Vodafone e outras gigantes europeias juntam-se para desafiar a Starlink no espaço
A Deutsche Telekom, Orange, Vodafone e Telefónica estão a negociar a criação de um consórcio para disputar espetro de satélite da União Europeia (UE) e avançar com serviços de conectividade direta para telemóveis, uma estratégia que pode travar o domínio da Starlink no continente.
Segundo a Bloomberg, que cita fontes próximas do processo, as quatro maiores operadoras móveis europeias encontram-se em conversações preliminares para formar uma aliança conjunta. O objetivo passa por apresentar uma proposta única a um concurso de espetro na banda dos 2 GHz, que a Comissão Europeia pretende reservar a um operador europeu.
Esta reserva de espetro insere-se numa estratégia mais ampla de Bruxelas para reforçar a autonomia satélite do bloco. Em maio, a UE já tinha anunciado planos para atribuir a maior fatia do espetro destinado a serviços móveis por satélite a empresas europeias, reduzindo simultaneamente a parcela disponível para operadoras norte-americanas.
De recordar que nenhuma decisão final foi tomada até ao momento, nem sobre a formação do consórcio nem sobre uma eventual candidatura ao concurso.
Contactadas pela Bloomberg, a Vodafone, a Orange e a Telefónica não quiseram comentar o assunto, enquanto a Deutsche Telekom não respondeu de imediato aos pedidos de esclarecimento.

Porque é que este passo da Vodafone e outras importa
O espetro em disputa está diretamente ligado à constelação IRIS2, a resposta europeia à Starlink, liderada pela Comissão Europeia em conjunto com a SES, a Eutelsat e a Hispasat.
Do total de satélites previstos para uso comercial, dois terços foram reservados para exploração comercial, divididos em partes iguais entre operadores europeus e não europeus. Neste contexto, é a fatia europeia que o consórcio pretende disputar.
Quem controlar esta banda de espetro decide se a Starlink atua como fornecedora ou como concorrente direta no mercado europeu.
Atualmente, a tecnologia da SpaceX já permite enviar mensagens e chamadas para telemóveis comuns diretamente a partir do espaço, sendo inclusivamente comercializada através de operadoras como a própria Deutsche Telekom.
O que a Starlink não pode fazer, para já, é operar esse serviço de forma independente na UE, por não deter espetro próprio na região.
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