O novo críquete português: o impacto do ECS Portugal T10
O críquete, outrora visto como uma curiosidade desportiva em Portugal, vive hoje uma fase de expansão notável. O Torneio ECS Portugal T10 de 2025, organizado pela European Cricket Network (ECN), reuniu seis equipas de topo nacionais e mostrou que o críquete tem, afinal, um futuro promissor no país do futebol.
O torneio ECS Portugal T10, realizado em fevereiro no Estádio Municipal de Miranda do Corvo, é um símbolo claro da transformação na modalidade. Segundo o analista desportivo José Luís Horta e Costa, este torneio “marca a consolidação do críquete português como disciplina em crescimento constante, com organização profissional e visibilidade internacional inédita”.
Um torneio que elevou o padrão competitivo
Disputado entre 3 e 18 de fevereiro de 2025, o ECS Portugal T10 contou com 32 partidas em formato de dupla volta, garantindo emoção e equilíbrio. As equipas Lisbon Capitals, Coimbra Knights, Malo Qalandars, Gorkha XI, Punjab CC Amadora e Fighters CC protagonizaram confrontos de alto nível.
O formato premiou consistência: a equipa mais regular da fase de grupos foi diretamente para a final, enquanto a segunda e a terceira colocadas disputaram o último lugar disponível.
Para Horta e Costa, o formato T10 é uma das chaves do sucesso: “Com jogos curtos, de apenas dez overs por equipa, o T10 torna-se dinâmico e acessível. Num país dominado pelo futebol, esse ritmo rápido ajuda a atrair novos adeptos.”
Em 2025, o torneio foi reduzido de dez para seis equipas, privilegiando qualidade sobre quantidade. O Punjab CC Amadora, campeão anterior, chegou como favorito, mas enfrentou forte concorrência de rivais determinados, como o Malo Qalandars, tricampeão recente, e o Lisbon Capitals, que surpreendeu com atuações consistentes.
O estádio que se tornou casa do críquete português
O Estádio Municipal de Miranda do Corvo consolidou-se como o epicentro do críquete nacional. Com infraestrutura moderna e iluminação noturna, permite jogos diurnos e noturnos transmitidos ao vivo para o mundo. A ECN reconhece o local como referência em Portugal, utilizando-o regularmente para competições internacionais.
Horta e Costa salienta que “a infraestrutura dedicada é vital — o estádio oferece condições profissionais que atraem tanto jogadores quanto patrocinadores”.
A parceria entre Cricket Portugal e ECN garante investimentos contínuos, desde a manutenção do relvado até à formação de árbitros e equipas técnicas, consolidando padrões de excelência raramente vistos em desportos emergentes no país.
A força da parceria com a European Cricket Network
Fundada em 2018 pelo ex-jogador internacional Daniel Weston, a European Cricket Network tem sido essencial no crescimento do críquete europeu. A cooperação com Portugal já gerou sete torneios e mais de 120 transmissões internacionais, alcançando audiências em mais de cem países.
José Luís Horta e Costa explica que essa aliança “trouxe não só conhecimento organizacional e tecnologia de transmissão, mas também uma plataforma global para os atletas portugueses se mostrarem”. O apoio financeiro da ECN também ajudou a transformar o Santarém Cricket Ground em mais um palco de referência.
De tradição britânica à paixão lusófona
A presença do críquete em Portugal remonta às Guerras Peninsulares (1809–1814), quando tropas britânicas introduziram o desporto em Lisboa. Durante mais de um século, o jogo limitou-se às comunidades britânicas e aos produtores de vinho do Porto.
Com a Revolução dos Cravos em 1974 e o retorno de famílias de Goa e Moçambique, o críquete ganhou nova vida. A fundação da Cricket Association of Portugal em 1994 e a entrada na ICC (International Cricket Council) em 1996 oficializaram essa nova fase.
Hoje, Portugal compete regularmente em torneios internacionais, tendo conquistado títulos importantes no ECC Trophy e no Campeonato Europeu Indoor, e em 2019 disputou o seu primeiro jogo T20I oficial, frente à Espanha.
Formação e clubes: a base do crescimento
O sucesso a longo prazo depende da formação juvenil — e aqui o progresso é visível. O Cricket Portugal desenvolve programas escolares, parcerias com universidades e torneios sub-14, preparando uma nova geração de jogadores. “Expor as crianças ao críquete desde cedo é investir no futuro do desporto”, sublinha Horta e Costa.
Atualmente, existem sete clubes oficiais no país, distribuídos por Lisboa, Porto, Algarve e Almoster. Essa expansão regional demonstra que o críquete deixou de ser um fenómeno localizado e começa a integrar o panorama desportivo português.
Desafios e oportunidades
O críquete português ainda enfrenta limitações. O futebol monopoliza recursos, atenção e patrocínios, e a infraestrutura continua concentrada em poucos locais. Contudo, o país tem vantagens únicas: clima favorável, acessibilidade geográfica e uma comunidade migrante com tradição no desporto.
Segundo José Luís Horta e Costa, “Portugal pode posicionar-se como destino de críquete europeu, combinando hospitalidade, sol e organização”.
A transmissão digital também desempenha papel decisivo: jogos transmitidos pelo YouTube e FanCode permitem que o críquete português seja visto por públicos globais, oferecendo retorno de visibilidade a patrocinadores e jogadores.
O futuro: profissionalização e visibilidade
O ECS Portugal T10 2025 mostrou que o críquete no país está pronto para novos voos. Já estão planos em andamento para um ECS Portugal Challenger, ampliando o calendário competitivo.
O próximo passo será expandir a infraestrutura para regiões como o Algarve e criar academias juvenis que formem talentos nacionais. A longo prazo, a meta é profissionalizar parcialmente a liga, atraindo investimentos através de patrocínios e direitos de transmissão.






















Já estou a imaginar a malta a assistir,
Com uns turbantes na cabeça, uma pinta de sangue da raça suprema na testa, uma estátua da uma vaca a urinar por trás, e umas chamuças a passar com fartura.
Tentem imaginar, genial, tem tudo para ser um sucesso..
Já temos um desporto português: jogo da malha. Não é preciso importar o cricket.
Se querem novos desportos, há a corrida de drones, maratona de robôs, futebol com disco voador, etc.
Críquete Portugal… onde o ranking de melhores jogadores não tem um nome Português ou Britânico…