Como os ricos estão a tentar usar a IA para assumir o controlo, segundo uma socióloga
Desconhecemos muito da Inteligência Artificial (IA), mas há, mesmo assim, quem tenha muito a dizer sobre ela e sobre o seu potencial impacto. Para uma socióloga, não importa como se analise a questão: o futuro da tecnologia é para os ricos.
Em 2025, o contexto da IA é dominado por narrativas extremas: a tecnologia vai conduzir-nos até uma utopia de lazer absoluto, ou vai resultar na nossa extinção.
Para a socióloga Tressie McMillan Cottom, contudo, estas previsões ignoram a questão fundamental do poder. Segundo a especialista, o futuro da IA, independentemente da sua forma, está a ser moldado principalmente para servir os interesses das elites económicas.
O mito da inevitabilidade da IA
Num painel recente, no Urban Consulate, em Detroit, a socióloga argumentou que a narrativa de que o futuro com a IA já está escrito é uma estratégia política.
Na sua perspetiva, esta "promessa" tecnológica é, na verdade, um reflexo da ansiedade coletiva das pessoas mais ricas e poderosas sobre a sua capacidade de manter o controlo social no futuro.
Se a sociedade for convencida de que o domínio da IA é inevitável, as pessoas deixarão de resistir e passarão a construir, involuntariamente, o sistema que as elites desejam.
Para Cottom, o futuro está, na verdade, profundamente indefinido. A insistência no contrário é, na sua opinião, apenas uma forma de desarmar criticamente as pessoas.
Desumanização da sociedade
A socióloga desmistificou, também, a ideia de que os Large Language Models (LLM) são infalíveis.
Neste sentido, apontou falhas básicas de ferramentas como o ChatGPT, que mesmo após atualizações recentes apresentam dificuldades em tarefas simples.
Na sua perspetiva, citada pelo Futurism, o perigo real não é uma revolta das máquinas. Em vez disso, é um cenário onde seres humanos continuam a existir, mas são tratados de forma desumana por sistemas automatizados.
Não vamos parar de criar seres humanos [...] estão apenas a dizer que não vamos tratá-los como tal.
Inspirando-se na história, Cottom lembra que sistemas de opressão como a escravatura foram, antes, vendidos como factos naturais e predeterminados.
Aliás, ela evoca esse sistema como um exemplo histórico de recusa sistémica a destinos impostos por terceiros.
Para Cottom, recusar a narrativa da IA é o ato mais esperançoso que podemos tomar, pois permite reivindicar um futuro que não foi decidido por bilionários da tecnologia, mantendo a dignidade humana acima da eficiência dos algoritmos.
Na sua opinião, o futuro não está escrito e a maior força da sociedade reside na capacidade de negar um destino que a desumaniza.
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Bom artigo.
Parabéns!
Que disparate pejado, completamente inquinado para uma narrativa já bem conhecida. A IA está ao alcance de TODOS, a comunidade opensource explode com modelos novos todos os meses, ao nivel dos mainstream. Esta pseudo socióloga não percebe nadinha de IA nem de inferencia ou como funcionam os transformers. Mais um sounbyte á bloco. Nada contra a ppware ou a articulista, que só entrega a informação como foi publicada pela socióloga . Não acreditam ,se tiverem um pc minimamente acima da média, fazer download do lmstudio e começar a testar. A IA, mesmo quando atingir níveis de AGI / UBI, nunca vai deixar se ser uma ferramenta de auxilio, não foi projectada para ser infalível, pois a sua fonte de treinamento parte de uma inteligencia biológica falível cujo conhecimento está sempre a evoluir. Que ela queira cascar nos bilionários, pode fazê-lo á vontade, meter bode expiatorio na AI e na tecnologia é muita Estalinismo junto pra malta.
Muito bom o teu comentário, na mouche.
Não apanhaste o cerne de: “Em 2025, o contexto da IA é dominado por narrativas extremas:
– a tecnologia vai conduzir-nos até uma utopia de lazer absoluto [Musk: “Trabalhar será como praticar desporto ou jogar videojogos graças à IA e à robótica”, “haverá um alto rendimento universal, não é preciso preocupar-se com o dinheiro”],
– ou vai resultar na nossa extinção “. “A ascensão meteórica da inteligência artificial incutiu um medo existencial em “doomers de IA”, um subconjunto de pessoas que acreditam que a tecnologia fará com que os humanos percam os seus empregos, sejam vítimas de uma espécie dominante de IAs superinteligentes desonestas e até mesmo sejam completamente exterminados.”
Os dois cenários só aparentemente são antagónicas – porque, segundo a socióloga, correspondem ao que pretendem os ultra-ricos da tecnologia, que o futuro está escrito, que só resta à sociedade aceitar o controlo, por eles,
A que chamas pseudo-socióloga rejeita esta visão. Como parece que também rejeitas, estás próximo dela 🙂
Olha, “8730 despedidos, da MEO, para compensar 720000 milhões, de euros, previstos, para usar IA, nos call centers, da operadora nacional”. Empresa prepara pacotes de 400 euros, anuais, para o suporte, ao consumidor, que podem vir a ser pagos a 5 euros, por minuto, de chamadas feitas, para o suporte, ao cliente, caso não subscrevam, o pacote, de atendimento (gratuito para subscrições, acima de, 120 euros, mensais).
E todos podem usar… se pagarem 80000000 milhões, de euros, por ela.
ah? larga a droga
Já agora uma dica para a autora, “segundo uma socióloga” não é o título mais jornalístico. Uma forma melhor seria “segundo a socióloga Tressie McMillan Cottom”, se não parece logo que estamos a desvalorizar a pessoa em causa.
Boas festas!
Alguém tem de comprar o que os ricos produzirem com AI.
Os ricos de uma certa religiao, que tambem controlam as redes sociais, big tech, os media, hollywood e a finança.
Quanto mais sacrificam os outros mais florescem.
Tem razão nas suas contas, essa certa religião inspirada na desactualizada e já ineficaz (alegada) luta do proletariado nas últimas décadas renovada com outros temas que colocou na moda como o clima, as raças/etnias, bandeiras de arco-íris e outras endoutrinações que tais vivem, enriquecem e florescem à custa de sacrificar os outros. Estranho é que tantos destes sacrificados aplaudam e anseiem por ser ainda mais sacrificados!
Não é preciso grandes estudos… basta olhar, para o panorama actual.
Os motores, de busca, eram pagos, por publicidade. Hoje, há 600000 biliões de motores, de busca, alguns que usam modelos de procuras avançadas (só lá para 2300-3500 é que surgirá a verdadeira IA), em que, vendem pacotes, para quem queira pagar, para obter melhores informações.
Portanto, já daí, vamos ver, cada vez mais, apps, que vão cobrar 50000 euros, anuais, em troca de não levarem com 4000000 milhões, de horas, de publicidade, nem venderem, todos, os vossos dados pessoais e milhões de biliões, de empresas, para marketing digital.
You will own nothing and be happy!