perante um setor em transição, no qual o design discreto e a estética de joalharia começam a disputar espaço com o formato tradicional de relógio inteligente, especialmente junto de um público interessado em dados de saúde ligados ao ciclo menstrual e à fertilidade.

Infelizmente, grande parte destas propostas mais recentes, especialmente as que ainda dependem de listas de espera ou de campanhas de financiamento coletivo, nasce no mercado norte-americano, onde o investimento em startups de saúde digital é significativamente mais elevado.

A chegada destes dispositivos à Europa e a Portugal não está, por isso, garantida a curto prazo, e dependerá tanto do sucesso comercial nos Estados Unidos como do cumprimento de exigências regulatórias específicas do mercado europeu.

Ainda assim, o interesse crescente por este tipo de tecnologia, visível na expansão de marcas já estabelecidas como a Oura, sugere que não será de excluir que, no espaço de alguns anos, também os consumidores portugueses tenham acesso a wearables com este tipo de aspeto e funcionalidades.

Comentários

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  1. Avatar de RicM
    RicM

    Eu queria mesmo era anel só com motor vibratório para notificação de chamadas e mensagens; nada de sensores.

    Alguém conhece algo assim?