Porque os barcos medem a velocidade em nós em vez de quilómetros por hora
Em notícias ou conteúdos sobre o mar, a velocidade é comummente medida em nós. Por que motivo se utiliza esta unidade, ao invés de quilómetros ou metros por hora, conforme acontece para a velocidade terrestre?
Quando se conduz em terra, a velocidade é medida em quilómetros por hora (km/h) ou milhas por hora (mph), pois é possível ver pontos de referência fixos e estimar a distância e a velocidade percorridas.
Contudo, uma vez que, no mar, esses pontos de referência não costumam existir, é impraticável para as embarcações confiarem nos mesmos sistemas de viagem usados em terra. Por isso, recorrem aos nós, em vez de aos quilómetros ou às milhas por hora.
Um nó é definido como uma milha náutica por hora, e uma milha náutica é ligeiramente mais longa do que uma milha padrão. Especificamente, uma milha náutica equivale a 1852 metros e é baseada na geometria da Terra: uma milha náutica corresponde a um minuto de latitude no globo.

Coordenadas geográficas: Latitude e Longitude. Fonte: DREAMSTIME, via RTP Ensina
Esta unidade de medida torna as milhas náuticas e os nós mais úteis para a navegação, pois alinha-se com as coordenadas globais usadas nas cartas náuticas.
De onde vem o termo "nó"?
Depois da explicação sobre a unidade de medida, é interessante conhecer a raiz histórica do termo "nó".
Aparentemente, num período que não é consensual entre os historiadores, mas que a maioria aponta para entre os séculos XVI e XVII, os marinheiros mediam a velocidade com a ajuda de uma ferramenta simples, chamada chip log.

Chip log com uma placa de madeira, na extremidade. Fonte: Royal Museums Greenwich
De forma simplificada, usavam uma corda, ao longo da qual faziam nós espaçados uniformemente, com intervalos de cerca de 14,4 metros. Na extremidade, a ser arrastada atrás do navio, era colocada uma placa de madeira, ou chip.
Essa corda era, depois, lançada ao mar e, à medida que o navio avançava, os marinheiros contavam o número de nós que passava pelas suas mãos num determinado período de tempo, usando uma ampulheta de 28 segundos.
Por via dos nós, ainda hoje em dia, os marinheiros obtêm uma medida prática e universalmente compreendida de velocidade que se liga diretamente à navegação e à cartografia.




















quando tirei a carta de patrão local aprendíamos milhas náuticas e não nós
que raio de escola
Nó, é a medida para velocidade.
Milhas é para distância.
Um nó é uma milha por hora.
O Zé é mais barco a remos
Num barco pequeno faz sentido falar milhas (marítimas) por hora. Nos barcos grandes continua-se a dizer nós.
Nós, quem?
“nóses”
Diz-se: “Deus dá “nóses” a quem não tem dentes. “
As áveres somos nóizes..
Toda a gente burra que apanha o comboio em andamento, mas mesmo assim procura protagonismo.
Não sei como é que a Operadora ainda não pegou nisto para markting
NOS
– Pq uma verdadeira navegação na internet se mede em nós.
Obrigado NOS, são 100k€ 😀
Isso seria propaganda para inteligentes…e esse público não está ao alcance 😀
Top, próximo anúncio da NOS vai ser em alto mar
Com sorte num optimist conseguia-se no Tejo uns 4 nós que dáva uma sensação de velocidade porreira.
Eu a nadar dou 7 nós
“A velocidade média diária da nau São Gabriel variava entre 4 e 5 nós”. Tem que se ver que deslocava 120 tonéis.
O padroeiro de Mira é S. Tomé. Diz a tradição que S, Tomé desaparecia e era encontrado num faval. Na versão que me chegou era o padre que quando queria favas o escondia e organizava uma procissão:
– “S. Tomé de Mira, onde estarais vós? Dentro de algum faval, o que será de nós?”. E o povo respondia:
– “Apareça o santo que as favas daremos nós …”
Mira é gira
No artigo, refere-se que os 1852m que equivalem a uma milha náutica, correspondem a um minuto de latitude. Inevitavelmente surge-me uma questão: Ao navegar uma milha náutica, em qualquer rumo que não o rumo 360 ou 180, aí deixa de corresponder a um minuto de latitude. Então que cálculos são feitos, para uma melhor precisão de distância percorrida bem como a localização? Também é importante ter em conta que as circunferências mudam de tamanho, conforme avançamos ou afastamos da linha do Equador, bem como nos meridianos.
Pergunta à “Vista geral de IA”: “Como era feita a medição da latitude na época das descobertas? E da longitude?”.
A barquinha servia apenas para medir a velocidade, de forma aproximada. A distância dos nós 14,4 metros foi escolhida para corresponder à forma e peso da barquinha (no post chip log), à distância a que corresponde milha marítima e à ampulheta (de 30 segundos, no post encolheu 2). Eram precisos dois marinheiros – um que largava a barquinha num ponto certo do navio, e outro que deslizava o fio e contava os nós até terminar a ampulheta.
Palpita-me que alguns faziam o mesmo que, mais recentemente, os que tinham que dar a informação sobre a temperatura nas estações metereológicas em dias de muito calor – que, para não s deslocar à estação, punham a mão de fora da janela e diziam “38,5º”.
Foi bem explicado, no texto, que a milha marítima corresponde a 1 minuto de arco de um meridiano. Os meridianos são círculos máximos entre os dois pólos e têm sempre o mesmo diametro. Já os paralelos (cruzam perpendicularmente os merídianos) têm diametros que vão diminuindo entre o equador e os polos. O que quer dizer que os meridianos têm sempre 21600 de diametro e só o paralelo do equador é que tem o mesmo valor, sendo todos os outros cada vez mais pequenos conforme se afastam do equador (correspondendo ao diametro daquele local do planeta). O valor da milha mantem-se igual em todo o lado (tal como o valor do quilómetro). Posto isto qual é a dificuldade?
Com rigor:
1 minuto de arco (de latitude, num meridiano) varia ligeiramente = 1843 m nos polos e e 1862 m no equador. Por convenção:
1 milha marítima = 1852 m = 1 minuto de arco.
1º de latitude = 60 minutos de arco = 60 milhas marítimas
O que ele perguntou é como é que a navegar num rumo intermediário (quadrental) – ou seja nem exatamente para norte para norte nem para sul , “que cálculos são feitos, para uma melhor precisão de distância percorrida bem como a localização?” Obviamente a barquinha não chega. A questão não era se a milha marítima varia ou não varia.
Já agra …
Então, quanto dista do equador ao polo, em milhas maritimas (náuticas) à superfície?
= 90º x 60 mn = 5400 mn aproximadamente
E o perímetro de um meridiano? 21.600 mn (=360º x 60 mn)
E o perímetro do equador? 21.600 mn (=360º x 60 mn)
E o perímetro do paralelo de 45º? 15.258 mn (P = Pequador x cos(latitude), P45 = 21.600 x cos(45º) = 21.600 x 0,7071 = 15.258 mn
Só para quem acha piada a isto. No paralelo de 45º:
– 1º grau de latitude = 60 mn,
– 1º de longitude = 42,4 mn = 60 mn x cos (45º) ou = 15.258 mn / 360º
Caro Max, obrigado pelas explicações e pelos cálculos por si apresentados nos comentários, bem como por ter percebido a minha questão.
Com mais uns posts sobre astrolábio náutico, quadrante, balestilha (o sextante só apareceu no século XVIII), bússola marítima e ampulheta (o primeiro cronómetro mecânico também só apareceu no século XVIII) fica-se capaz de navegar até Cacilhas 🙂
Mas não há dúvida que. para quem gosta, tem bastante graça.
Quem é que não se lembra do que aprendeu na escola: “a Terra é redonda, ligeiramente achatada nos polos”? Um preciosismo, porque a diferença no diâmetro da Terra de polo a polo e no equador é de apenas 42 km. Mais esférico que isto não há.
Eu prefiro medir em jardas 🙂