Lembra-se do teclado HCESAR? Este filho do regime foi usado mais de 30 anos em Portugal
A tecnologia acompanha, de forma muito próxima, cada momento da história humana, ecoando os avanços e respondendo às necessidades e até ambições de cada altura. Hoje, recordamos o teclado HCESAR, um claro reflexo da sociedade portuguesa de há quase 90 anos.
Desde a invenção da roda até à era digital, cada inovação tecnológica, por mais simples que pareça, surgiu como resposta a desafios concretos e acabou por transformar a forma como vivemos e nos relacionamos.
Este progresso não se dá de forma isolada, uma vez que está profundamente ligado ao contexto social, político e económico de cada país em cada altura, refletindo o espírito de cada tempo.
À semelhança das máquinas, da eletricidade e até da computação, que evolui ainda hoje, os teclados são um exemplo mais simples, mas concreto, de como a tecnologia se adapta à realidade de cada país, particularmente em termos linguísticos e culturais.
Teclado HCEZAR tem selo português
Em 1937, o Decreto-Lei n.º 27 868 determinou que todas as máquinas de escrever fabricadas ou importadas para Portugal deveriam adotar um novo padrão de teclado adaptado à língua portuguesa.
O layout HCESAR, cujo nome vem das seis primeiras letras da sua linha superior, nasceu, assim, em plena Ditadura Nacional.
Frequentemente mencionado como "teclado nacional", o HCEZAR foi criado com a intenção de adaptar o teclado das máquinas de escrever à língua portuguesa, organizando as teclas para posicionar no centro do teclado as letras mais usadas em português.
A par disso, era objetivo, também, proteger a indústria nacional de máquinas de escrever face à concorrência estrangeira.
De forma resumida, a criação do teclado teve duas motivações:
- Linguística, pois pretendia-se um arranjo de teclas que facilitasse a escrita em português;
- Económica e política, pois o Governo português da altura queria proteger a indústria nacional de máquinas de escrever, sobretudo a Messa, fábrica portuguesa sediada em Mem Martins.
Curiosamente, além de certas teclas terem uma função dupla, símbolos e caracteres especiais não eram digitados de forma tão direta como hoje.
Durante mais de 30 anos, o HCESAR foi o teclado oficial das máquinas de escrever portuguesas e, embora tenha sido pensado para melhorar a eficiência de digitação em português, o teclado ficou mais associado a máquinas de escrever e à digitação "antiga".
De facto, com o avanço dos computadores e a globalização, o layout acabou por cair em desuso a partir dos anos 70.
Substituído pelo global QWERTY, utilizado, hoje em dia, nos nossos dispositivos, o teclado HCESAR fica na história como símbolo de um regime que aprisionou Portugal durante demasiado tempo.
























antes do qwerty, creio que por cá ainda se usou bastante o azerty
E também se usa o dvorak, é um nicho mas ainda conheço malta da velha guarda a usar dvorak, eu próprio usei durante uns anos quando era novo e não tinha laptop, depois de ter laptop desisti do dvorak
Lembro-me perfeitamente dessa maravilha tecnologica, escrvi centenas de memorandos, ordens de serviço, editais, actas e cartas às amantes nessa belezura.
Não mas tenho uma com o teclado AZERTY, como falado anteriormente.
tenho uma dessas maquinas de escrever aqui, na minha colecção de velharias! Está impecável, escreve a preto e vermelho, tal como a PID mandava. Acho que vou mantê-la por cá, não vá haver 3 Colheres de Raspar Tachos a limpar o país nos próximos anos….
aprendi a escrever com o azert e com hcesar
Aprendi a escrever à máquina numa com HCESAR, e é verdade, está melhor adaptado à língua portuguesa.
No entanto, e quando no início da década de oitenta comecei a escrever em teclados de PC qwerty não fui Velho do Restelo e rapidamente o meu cérebro adaptou-se.
Tenho uma máquina de escrever HCESAR a funcionar e a minha filha adorava utilizá-la para escrever histórias quando começou a escrever… mas também rapidamente microu para PC e, bem, o resto é história…
Questão é se não seria mais eficiente ter mantido esse teclado.
Infelizmente quando decidimos ser “o melhor aluno,” uma posição de escolhida subserviência, todos os nossos interesses se reduziram aos subsídios da CEE /UE.
Sim, seria melhor ter mantido o HCESAR, mas não nos esqueçamos que somos apenas dez milhões, e os potenciais clientes menos, pelo que quer comercialmente não fazia sentido quer a curva de aprendizagem para a utilização do querty na globalização também não fazia sentido.
Perdemos? Sim, o HCESAR é excelente, mas ganhámos na simplificação de utilização dos equipamentos.
Qual era o do Brasil?
brwerty