Há nomes da Internet que pareciam destinados a ficar apenas na memória dos utilizadores mais antigos. A MapQuest é um deles. Falámos deste serviço há 20 anos, parecia já sem vitalidade, mas o não a Trump deu-lhe uma nova vida.
Sim, este serviço foi lançado há 30 anos. O histórico serviço de mapas voltou inesperadamente aos holofotes e está a conseguir números impressionantes.
A razão é curiosa: a empresa recusou alterar o nome do Lago Ontário para “Lake America”, ao contrário do que aconteceu no Google Maps.
Google Maps aceitou “Lake America”. MapQuest disse que não
Donald Trump assinou, a 27 de agosto, uma ordem executiva para que o Departamento do Interior dos Estados Unidos passasse a utilizar a designação “Lake America” para o Lago Ontário.
A alteração chegou entretanto ao Geographic Names Information System (GNIS), a base de dados utilizada pelo governo norte-americano para os nomes geográficos oficiais.
A Google segue precisamente esta base de dados e, por isso, atualizou o Google Maps. Nos Estados Unidos, os utilizadores passaram a encontrar “Lake America”, enquanto no Canadá continua a aparecer “Lake Ontario”.
Nos restantes países podem ser apresentadas as duas designações.
A MapQuest decidiu seguir outro caminho. A empresa publicou uma mensagem bastante simples nas redes sociais:
“We’re not changing it.”
Ou seja, para a MapQuest, continua a ser Lago Ontário.
We’re not changing it. pic.twitter.com/NdeE9v2BNO
— MapQuest (@MapQuest) August 27, 2026
A empresa já tinha adotado uma posição semelhante quando Trump determinou a utilização da designação “Gulf of America” para o Golfo do México.
Utilizadores responderam… instalando a MapQuest
A posição poderia ter ficado apenas por mais uma polémica nas redes sociais. Contudo, aconteceu algo bastante mais interessante.
Os utilizadores começaram a instalar a MapQuest em massa.

Segundo dados da Sensor Tower, durante a semana iniciada a 24 de agosto foram registadas cerca de 184 mil instalações da MapQuest em todo o mundo, das quais aproximadamente 162 mil aconteceram nos Estados Unidos.
Isto representa um crescimento superior a 10 vezes face a uma semana normal. Entre 26 e 30 de agosto, as instalações diárias nos Estados Unidos cresceram ainda cerca de 128%.
Mais impressionante ainda é a utilização do serviço, que passou para cerca de 50 vezes os níveis habituais.
MapQuest chegou ao primeiro lugar
O efeito refletiu-se rapidamente nas tabelas da App Store (não disponível em Portugal).
Nos Estados Unidos, a MapQuest chegou ao primeiro lugar entre as aplicações gratuitas de navegação, ao quarto lugar entre as aplicações gratuitas excluindo jogos e ao oitavo lugar da classificação geral da App Store.
No Canadá, chegou entretanto ao primeiro lugar entre as aplicações gratuitas.
É um resultado particularmente curioso para um serviço lançado em 1996, quase uma década antes do aparecimento do Google Maps.
Antes dos smartphones e da navegação GPS se tornarem comuns, a MapQuest foi uma das referências da Internet.
O utilizador introduzia o ponto de partida e o destino no computador e recebia instruções que, muitas vezes, eram simplesmente impressas e levadas para o carro.
Com a chegada do Google Maps, dos smartphones e posteriormente do Apple Maps, a MapQuest perdeu grande parte da relevância que tinha conquistado.
Agora, três décadas depois, uma polémica geográfica devolveu-lhe inesperadamente protagonismo.
E a Apple?
Por enquanto, o Apple Maps continua a apresentar a designação Lago Ontário.
Contudo, Donald Trump terá contactado diretamente a Apple para pedir que a empresa adote também a designação “Lake America”.
O secretário do Interior norte-americano, Doug Burgum, confirmou esse contacto, embora a Apple não tenha ainda anunciado qualquer alteração.
No caso do Golfo do México, recorde-se, tanto a Apple como a Google acabaram por adotar “Gulf of America” para os utilizadores norte-americanos.
A questão do Lago Ontário poderá, portanto, ainda ter novos capítulos.
O episódio mostra também algo curioso: numa altura em que Google Maps e Apple Maps dominam claramente a navegação móvel, bastou uma decisão aparentemente simples sobre o nome apresentado num mapa para trazer de volta uma das marcas históricas da Internet.
E os números mostram que, pelo menos desta vez, dizer “não” teve um efeito bastante positivo para a MapQuest.






















