De Portugal para o mundo: “maior empresa da Europa” para drones de segurança é portuguesa
Algures entre o final de 2000 e o início de 2001, aquando do surgimento das comunicações móveis mais avançadas, a TEKEVER nasce da ambição de cinco colegas do Instituto Superior Técnico, em Lisboa. A vontade de fazer algo com a engenharia que o diretor-executivo descreve como "imaterial" deu origem àquela que é, hoje, a "maior empresa da Europa" para drones de defesa e segurança.
Descrita pelo diretor-executivo, Ricardo Mendes, como "a maior empresa da Europa" na construção de drones para Segurança e Defesa, a TEKEVER desenvolve sistemas autónomos e tecnologias avançadas para mercados de defesa, segurança, aeroespacial e vigilância. Uma área que, aliás, representa mais de 90% do seu volume de negócios.
A partir de soluções como drones, plataformas de análise de dados baseadas em Inteligência Artificial (IA) e tecnologias de observação da Terra, a empresa oferece formas de monitorizar fronteiras, proteger ambientes marítimos, apoiar operações de segurança e agir em cenários críticos.
A empresa atua, também, em áreas como transformação digital e sistemas espaciais através de unidades especializadas, nomeadamente em serviços de software e comunicações por satélite.
Embora tenha nascido em Portugal, a TEKEVER tem contratos com diversos clientes internacionais, incluindo agências e forças de segurança europeias e governos, como Espanha e Reino Unido, apoiando operações em contextos como o da Ucrânia, através de sistemas de reconhecimento e vigilância.

O AR5 é o drone de asa fixa de média altitude e média autonomia mais avançado do mercado, segundo a TEKEVER. Missões como Busca e Salvamento, e Vigilância e Patrulha Marítima beneficiam da sua maior capacidade, maior autonomia e custos operacionais reduzidos. Crédito: TEKEVER
Estatuto de unicórnio chegou em 2025
Graças a uma ronda de financiamento, totalmente subscrita pelos já investidores, em 2025, e cujo valor não foi divulgado, a TEKEVER conseguiu o estatuto de empresa-unicórnio, ultrapassando os mil milhões de dólares de valorização.
No ano passado, a empresa assumiu-se como o sétimo unicórnio português, juntando-se à Talkdesk, Feedzai, Outsytems, Remote, Anchorage e Sword Health.
Segundo o Expresso, entre os investidores que participaram no financiamento, destaque para os seguintes:
- Ventura Capital, empresa global de investimento em tecnologia com participações em empresas como a Alibaba, Spotify, Uber e Bolt e que foi a líder da ronda;
- Baillie Gifford, gestora de ativos independente, sediada na Escócia;
- Fundo de Inovação da NATO;
- Portuguesa Iberis Capital, que investe em pequenas e médias empresas inovadoras e de alto crescimento;
- Crescent Cove, gestora de ativos especializada em investimentos em tecnologia e defesa, com sede nos EUA.
TEKEVER na Ucrânia
Em 2023, depois dos famosos drones portugueses AR1 Blue Ray, dos quais a PSP tem alguns exemplares, e de apresentar o seu Remotely Piloted Aerial System (RPAS) AR5 Life Ray Evolution, principalmente concebido para operações marítimas, a TEKEVER revelou o fornecimento de drones às tropas da Ucrânia.

O drone AR3, com 3,5 m de envergadura e uma capacidade de carga útil de 4 kg, completou com sucesso mais de 10.000 horas de voo operacionais na Ucrânia. A TEKEVER desenvolveu, também, uma variante do AR3 com capacidade de descolagem e aterragem vertical. Crédito: ESD
Entretanto, em 2025, a empresa anunciou planos para expandir a sua infraestrutura e a força de trabalho no país, sinalizando um compromisso de longo prazo.
De acordo com o Kyiv Post, a estratégia incluía a criação de centros operacionais, suporte técnico e integração com o ecossistema de defesa ucraniano.
Inaugurado em abril do ano passado, o escritório da TEKEVER, na Ucrânia, marcou o início de uma presença mais estruturada.
Desde então, dois dos seus modelos de drones acumularam mais de 50.000 horas de voo no país, demonstrando a eficácia das plataformas em ambientes de conflito.
A empresa aposta na transferência de conhecimento e na adaptação das suas tecnologias às necessidades locais.

Em julho de 2025, a TEKEVER adquiriu o Aeroporto de West Wales (Gales Oriental), no Reino Unido, para o transformar num "centro nacional de testes e avaliação" de drones, o que se previa que pudesse ter um impacto positivo na guerra na Ucrânia. Crédito: RR
Empresa portuguesa de drones colabora com a Marinha francesa
Segundo a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), a empresa portuguesa aprofundava a sua presença em França, em dezembro de 2025, onde anunciou um investimento de 100 milhões de euros.
Num "passo importante na implementação da TEKEVER em França", que "reforça a sua posição como parceiro-chave da soberania da defesa europeia", a primeira operação com a marine nationale do drone UAS AR3 EVO, concebido para ser usado por marinhas, guardas costeiras e agências navais em todo o mundo, ocorreu no final do ano passado.
O AR3 EVO foi totalmente instalado e ativado a bordo e, em seguida, descolou e aterrou com sucesso a partir do convés durante a navegação, demonstrando um desempenho fiável e cumprindo todos os objetivos operacionais, mesmo em condições ambientais adversas.
Contou a empresa, citada pel'O Jornal Económico, explicando que o drone pode ser usado em missões de combate à pirataria e vigilância costeira, no reconhecimento da situação da frota e na segurança das fronteiras.

Em parceria com o Grupo CLS, a TEKEVER juntou-se à Marinha (marine nationale) e à alfândega (Douanes), com a utilização do drone AR5, por forma a auxiliar nas operações de vigilância e monitorização marítima em águas francesas. Crédito: TEKEVER
Em Leiria, drones da TEKEVER mapearam estragos
Mais recentemente, após a depressão Kristin, que deixou estragos por toda a região de Leiria, a TEKEVER juntou-se à Câmara Municipal para fazer um levantamento de danos em tempo real.
À agência Lusa, a TEKEVER confirmou estar a colaborar com a Câmara Municipal de Leiria e com as autoridades competentes "no âmbito da resposta aos estragos causados pela depressão Kristin, através da operação de drones e mapeamento de estragos para apoio ao levantamento técnico de danos no concelho".
No início deste mês, a empresa "disponibilizou de imediato uma task force com mais de 100 colaboradores voluntários, em articulação com as autoridades, para apoiar a avaliação da situação no terreno e a resposta à população afetada".
Numa resposta escrita à agência Lusa, a TEKEVER explicou que "a informação recolhida será tratada e analisada através do sistema ATLAS", desenvolvido por si: "uma plataforma avançada de inteligência operacional que permite o processamento de dados em tempo real, cruzando informação proveniente de múltiplas fontes e apoiando decisões rápidas e fundamentadas".
Conforme assegurado pela empresa, "toda a informação e imagens recolhidas no âmbito destas operações são utilizadas apenas para fins técnicos e operacionais e para tratamento exclusivo das autoridades competentes".




















Fico muito contente, orgulhoso por a empresa. Que tenham enorme sucesso e que ajudem a Europa a Ucrânia e o mundo a evoluir para uma maior capacidade na segurança e defesa.
Tenho pena que de Portuguesa já só tenha o nome, e talvez a maioria dos empregados.
De qualquer forma, quando não temos nosso, é melhor ter algo que parece nosso.
E de artigos de empresas Portuguesas que vocês aqui no pplware deviam falar, e ha muitas.
Mas quse não ha artigos.
Como qualquer empresa unicórnio tornam-se multinacionais, continua a ser gerida por portugueses, apenas tem investimento estrangeiro como qualquer empresa desta dimensão, não dá para crescer de outra forma
Pronto, já temos Uber Eats entrega ao domicílio via drones na europa.
Muito interessante!
Não sabia que a Ucrânia tinha feito parcerias com esta empresa
Gostei de ler… só que os neurónios que se encarregam de questionar tudo e mais 500 coisas, logo se encarregaram de me colocar a escrever isto : Então e Portugal ? Incendios todos os anos !?!? Vigilancia e estar um passo à frente do que se vem a dar como certo , prejuizos milionários para o país… etc etc etc
Eles têm modelos para monitorização de incêndios
Pergunta ao governo porque não compra para fazer o serviço.
Porque é caro, muito caro
Gostei da informação e muito importante.
Aqui está uma utilização bastante importante com know how nosso …