TeraWave: concorrente da Starlink prepara envio de mais de 5 mil satélites para o espaço
Com lançamento previsto para o final de 2027, o serviço de Jeff Bezos, a TeraWave, visa fornecer acesso global à internet, com foco especial em necessidades de dados de alta capacidade. Musk não está preocupado.
TeraWave quer competir no acesso global à Internet
Jeff Bezos já não se contenta em entregar encomendas ou em levar celebridades até à orla do espaço. A sua empresa espacial, a Blue Origin, anunciou oficialmente a entrada no mercado do acesso global à Internet via satélite.
Na quarta-feira, a Blue Origin revelou a TeraWave, uma rede de comunicações composta por mais de 5.400 satélites. O lançamento está previsto até ao final de 2027 e o objetivo é fornecer acesso à Internet a nível mundial, com especial enfoque em necessidades de dados de elevada capacidade.
Segundo a empresa:
A TeraWave responde às necessidades não satisfeitas de clientes que procuram maior débito, velocidades simétricas de upload e download, mais redundância e escalabilidade rápida.
Uma aposta ambiciosa, mas com um alvo diferente
O plano de milhares de satélites da Blue Origin é ambicioso, embora ainda fique aquém da enorme presença orbital já estabelecida pela líder do mercado, a Starlink.
As duas abordagens diferem no público-alvo. A TeraWave destina-se sobretudo ao segmento de topo, como centros de dados, agências de segurança nacional e grandes corporações globais. Já a Starlink, detida pela SpaceX, fornece Internet diretamente a utilizadores comuns.
A TeraWave foi concebida para disponibilizar velocidades de dados simétricas até 6 Tbps em qualquer ponto do planeta.
Introducing TeraWave: a satellite communications network designed to deliver symmetrical data speeds up to 6 Tbps anywhere on Earth.
This network will service tens of thousands of enterprise, data center, and government users who require reliable connectivity for critical… pic.twitter.com/xTHtItpGEh
— Blue Origin (@blueorigin) January 21, 2026
Arquitetura multiórbita e velocidades inéditas
A constelação será dividida em 5.280 satélites em órbita baixa da Terra e 128 satélites de grande capacidade em órbita média. Esta arquitetura permite simultaneamente cobertura global e um débito de dados massivo.
A Blue Origin afirma que os satélites em órbita média conseguirão atingir velocidades de 6 terabits por segundo, muito acima das centenas de megabits oferecidas pelas atuais redes de Internet via satélite.
A maior altitude permite a estes satélites cobrir áreas mais vastas, funcionando como uma ponte orbital de alta velocidade que transmite dados através de lasers óticos.
Já os satélites de órbita baixa recorrerão a ondas de rádio, com velocidades até 144 Gbps.
De acordo com a empresa, este design multiórbita permite ligações de ultra-alto débito entre hubs globais e utilizadores distribuídos, especialmente em zonas remotas, rurais e suburbanas, onde a fibra ótica é cara, tecnicamente inviável ou lenta de implementar.

Os testes feitos à rede de Jeff mostraram, no site Speedtest, o contador a ultrapassar a marca dos 1000 Mb/s e atingir um máximo de 1,3 Gb/s.
A corrida às megaconstelações
Recentemente, a Blue Origin demonstrou que consegue competir ao mais alto nível no sector dos foguetões. Em novembro, o seu lançador New Glenn realizou com sucesso uma aterragem numa plataforma flutuante no Atlântico, um feito histórico até então dominado apenas pela SpaceX.
Em abril, a empresa enfrentou críticas públicas após um voo suborbital de 11 minutos com uma tripulação exclusivamente feminina de celebridades, incluindo Lauren Sánchez, Katy Perry e Gayle King, numa altura de maior pressão económica global.
Entretanto, a órbita terrestre está a tornar-se cada vez mais congestionada. A Starlink, liderada por Elon Musk, conta já com mais de 9.500 satélites ativos e planeia quase duplicar esse número. A China avança rapidamente com as redes estatais Guowang e Qianfan, ambas projetadas para ultrapassar os 13.000 satélites.
Por sua vez, a Amazon está a implementar a sua própria constelação de 3.200 satélites, agora conhecida como Amazon Leo, com um modelo semelhante ao da Starlink, focado no acesso doméstico.
Impacto na astronomia
O crescimento destas constelações é visto como uma ameaça séria à astronomia baseada em terra. Os satélites criam rastos luminosos que podem arruinar exposições longas de telescópios terrestres e até de observatórios espaciais como o Hubble.
Se esta tendência continuar, poderá tornar-se mais difícil observar galáxias distantes e até detetar a tempo asteroides potencialmente perigosos para a Terra.
























A ser verdade, é só triste.
Mais lixo para o espaço.