Cientistas “hackearam” o ADN para criar cães à prova de alergias
Uma equipa de cientistas conseguiu, pela primeira vez, modificar geneticamente cães para eliminar a proteína responsável pela maioria das reações alérgicas em humanos. O resultado são duas beagles, Bailey e Alfie, que já provam que a técnica funciona.
Milhões de pessoas em todo o mundo adorariam ter um cão, mas as alergias impedem-nas de o fazer. Até os chamados cães "hipoalergénicos", como os poodles ou os goldendoodles, continuam a libertar proteínas alergénicas através da saliva, do pelo e da caspa, pelo que raramente resolvem o problema por completo.
Neste cenário, a equipa da Kindred Companion Sciences, empresa do geneticista Matt Walker, ele próprio alérgico a cães desde criança, decidiu explorar uma abordagem diferente.
Em vez de escolher uma raça que produzisse "menos" alergénio, a equipa optou por eliminar geneticamente o alergénio principal na origem.
Como funciona a edição genética
Descrito num artigo publicado na revista CRISPR Journal, o processo começou em laboratório, com a edição de células de pele caninas através da técnica CRISPR, a mesma tecnologia de edição genética que valeu o Prémio Nobel às suas criadoras, em 2020.
Os investigadores desligaram o gene principal responsável pela produção da proteína que desencadeia a maioria das reações alérgicas em humanos.
Depois, o material genético editado foi transferido para óvulos, implantados numa beagle que serviu de barriga de aluguer.
Em setembro de 2024 nasceram duas crias saudáveis, Bailey e Alfie. Testes posteriores à saliva e ao pelo das cadelas não detetaram vestígios da proteína alergénica visada.

Matt e Maggie Walker posam para uma fotografia com Bailey, uma beagle geneticamente modificada, em Nova Iorque, a 4 de agosto de 2026. Crédito: Mary Conlon/AP, via Inside Politics
Para confirmar os resultados na prática, os investigadores realizaram um teste cutâneo a Walker, expondo a sua pele a extratos de saliva e caspa de várias raças.
A pele reagiu a amostras de um poodle e de um goldendoodle, mas não às amostras recolhidas de Bailey e Alfie.
Nem tudo está resolvido
Apesar do sucesso da experiência, os cientistas sublinham que ainda há um longo caminho a percorrer.
Afinal, será necessário acompanhar a saúde destes animais a longo prazo, uma vez que tentativas anteriores de criar cães hipoalergénicos através de clonagem resultaram em animais mais frágeis, devido à reduzida diversidade genética.
Além disso, a questão da escala. Ou seja, o gene alterado em Bailey e Alfie é comum a todas as raças de cães, e a empresa pretende testar a técnica noutras raças, por forma a tentar criar uma linhagem mais alargada.
Investigadores independentes, como o patologista Jeff SoRelle, alertam ainda que esta proteína, mesmo sendo a principal, não é a única responsável por reações alérgicas, pelo que a eficácia real da técnica terá de ser testada num grupo mais vasto de pessoas alérgicas.
Do lado ético, o bioeticista Arthur Caplan, da Universidade de Nova Iorque, aponta um efeito colateral: se estes cães se tornarem populares, podem desviar a atenção e a procura dos animais em canis e associações de adoção, que continuam à espera de um lar.
Imagem: Mary Conlon/AP, via The Guardian























Se o problema sao as alergia podem optar pelo Cão de água Português. É conhecido por ser dos que menos (raramente) geram reações alérgicas em humanos.
Lá se vai as defesas do animal contra seres indesejados, tudo isso só para servir de mascote ou fazer companhia a alguém insuportável e egoísta, que vai fechar o animal em casa e nunca lhe irá arranjar companheira canina para procriar, viva à eliminação da alergia ao futuro dono!
os Hackers viraram cientistas… ou foram os Cientistas que viraram Hackers!?
Andam a brincar aos Deuses.
Eu preferia um que durasse no máximo 5 anos para coincidir com o tempo máximo das minhas relações.