Ucrânia oferece solução contra drones Shahed que aterrorizam o Golfo, mas tem um preço!
Após anos a enfrentar ataques massivos de drones Shahed iranianos, a Ucrânia propõe agora partilhar a sua experiência para ajudar os países do Golfo a travar esta nova ameaça aérea. Claro, tudo nesta vida tem um preço.
Drones baratos que mudaram a guerra moderna
Nos últimos quatro anos, um aparelho voador com pouco mais de três metros e meio de comprimento passou de um projeto militar iraniano relativamente desconhecido para um dos protagonistas de vários conflitos em simultâneo.
O seu desenho é simples, pode ser montado em poucas horas e custa milhares de vezes menos do que os sistemas que tentam abatê-lo. Esta combinação alterou profundamente a forma como muitos exércitos encaram a defesa aérea.
Desde 2022, o som de um pequeno motor semelhante ao de uma motocicleta tornou-se um sinal de alerta antes de muitas explosões em cidades ucranianas.
Esse ruído metálico e persistente pertence ao Shahed-136, um drone kamikaze iraniano barato, relativamente simples e concebido para atingir alvos pré-programados a grandes distâncias.
Com cerca de 3,5 metros de comprimento e capacidade para transportar uma carga explosiva de aproximadamente 50 quilos, estes drones tornaram-se um símbolo da guerra moderna ao combinarem dois fatores difíceis de contrariar: baixo custo e produção em massa.
Ataques multiplicam-se agora no Golfo
Depois de quatro anos de guerra na Europa, estes drones reapareceram com força noutro cenário. O Irão lançou centenas de aparelhos contra países do Golfo, atingindo bases militares, aeroportos, refinarias e zonas urbanas no Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Qatar.
O objetivo destes ataques nem sempre é a destruição física direta, mas sobretudo a pressão psicológica e económica. Os países atacados são obrigados a ativar sistemas de defesa extremamente caros para interceptar armas que podem custar apenas cerca de 50 mil euros.
Embora muitas aeronaves sejam abatidas, basta que uma pequena percentagem consiga atravessar as defesas para causar danos em infraestruturas críticas ou gerar receio entre a população.

A estratégia que a Rússia já usa na Ucrânia
O padrão destes ataques recorda claramente a estratégia que a Rússia utiliza desde 2022 contra cidades e infraestruturas energéticas ucranianas. Moscovo transformou o Shahed numa peça central de uma estratégia de desgaste baseada em lançar grandes vagas de drones juntamente com mísseis.
O objetivo é saturar as defesas aéreas e aumentar a probabilidade de que alguns projéteis consigam atingir os seus alvos.
A produção em massa foi decisiva nesta estratégia. A Rússia não apenas importou milhares de drones iranianos, como construiu uma fábrica própria para os produzir em grande escala. Isso permitiu lançar centenas de aparelhos numa única noite contra centrais elétricas, portos ou bairros residenciais.
A Ucrânia tornou-se especialista em defesa antidrone
Esta pressão constante obrigou a Ucrânia a tornar-se um dos países mais experientes do mundo no combate a este tipo de ameaça.
Após enfrentar dezenas de milhares de Shahed, Kiev desenvolveu um sistema de defesa em camadas que combina radares, sistemas de guerra eletrónica, mísseis antiaéreos, unidades móveis e até drones interceptores capazes de destruir os aparelhos inimigos em pleno voo.
O resultado é uma rede de defesa improvisada, mas extremamente eficaz, que tem permitido neutralizar a maioria dos ataques apesar da escala massiva das vagas lançadas pela Rússia.
A proposta inesperada de Kiev
Este conhecimento adquiriu agora um novo valor estratégico. Os países do Golfo, pouco habituados a ataques constantes de drones, descobriram o quão difícil é proteger cidades inteiras contra armas que voam a baixa altitude, são difíceis de detetar e podem surgir de várias direções.
Mesmo sistemas avançados concebidos para interceptar mísseis balísticos podem ser sobrecarregados por enxames de drones baratos. Os ataques recentes atingiram aeroportos, refinarias, portos e bases militares, demonstrando que até infraestruturas críticas de economias altamente protegidas podem ficar vulneráveis.
Foi neste contexto que a Ucrânia apresentou uma proposta inesperada. O presidente Volodímir Zelenski ofereceu-se para enviar especialistas em defesa antidrone e operadores experientes para ajudar os países do Golfo a reforçar as suas defesas.
Mas a oferta tem uma condição clara. Kiev quer que os governos do Médio Oriente utilizem a sua influência junto de Moscovo para pressionar Vladimir Putin a aceitar pelo menos um cessar-fogo temporário na Ucrânia.
Trata-se de uma proposta que mistura cooperação militar e cálculo diplomático. A Ucrânia apresenta-se como o país que melhor conhece este tipo de ameaça e pede, em troca, apoio para travar a guerra que a obrigou a tornar-se especialista nela.





















