O cofundador da Microsoft defende que o trabalho realizado por robôs deveria ficar sujeito ao mesmo imposto que incide sobre o trabalho humano, uma ideia que lançou em 2017 e que voltou, agora, a propor, de modo a garantir receitas ao Estado e proteção aos trabalhadores afetados pela automação.

Bill Gates voltou a defender que os robôs devem pagar impostos, uma proposta que apresentou pela primeira vez em 2017, numa entrevista ao Quartz conduzida por Kevin Delaney, anos antes de o ChatGPT surgir.
Na altura, o cofundador da Microsoft sustentou que um imposto sobre o uso de robôs poderia financiar empregos de apoio a idosos e de trabalho com crianças nas escolas, áreas em que há necessidades por satisfazer e em que os humanos são particularmente indicados. Além disso, admitiu que se devia estar disposto a subir os impostos e até a abrandar a adoção da automação.
O tema regressou, agora, numa entrevista a Ezra Klein, do The New York Times, divulgada esta semana, na qual Gates defendeu que a sociedade pode decidir como apoiar os trabalhadores mesmo quando a Inteligência Artificial (IA) os empurra para fora do mercado de trabalho.
Como funcionaria
Na entrevista, Gates explicou que bastaria definir uma “unidade de trabalho” e determinar que se paga o mesmo Federal Insurance Contributions Act (FICA) que um trabalhador humano pagaria, seja essa unidade fornecida por um humano ou por um robô.
O FICA é o imposto federal sobre os salários que financia a Segurança Social norte-americana (em inglês, Social Security) e o Medicare. Geralmente, o trabalhador paga 7,65% do salário, dos quais 6,2% são para a Social Security e 1,45% são para o Medicare. A entidade patronal paga um valor equivalente, podendo os rendimentos mais elevados estar ainda sujeitos a uma taxa adicional do Medicare.
Segundo Gates, tributar os robôs que ocupam postos de trabalho humanos garantiria segurança financeira aos cidadãos e receita contínua ao Estado.

O ensaio de agosto
A posição já tinha sido defendida num ensaio com cerca de 6000 palavras publicado em agosto, no qual Gates alerta que o mundo precisa de fazer mais para se preparar para uma era de IA que classifica como uma das mais turbulentas da história da humanidade.
O texto propõe taxar, além dos robôs, os tokens de IA, as unidades de consumo que os modelos de linguagem usam para processar texto e outros dados.
O raciocínio de Gates parte do facto de que quem contrata uma pessoa paga impostos sobre os rendimentos dela, enquanto um robô pode normalmente ser abatido de imediato como despesa. Segundo o empresário, isto empurra as empresas para a substituição de pessoas por máquinas.
Na sua opinião, um imposto sobre os tokens abrandaria um pouco essa corrida e geraria receita para a requalificação profissional e para uma rede de proteção social mais robusta.
Apesar de continuar a ser um grande defensor da ideia, Gates reconhece que não resolve sozinha a ameaça da IA e deve ser apenas parte de uma resposta sensata.
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