Presidenciais 2026: candidatos em números nas redes sociais
A comunicação digital dos candidatos às eleições presidenciais de 2026 tem privilegiado a manutenção da relação com os seguidores em detrimento da mobilização de novos eleitores. É esta a conclusão de um estudo recente.
A conclusão é de um estudo conduzido por dois professores do IPAM, que analisou mais de 2.100 publicações feitas no Facebook, Instagram e TikTok durante dezembro de 2025 por oito candidatos: André Ventura, António Filipe, António José Seguro, Catarina Martins, Cotrim Figueiredo, Gouveia e Melo, Jorge Pinto e Luís Marques Mendes.
O estudo revela que mais de metade das publicações analisadas eram mensagens sazonais, sobretudo de Natal e Ano Novo. Somando conteúdos sobre eventos, visitas e ações de proximidade, cerca de três quartos da comunicação digital tem caráter predominantemente relacional e simbólico, deixando a comunicação programática ou de confronto político em segundo plano.
Cada candidato usa o mesmo contexto para transmitir mensagens diferentes: justiça social, identidade nacional, união institucional ou clivagem política. “O objetivo é compreender como os candidatos usam as redes sociais e que tipo de relação constroem com as audiências, não avaliar posições políticas”, explica Luís Bettencourt Moniz, um dos autores.
Candidatos em números
- Jorge Pinto
- maior engagement médio do estudo (41,2%) e 397 mil interações, mobilizando uma comunidade pequena, mas altamente identificada.
- Cotrim Figueiredo
- equilíbrio entre escala e intensidade, 215 publicações, engagement médio de 11,6% e mais de 1,2 milhões de interações.
- André Ventura
- líder em escala, 372 publicações e mais de 5,5 milhões de interações, mas engagement médio baixo (1,9%). Mobilização baseada no conflito, com alcance amplo, mas relação superficial.
- António Filipe e Catarina Martins
- mobilizam comunidades ideologicamente alinhadas, com engagement de 8,6% e 4,4%, respetivamente.
- Gouveia e Melo
- 400 publicações, 567 mil interações, comunicação marcada por visibilidade institucional, mas fraca coesão relacional.
- António José Seguro
- presença digital regular, 354 publicações, engagement de 4,8%, narrativa de estabilidade e confiança.
- Luís Marques Mendes
- menor tração digital, 226 publicações, engagement de 4,9% e 141 mil interações.
Diferentes plataformas, diferentes lógicas
O estudo confirma que Facebook e Instagram apresentam engagement mais estável, enquanto o TikTok tem picos elevados associados a conteúdos virais e formatos específicos, mas com menor consistência ao longo do tempo.
“Em dezembro, as redes funcionaram como espaço de relação e reforço identitário, e não de debate ou persuasão eleitoral”, resume Luís Bettencourt Moniz. João Andrade Costa, outro dos autores, acrescenta: “Eficácia digital não é só engagement. É preciso considerar visibilidade, regularidade, tom e capacidade simbólica. Quem apostou na emoção ganhou alcance; quem apostou na política ganhou coerência, mas não escala.”






















O que vale é que o presidente da república nunca importou para nada