EUA anulam restrições às exportações de chips de IA, após reclamações da indústria
Depois de um acumular de reclamações da indústria tecnológica e de outros países, o Departamento de Comércio dos Estados Unidos da América (EUA) anulou uma decisão tomada por Joe Biden. O país cancelou as restrições às exportações de chips de Inteligência Artificial (IA), que deveriam entrar em vigor esta quinta-feira.
Enquanto Presidente dos EUA, pouco antes de deixar o cargo, Joe Biden estabeleceu um quadro de exportação de chips, numa tentativa de equilibrar as preocupações de segurança nacional sobre a tecnologia e os interesses económicos das fabricantes e de outros países.
Embora os Estados Unidos já tivessem restringido as exportações para concorrentes como a China e a Rússia, alguns desses controlos tinham lacunas e a nova regra de Joe Biden procurava estabelecer limites para um grupo muito mais amplo de países.
A decisão de Joe Biden resultou numa forte contestação por parte dos mais de 100 países visados, bem como por parte de fabricantes de chips dos EUA, como NVIDIA e Advanced Micro Devices.
Na perspetiva das empresas americanas, as restrições poderiam realmente levar alguns países a recorrer à China, em vez dos EUA, para a sua tecnologia de IA.
Aliás, numa audiência no Senado dos EUA, na semana passada, Brad Smith, presidente da Microsoft, disse que a regra de Joe Biden enviou "uma mensagem a 120 nações de que elas não poderiam necessariamente contar connosco para fornecer a IA que desejam e precisam".
Regra sobre os chips de IA teriam "sufocado a inovação americana"
Em resposta às reclamações, o Departamento de Comércio dos EUA decidiu anular a regra de Joe Biden, que entraria em vigor esta quinta-feira. Esta iria colocar limites ao número de chips de IA que poderiam ser exportados para certos mercados internacionais sem aprovação federal.
Para o Departamento do Comércio, "os novos requisitos teriam sufocado a inovação americana e sobrecarregado as empresas com novos regulamentos onerosos".
Na terça-feira, o subsecretário de comércio Jeffery Kessler disse que o Governo dos EUA trabalhará para substituir a regra revogada para desenvolver a IA com "países estrangeiros confiáveis em todo o mundo", enquanto mantém a tecnologia longe dos seus adversários.
Sem dar detalhes, a administração de Donald Trump partilhou que está prevista uma regra de substituição.
Europa representa uma "oportunidade económica para os EUA"
Entretanto, a Comissão Europeia já saudou a revogação da medida relativa à exportação de chips de IA, pela voz de Thomas Regnier, num comunicado, citado pela imprensa.
Este argumentou que a regra de Joe Biden "prejudicaria as relações diplomáticas dos EUA com dezenas de países, rebaixando-os para o status de segundo nível".
Segundo o porta-voz europeu, os países da União Europeia deverão poder comprar chips avançados de IA dos EUA sem limitações: "cooperamos estreitamente, em particular no campo da segurança, e representamos uma oportunidade económica para os EUA, não um risco de segurança".























O caricato é que Portugal seria um dos prejudicados
Portugal foi incluído no segundo grupo de países, por ser considerado um aliado não chave dos EUA. Por ter sido incluído nesse grupo, podia comprar, sem restrições, 50.000 chips (GPU) avançados para IA, por ano (com algumas condicionantes, até 320.000 em dois anos). Seria um dos prejudicados, porquê, por precisar de mais?
De acordo com a lei de Biden, os países do médio oriente (países árabes mas também Israel), podiam comprar as mesmas 50.000 GPU de IA avançadas que Portugal.
Trump esteve de visita aos países árabes, com um delegação dos CEO das tecnológicas e ficaram garantidos negócios , com a Arábia Saudita, os Emiratos Árabes Unidos e o Catar, tais como:
– Os Emirados Árabes Unidos importam meio milhão de chips das Nvidia, considerados os mais avançados do mundo para a criação de produtos de inteligência artificial.
– A Arábia Saudita fez um acordo semelhante para semicondutores, obtendo a promessa da venda de centenas de milhares de chips Nvidia Blackwell para a Humain, uma startup de IA de propriedade de seu fundo soberano.
– A Cisco disse que assinou um acordo com uma empresa de IA dos Emirados Árabes Unidos para desenvolver o setor de IA do país.
Os filhos de Trump estiveram por lá dias antes, e assinaram negócios imobiliários e de investimentos bilionários nos seus projetos de criptomoedas.
Os Emiratos Árabes Unidos ofereceram um Boeing, para substituir o Air Force One, à Secretaria de Estado da Defesa, passando para a propriedade pessoal de Trump no fim do mandato.
Não sei se se ficou a perceber melhor por que é que Trump anulou a decisão tomada por Joe Biden.