O Sistema Volta ainda não completou seis meses de vida e já mostra sinais de que precisa de ajustes. A ministra do Ambiente reconheceu, esta semana, que há problemas na implementação do novo Sistema de Depósito e Reembolso (SDR), mas garante que estão a ser tratados um a um.
Em declarações feitas em Bruxelas, a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, confirmou que o Sistema Volta tem gerado dores de cabeça a consumidores e autarquias, com destaque para as embalagens que são abandonadas na via pública em vez de irem parar às máquinas de recolha.
Segundo a governante, este tipo de contratempo não é exclusivo de Portugal.
É um sistema europeu que vai ser obrigatório em todos os países europeus e nós fomos o 18.º país a implementar esse sistema. Em todos eles, no início, houve perturbações.
Explicou a ministra, sublinhando que, apesar da complexidade, o sistema é essencial para aumentar a reciclagem de garrafas de plástico e latas.
Com muitas dúvidas e críticas em cima da mesa, já vimos que Portugal não está a testar o sistema Volta sozinho. Ainda que sob nomes diferentes, os sistemas de depósito e retorno, conhecidos pela sigla SDR, em português, já existem há décadas em vários países europeus e continuam a ser implementados noutros.
Festivais e pessoas a apanhar garrafas do Volta
Entre os problemas já identificados, a ministra destacou os grandes eventos e festivais, onde a afluência de pessoas e o consumo elevado de bebidas em embalagens descartáveis testaram os limites do sistema logo nos primeiros meses. Essa situação, garante, já está resolvida.
Mais preocupante é o fenómeno de pessoas a remexer no lixo à procura de garrafas e latas para conseguir o reembolso de 10 cêntimos por embalagem.
Para travar esta prática, o Governo está a estudar a colocação de recipientes próprios junto aos pontos de deposição de resíduos, para que estas embalagens não acabem misturadas no lixo comum.
Mais máquinas e reforço da fiscalização
A ministra reconheceu que parte dos problemas resulta da inexistência de locais suficientes onde os consumidores possam entregar as embalagens, defendendo a necessidade de aumentar o número de máquinas, especialmente modelos de maior capacidade.
Estão ainda a decorrer reuniões com o setor da hotelaria e restauração, área onde a aplicação prática do sistema tem levantado dúvidas e dificuldades operacionais.
Quanto à fiscalização, Maria da Graça Carvalho esclareceu que a responsabilidade é partilhada entre a SDR Portugal, a entidade sem fins lucrativos que gere o sistema, e os municípios, que continuam encarregues da recolha e gestão de resíduos a nível local.
Por fim, a ministra defende um maior envolvimento das câmaras municipais, nomeadamente na escolha da localização das máquinas.
Leia também:
Sistema Volta: sabia que é possível devolver dezenas de embalagens de uma vez?




















