Catorze anos depois de ter chegado aos smartphones, o Candy Crush Saga continua a ser um dos jogos mais rentáveis do mundo mobile. Num mercado onde a maioria dos títulos perde relevância ao fim de poucos meses, este puzzle de rebuçados coloridos mantém-se surpreendentemente vivo, e a gerar dinheiro.
De acordo com dados citados pela Bloomberg, o Candy Crush Saga gerou 876,5 milhões de dólares em receitas no ano fiscal de 2025, valor que provém especialmente de compras dentro da aplicação.
Este número representa uma ligeira descida face aos seis anos anteriores, período durante o qual o jogo ultrapassou consistentemente a marca dos mil milhões de dólares anuais, segundo a Business of Apps. Ainda assim, tratando-se de um jogo lançado em 2012, pela produtora sueca King, os números continuam a ser impressionantes.
O modelo de negócio assenta no formato freemium: o jogo é gratuito, mas os utilizadores podem pagar por vidas extra, boosters e passes especiais para avançarem mais depressa pelos mais de 23 mil níveis já disponíveis.
A King não tem revelado dados financeiros detalhados nos últimos anos, mas em 2023 anunciou ter ultrapassado os 20 mil milhões de dólares em receitas acumuladas, além de cinco mil milhões de instalações em todos os jogos da franquia, que inclui também Soda Saga, Jelly Saga e Friends Saga.
Uma base de utilizadores que resiste ao tempo
Segundo David Curry, editor de dados da plataforma Business of Apps, o jogo original conta atualmente com cerca de 81,5 milhões de utilizadores ativos mensais, tendo sido instalado mais de 190 milhões de vezes entre Android e iOS apenas em 2025.
Para efeitos de comparação, no processo de Oferta Pública Inicial, ou Initial Public Offering (IPO) de 2014, a King revelou que o Candy Crush Saga tinha 93 milhões de utilizadores ativos diários em dezembro de 2013.
Apesar de as métricas não serem diretamente comparáveis (diários versus mensais), os números sugerem que a base de jogadores não sofreu um colapso significativo ao longo da última década.
Porque é que o Candy Crush continua a conquistar jogadores?
A popularidade duradoura do jogo continua a intrigar a comunidade de gaming mobile, mas há alguns detalhes que ajudam a explicar o fenómeno.
Uma das razões apontadas é o formato “por turnos” do jogo, que permite ao jogador pausar a qualquer momento e retomar exatamente onde ficou, sem qualquer penalização. Esta característica torna o Candy Crush particularmente compatível com o dia a dia moderno, encaixando-se em pequenos intervalos de tempo livre.
Segundo Paula Ingvar, diretora-geral do Candy Crush Saga, a fórmula do sucesso assenta na ideia de proporcionar “a satisfação de progredir com pequenas vitórias”, em sessões de 10 a 20 minutos, sem obrigar o jogador a terminar um nível de uma só vez.
Por sua vez, David Nieborg, professor de estudos de media e plataformas na Universidade de Toronto, aponta o facto de o jogo ser “não localizado, não genderizado e não racializado” como outro fator de sucesso.
Ou seja, ao contrário de muitos títulos que dependem de referências culturais ou demográficas específicas, o Candy Crush consegue apelar a jogadores de qualquer geografia, língua, cultura ou estrato socioeconómico.
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