Deserto com 60 milhões de painéis solares: maior central solar do mundo não será na China
Enquanto a China construiu a sua expansão económica à base de carvão, a Índia está a optar pelo caminho solar. Com a maior instalação fotovoltaica do mundo em construção no deserto de sal de Rann of Kutch, o país pode tornar-se um modelo para economias emergentes em todo o mundo.
O deserto de sal de Rann of Kutch, no noroeste da Índia, está a transformar-se num gigantesco campo de painéis solares. O parque de Khavda vai cobrir o equivalente a cerca de 725 quilómetros quadrados, com quase 60 milhões de painéis até 2029.
Nessa altura, será a maior instalação solar do mundo, com uma capacidade de 30 gigawatts (GW), o equivalente a 30 centrais nucleares típicas e energia suficiente para alimentar a Áustria inteira, conforme contextualizado pela Yale Environment 360.
No local, robôs limpam os painéis durante a noite com ar seco, sem recorrer a água doce, um recurso precioso nesta região árida.
Da dependência do carvão à revolução solar
Há apenas uma década, a energia solar era quase desconhecida na Índia fora de pequenas instalações rurais.
Em 2015, o primeiro-ministro, Narendra Modi, prometia duplicar a produção de carvão, e nas conferências climáticas internacionais os ministros indianos resistiam a qualquer compromisso de abandono dos combustíveis fósseis.
Contudo, enquanto a retórica continuava, a política interna já estava a mudar. O clima soalheiro do país e a queda abrupta no custo dos painéis solares criaram as condições para uma viragem.

Uma trabalhadora inspeciona células fotovoltaicas numa fábrica de energia solar, em Mundra, na Índia. Crédito: Shammi Mehra/AFP/Getty Images, via Yale Environment 360.
A capacidade solar instalada tem crescido 40% ao ano, tendo ultrapassado os 150 GW em março de 2026, e devendo duplicar novamente até 2030.
No ano passado, mais de metade da capacidade de geração instalada passou a ser de origem não fóssil.
Segundo Kingsmill Bond, estratega de energia da Ember, "a China construiu sobre carvão; a Índia está a construir sobre o sol".

Fontes: Ember, Energy Institute. Crédito: Yale Environment 360
Abordagem da Índia é importante
A Índia já é o terceiro maior emissor de CO2 do mundo, e as suas cidades registam alguns dos piores índices de qualidade do ar do planeta.
Neste contexto, a energia solar oferece uma saída, com eletricidade mais barata, menos dependência de combustíveis importados e ar mais limpo para centenas de milhões de pessoas.
A transformação já está a acontecer no quotidiano, com a rede ferroviária a ser quase integralmente eletrificada na última década, e os chamados rickshaws elétricos a representarem cerca de 60% das novas vendas, cortando custos de combustível e poluição nas cidades congestionadas.

Os rickshaws são um tipo de veículo de transporte muito popular na Ásia, especialmente na Índia, Bangladesh e Paquistão. Originalmente, davam nome a pequenas carruagens puxadas por humanos a pé, daí o nome, do japonês jinrikisha, ou seja, "veículo movido por força humana". Hoje em dia, na Índia, o termo refere-se aos auto-rickshaws, pequenos táxis de três rodas com motor. Crédito: Salimah Shivji/CBC
Um longo caminho pela frente
Apesar do avanço, o carvão ainda representa cerca de 70% da produção elétrica total. A rede elétrica, por estar desatualizada, não consegue escoar toda a energia produzida nos desertos do oeste, tendo chegado a desperdiçar quase 40% da produção solar em certos momentos de 2025.
Tendo em conta que a centrais solares demoram 18 a 24 meses a construir, e os projetos levam cerca de cinco anos, o governo comprometeu-se a investir mais de 100 mil milhões de dólares na expansão da rede até 2032, através dos chamados Corredores de Energia Verde.
No que toca ao armazenamento, novos projetos de bombagem hídrica e baterias de iões de lítio estão a ganhar escala.
O próprio complexo de Khavda está a instalar o maior sistema de baterias do país, capaz de fornecer mais de 1 GW à rede durante três horas por noite.
Além disso, Governo indiano passou, também, a exigir que todos os novos parques solares incluam sistemas de armazenamento.
Imagem: Futura Sciences
Fonte: Yale Environment 360
Neste artigo: energia solar, India, Painéis Solares




















Das coisas mais estupidas que se pode fazer:
Instalar painéis solares em desertos parece uma solução ideal devido à grande área e forte exposição solar, mas é evitado em grande escala por ser logisticamente ineficiente e potencialmente catastrófico para o clima global. Desafios técnicos, impactos ambientais e longas distâncias limitam essa prática.
Os motivos que impedem a instalação massiva incluem:
Queda de rendimento: Os painéis solares operam melhor em climas amenos. Quando as temperaturas ultrapassam os 45ºC, o rendimento cai consideravelmente.
Perdas de transporte: A energia gerada precisa viajar milhares de quilômetros para chegar aos grandes centros populacionais, resultando em grandes perdas de eletricidade nas linhas de transmissão.
Impactos climáticos severos: A areia clara reflete o calor do Sol. Substituí-la por painéis escuros altera o balanço térmico local, o que pode aumentar a umidade, gerar chuvas e transformar os desertos em áreas verdes.
Efeito cascata no planeta: Alterar os padrões de vento nos desertos pode ter consequências globais. Por exemplo, a poeira do deserto do Saara atravessa o oceano e fertiliza a Floresta Amazônica. Modificar o ecossistema do deserto pode ameaçar outras regiões vitais do planeta.
Manutenção difícil: O calor extremo, a areia e as tempestades de poeira podem danificar os equipamentos e cobrir as células fotovoltaicas, exigindo limpezas constantes que utilizam muita água.
Enfim…
O Grande Rann de Kutch tem 26.000 km2.
Quando o parque estiver construído ocupará 725 km2.
Mas os 2 milhões de painéis solares, se estivessem todos encostados ocupavam 11 km2.
Os painéis são dispersos, e sobra deserto que nunca mais acaba.
Mas o impacto ambiental que é falado não é o que referes, é, por exemplo, na passarada. Têm que ser tomadas medidas de mitigação, como seja, enterrar os cabos de transporte de eletrcidade e desviar as aves das zonas dos painéis.
Mas a questão acaba por ser – vai-se buscar a eletricidade ao carvão ou aos painéis solares? Quais são os impactos negativos de um do outro? Há quase unanimidade de que o carvão é pior. E por os painéis em terras de cultivo não é grande ideia.
Se tivesses LIDO o artigo , tinhas visto : No local, robôs limpam os painéis durante a noite com ar seco, sem recorrer a água doce, um recurso precioso nesta região árida.
OI! Não sei onde fui buscar os 2 milhões de painéiis – são 60 milhões de paineís (bifaciais), 330 km2 de área bruta. A diferença para os 725 km2 deve-se ao projeto incluir centenas de turbinas eólicas, áreas para infraestrururas, estradas e áreas desocupadas.
Isto certamente não interfere com a fauna e flora. >.>
Sim dizem que a areia do deserto fica mais clara…
“…e as suas cidades registam alguns dos piores índices de qualidade do ar do planeta. …”
Infelizmente os painéis solares nada podem contra as queimadas nos campos agrícolas em redor.
As queimadas do restolho são em outubro e novembro (outono). Mas em Nova Deli e Bombaim o smog dura também o inverno. No verão a poeira é sufocante e noutros meses a qualidade do ar também é má – com exceção dos meses de monção, de julho a setembro, que lava a atmosfera, o alívio. Os fatores são múltiplos.
Essa é nova, agora também queimam os terrenos em redor ?
Afinal como vamos ter hidrogénios e sintéticos ?
O ser humano em vez de poupar, continua a esbanjar. Mas tudo em nome do progresso, que pode vir a levar o nosso planeta à ruina.
Acho engraçado que, pessoas com filhos, não estejam preocupados, com a sobrevivência dos mesmos.
Se isto já não está bom para nós, para os nossos filhos, vai estar muito pior.
Se não estivessem preocupados não faziam isto tens ideia da qualidade do ar em nova deli? faz lá uma visita só para teres uma pequena ideia
Tens razão que também se devia poupar energia mas aqui o objectivo é outro: substituir o uso do carvão.