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Internet esteve à “beira do colapso” e o PHP só tem um funcionário?

13 Comentários

A descoberta de duas falhas críticas no PHP, uma das linguagens mais utilizadas na web, desencadeou uma resposta urgente da comunidade de segurança. Segundo a W3Techs, cerca de 69% dos sites cuja linguagem de programação do lado do servidor é conhecida utilizam PHP. As vulnerabilidades, que podem permitir a execução remota de código, expuseram um problema preocupante: uma tecnologia essencial para milhões de serviços digitais depende de uma estrutura com recursos financeiros e humanos muito limitados.

PHP: a verdade sobre a segurança web

Por trás desta tecnologia não está uma multinacional com recursos ilimitados, mas uma fundação sem fins lucrativos que financia parte do seu desenvolvimento e manutenção.

Segundo Elizabeth Barron, diretora executiva da Fundação PHP, a organização conta com apenas uma funcionária a tempo inteiro, a própria, e 14 prestadores de serviços, maioritariamente a tempo parcial. Contudo, o PHP não depende exclusivamente destas pessoas, contando também com uma comunidade internacional de programadores e colaboradores.

O problema está na escassez de recursos dedicados à manutenção e segurança de uma linguagem utilizada em milhões de sites.

Pressão da IA sobre uma equipa no limite

A rotina desta estrutura complicou-se com a explosão das ferramentas de inteligência artificial no último ano. Se a automação ajuda investigadores a detetar falhas antigas, também provocou uma enxurrada de código submetido que quase duplicou face ao ano anterior. Sem reforço de pessoal, a equipa tem de analisar manualmente relatórios e sugestões para separar alertas reais de disparates gerados por algoritmos.

Desta vez, o pior foi travado porque várias empresas de segurança cooperaram diretamente com a fundação antes que o desastre se materializasse. Fornecedores de proteção de rede registaram milhões de tentativas de invasão assim que as vulnerabilidades se tornaram públicas.

Os remendos fecharam a porta nos sistemas atualizados, mas o verdadeiro perigo continua ativo longe dos holofotes.

Perigo das versões que ninguém quer atualizar

Uma das maiores ameaças à segurança da web está na quantidade de servidores que continuam a utilizar software desatualizado. Segundo a W3Techs, cerca de 34% dos sites que utilizam PHP ainda recorrem às versões principais 7, 5 ou 4, que já perderam o suporte oficial de segurança. Embora nem todas as instalações estejam automaticamente vulneráveis, a ausência de atualizações regulares aumenta significativamente o risco de exploração de falhas, sobretudo quando os sistemas estão expostos à Internet.

A atualização para versões mais recentes nem sempre é simples. Aplicações antigas, extensões e dependências podem apresentar incompatibilidades, obrigando a alterações no código e a testes adicionais. Por isso, muitas empresas adiam estas intervenções enquanto os serviços continuam a funcionar. O problema é que os custos de uma atualização podem acabar por ser muito inferiores aos prejuízos provocados por um ataque, incluindo a interrupção de serviços e o comprometimento de dados.

A situação torna-se ainda mais preocupante quando uma tecnologia utilizada por milhões de sites depende de recursos limitados para garantir a sua evolução e segurança. Apesar de contar com uma vasta comunidade de programadores, a Fundação PHP enfrenta dificuldades de financiamento e de capacidade técnica. O verdadeiro perigo não está apenas nas vulnerabilidades do código, mas também na falta de investimento na manutenção e modernização das tecnologias de que grande parte da web depende diariamente.

Comentários

13
  1. FI
    Filipe

    Empresas preocupadas com a segurança já não usam PHP há uma década pelo menos.

    Existe o pessoal dos blogs (WordPress) que teimam ficar depende de tecnologia legada como PHP!

    Hoje em dia existe tanta coisa melhor Node.js, Next.js, Python, Go, Rust…

    Eu sei que vão dizer que maior parte da NET ainda usa PHP mas pronto é pessoal que vive no passado ou não tem dinheiro para migrar…

  2. MO
    Morty

    No entanto existe milhares de empresas a ganhar milhões com serviços a correr em PHP…

    1. ZA
      Zé Fonseca A.

      Alimentadas pelos preguiçosos devs de php que nunca quiseram aprender nada sério na vida

  3. JG
    joao gomes

    geralmente não se atualiza pois geralmente quebra algo ou alguma dependência que está funcionando bem. o processo todo é trabalhoso e arriscado.

    1. TC
      To Canelas

      Se não atualizarem correm o risco de ser hackeados e perder credibilidade. Mas médias e grandes empresas que se prezem, têm geralmente 3 fases: Produção, beta e testing. As coisas vão sendo testadas e passando para cima conforme necessário.

      1. PP
        Paulo Pedroso

        Bem nem sempre, ainda hoje o aeroporto de paris continua a usar Windows 3.1

        1. ZA
          Zé Fonseca A.

          Em Portugal é 3.11, quem substitui? És tu?

      2. ZA
        Zé Fonseca A.

        Oh canelas, nem conheces os ciclos em condições.. isso está mau, ou te informas ou não vale a pena comentares

  4. HN
    Hugo Nabais

    Os 70% são uma boa aproximação , mas há uma diferença importante, esse valor refere-se à percentagem de sites que utilizam PHP entre aqueles cuja linguagem de programação do lado do servidor é conhecida. Não significa que 70% de toda a Internet dependa diretamente do PHP!

    Transformar essa estatística em "70% de toda a Internet depende diretamente do PHP" é sensionalismo impreciso.

    Falar em "colapso da Internet" é igualmente sensacionalista. As duas vulnerabilidades em causa podiam permitir a execução remota de código, com consequências potencialmente graves para os sistemas afetados. Isso é muito diferente de afirmar que a Internet esteve à beira do colapso. Uma vulnerabilidade crítica numa tecnologia amplamente utilizada não significa, por si só, que a infraestrutura global da Internet esteja em risco de colapsar.

    O PHP "só tem um funcionário", também é necessário distinguir entre funcionários remunerados a tempo inteiro e a comunidade de colaboradores de um projeto open source. Uma equipa reduzida de profissionais remunerados pode, de facto, constituir um problema de sustentabilidade e financiamento, mas isso não significa que apenas uma pessoa trabalhe no desenvolvimento e na manutenção do PHP, bem longe disso, são feitas muitos commits pela comunidade! Ou seja existem 14 pessoas contratadas e uma comunidade a contribuir, longe da situação critica que é apresentada num dos titulos.

    Tinham obrigação de apresentar estes dados com maior rigor e de distinguir factos de títulos sensacionalistas. Ok, merece discussão séria mas não precisa de ser acompanhado por afirmações exageradas para ser relevante.

    1. ZA
      Zé Fonseca A.

      Bem dizido Hugo.

      na verdade php só tem lixo em cima, duvido sequer que 1% do que seja crítico corra em php, o que poderia morrer só teria impacto para pequenas empresas

  5. CI
    CIéqueébom1

    O mundo está preso por um fio.

  6. JF
    JF

    NET foi criada, foi evoluindo com os anos, mas os alicerces estão lá desde os primórdios da sua criação, acham que essa única pessoa, esteja onde estiver só tem uma função, quando os 14 concordarem que ele deve carregar no botão, lá vai tudo para o tempo do calhau.

  7. JF
    JF

    NET foi criada, foi evoluindo com os anos, mas os alicerces estão lá desde os primórdios da sua criação, acham que essa única pessoa, esteja onde estiver só tem uma função, quando os 14 concordarem que ele deve carregar no botão, lá vai tudo para o tempo do calhau.

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