Nova solução da Grécia para combater incêndios poderia servir de inspiração para Portugal
Com o país a ser alvo de incêndios devastadores com frequência, a Grécia avançou com uma rede própria de satélites equipados com Inteligência Artificial (IA), capaz de detetar um incêndio com apenas quatro metros de diâmetro e enviar o alerta às equipas de bombeiros em tempo quase real.
Os incêndios no verão mediterrânico podem tornar-se incontroláveis em poucos minutos, e a Grécia conhece essa verdade, assim como Portugal.
O país grego ainda recorda o fogo de 2018 perto de Atenas, que matou mais de 100 pessoas, e o incêndio de 2023, que se tornou o maior já registado na União Europeia (UE).
Com um histórico nada invejável, em maior, a Grécia lançou para órbita baixa quatro pequenos satélites, cada um mais compacto do que uma bagagem de mão, tornando-se o primeiro país a integrar uma constelação própria dedicada à deteção de incêndios no seu sistema nacional de proteção civil.

Michel Farah, engenheiro de software da OroraTech, a trabalhar numa réplica de um satélite de deteção de incêndios florestais nas instalações da empresa, em Atenas, na Grécia, no dia 18 de junho de 2026. Crédito: Petros Giannakouris/AP Photo
Sensores térmicos e IA em ação no combate a incêndios
Os satélites foram construídos pela empresa alemã OroraTech e equipados com sensores térmicos capazes de identificar focos de incêndio a partir de apenas quatro metros de largura, uma sensibilidade superior à dos satélites tradicionais.
Quando um foco é detetado, os dados captados pelos satélites são processados por modelos de IA, que calculam automaticamente uma série de elementos, antes de enviarem o alerta aos comandantes no terreno:
- Localização;
- Dimensão;
- Intensidade do fogo.
Esta informação é especialmente útil quando há vários incêndios em simultâneo, pois permite às autoridades decidir rapidamente quais merecem prioridade imediata.
A IA desempenha, também, um papel importante por filtrar falsos alarmes. Uma vez que painéis solares, telhados industriais quentes ou rochas aquecidas pelo sol podem confundir os sensores térmicos, os algoritmos foram treinados para distinguir estes casos de incêndios reais antes de qualquer alerta chegar às equipas de emergência.

Dimitris Papastergiou, ministro da Governação Digital da Grécia, com uma maquete de um nanossatélite, em Atenas, na Grécia, no dia 23 de junho de 2026. Crédito: Lefteris Pitarakis/AP Photo
Parte de uma rede europeia maior
Este sistema de satélites gregos não funciona isolado, complementando drones e sensores terrestres que o país já tinha reforçado depois da tragédia de 2018.
A ideia é colmatar falhas de cobertura dos satélites internacionais, especialmente em zonas remotas de difícil acesso.
Com planos de expansão, a Grécia está a construir, em conjunto com três empresas europeias, uma rede de observação mais ampla, que vai combinar satélites:
- Térmicos;
- De radar (capazes de ver através de nuvens e fumo);
- Óticos de alta resolução.
O investimento total ronda os 200 milhões de euros, financiados pela UE, com novos lançamentos previstos ainda este ano.
Entretanto, Atenas já garantiu mais 350 milhões de euros de financiamento adicional para reforçar o programa.
Conforme a informação avançada pela Associated Press, responsáveis gregos e europeus já admitem usar este tipo de rede de satélites para outros fins, como vigilância de fronteiras, gestão agrícola, resposta a catástrofes e até identificação de "ilhas de calor" urbanas, ajudando a planear a localização de centros de arrefecimento durante ondas de calor extremas.
Um exemplo para Portugal
O exemplo grego ganha ainda mais relevância quando olhamos para Portugal, que enfrenta um problema igualmente grave.
Todos os anos, Portugal é um dos países europeus mais afetados por incêndios florestais. Em 2025, foi mesmo o país da UE com maior percentagem de território ardido, num ano que ficou registado como o segundo pior da última década e meia.
Perante este cenário recorrente, a estratégia grega mostra que já existe tecnologia madura, testada e relativamente acessível para reforçar a deteção precoce de incêndios, sem depender exclusivamente de satélites internacionais partilhados por toda a Europa.
Tal como a Grécia, Portugal lida com um território de relevo difícil, longas épocas de seca e vastas zonas florestais de acesso complicado às equipas no terreno, condições em que sensores térmicos de alta sensibilidade e alertas processados por IA podem fazer grande diferença.
Mais do que um exemplo, a solução grega pode ser vista como um roteiro: um investimento relativamente contido, à escala de um país, capaz de ganhar minutos preciosos na resposta a um foco de incêndio. Em Portugal, esses minutos têm sido muitas vezes decisivos.
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Imagem: The New York Times





















a solução era penas pesadas efetivas a todos os incendiários, certamente que a taxa de incêndios baixava (e muito)!
Estou desconfiado que os legisladores e juízes também têm quota na venda de madeiras queimadas. Eles tentam a todo o custo livrar os incendiários. 🙂
Penas de morte para todos, incluindo os considerados “malucos”, e resolviam num instante os actos criminosos e acidentais mais comuns (queimadas ilegais). Claro que continuariam a existir incêndios ocasionalmente, mas seria bastantes menos, o que os tornava mais fáceis de extinguir.
problema em PT é somente:
– Contratos de estado para se manter com grandes empresas no sector combate a incêndio/segurança
– Excesso de burocracia até mesmo a comandar pessoal no terreno (ordens superiores são sempre respeitadas ao invés quem realmente conhece o terreno).
-Interesses da Industria Madeireira (e ultimamente não só…) com várias suspeitas de querer comprar madeira mais barata sendo esta queimada…
A lista até podia continuar…
Nunca irá cá chegar, pois iria dar cabo do negócio a muita gente…
Estou para ver a prevenção de incêndios que Portugal fez para este ano. Compraram uns helicópteros, a maioria para os serviços médicos é certo, vamos ver o que vai resolver. Aposto que vai continuar tudo a arder como costume.
Muitos os nossos incêndios são detectados e reportados nos primeiros segundos e ficam fora de controle.
O problema de Portugal é o ornamento territorial, sinuosidade do terreno, falta de meios e principalmente os corruptos que lucrão milhões com o negócio dos incêndios, tipo o familiar do Leitão Amaro e companhia.
E que tal proibir horas e horas de diretos com tudo a arder?
Não estou a ver um alcoólico a recuperar-se na tasca da esquina, ou um tarado sexual à porta dum bordel, temos um problema grave com pirômanos e para ajudar à festa são horas de diretos com tudo arder, está certo.
Esse pessoal precisa é de encher a barriga com fantasia e imagens antigas de modo a enjoar de tal ordem que perde a vontade! https ://www.youtube.com/watch?v=UbdhstJMR0Q
Apliquem o rendimento básico incondicional e vão ver que os incêndios diminuem da noite para o dia!
Entretanto a tradição é para manter, o cheiro a queimado já faz parte do verão.
Ui, não diga isso “ em voz alta “… já o vão acusar de ser um subsidio-dependente…
Cumprimentos
10 focos de incêndio não são 10 bombeiros apagando. O efetivo teria de aumentar em 14x para acompanhar. Sem contar os equipamentos de locomoção e trabalho.
Postos de vigilância á moda antiga, bombeiros e tanques cheios próximos das matas. Não seria necessário gastar milhões.
E nós gastamos no Siresp… aquele sistema infalível…
Muito mais barato e eficaz que um satélite é um drone armado e equipado com câmara térmica, com capacidade para fazer disparos sobre os incendiários apanhados em flagrante. E depois enviava-se a conta da munição à família dele.
Tanta IA , tantos drones, tantos satelites, tanto siresp , tanta protecao civil e depois no fim do em portugal DIA … Chamam os Bombeiros e as pessoas da terrinha com mangueiras do sec. XX para apagar os fogos entretanto descontrolados…
INCRIVEL
Há um sector privado florescente a prosperar à conta do negócio do combate ao fogo. E isso conta para o PIB. Quando assim é a solução está em arranjar quem o acenda.