Estudo concluiu que há uma métrica que os smartwatches não medem assim tão bem
Os smartwatches são já parte do dia a dia de muitos utilizadores, que utilizam este tipo de gadget para monitorização constante de vários parâmetros relacionados com saúde e bem-estar. Recentemente, um estudo concluiu que há uma métrica que os dispositivos não medem assim tão bem.
Longe vai o tempo em que apenas os atletas queriam estar constantemente a par do funcionamento do seu corpo.
De facto, hoje em dia, muitos entusiastas da saúde e do bem-estar adotam relógios inteligentes, por forma a conhecerem métricas como pressão arterial, ritmo cardíaco, stress, qualidade do sono, saturação de oxigénio no sangue, nível de açúcar no sangue, entre outras.
Atualmente, os utilizadores confiam de tal forma nestes dispositivos que, conforme informámos, em julho, 93% dos profissionais de saúde já receberam doentes motivados pelos smartwatches.
Além disso, vimos que, por terem acesso aos seus dados de saúde de forma constante, mais de 80% dos utilizadores de smartwatches relatam mudanças de comportamento positivas, incluindo o aumento da atividade física e a melhoria dos hábitos de sono.
Apesar da confiança que se lhes deposita, um novo estudo concluiu que há uma métrica, em particular, que os smartwatches não medem assim tão bem.
Smartwatches falham a medir os níveis de stress dos utilizadores
Publicado no Journal of Psychopathology and Clinical Science, um estudo concluiu que os relógios inteligentes têm uma capacidade muito limitada de realmente comunicar o estado psicológico de uma pessoa.
Segundo os investigadores, um smartwatch pode, por vezes, pensar que o utilizador está stressado quando, na verdade, está apenas animado com alguma coisa.
Por via da análise de quase 800 estudantes que usavam um Garmin Vivosmart 4, os investigadores mediram os seus estados emocionais autor-relatados em comparação com as métricas recolhidas pelos smartwatches.
De acordo com o estudo, os auto-relatos dos utilizadores dos relógios inteligentes e as análises fornecidas pelos relógios tinham pouca semelhança entre si.
Investigámos a sobreposição simultânea entre o auto-relato e os dados dos sensores dos dispositivos vestíveis que medem o stress, o cansaço e o sono. Para a maioria dos indivíduos da nossa amostra, descobrimos que o auto-relato e as medidas fisiológicas do stress mostram associações muito fracas ou inexistentes.
Escreveram os investigadores, explicando os "resultados levantam várias questões sobre as diferenças entre as fontes de dados e possíveis problemas de medição".
Numa entrevista ao The Guardian, um dos autores do estudo, Eiko Fried, disse que a correlação entre as pontuações de stress auto-relatadas que foram recolhidas como parte do estudo e as leituras fornecidas pelos smartwatches era "basicamente zero".
Além disso, admitiu que tal conclusão não foi uma surpresa para os investigadores, uma vez que "o relógio mede a frequência cardíaca e [esta] não tem muito que ver com a emoção que o utilizador está a experimentar", uma vez que aumenta, também, "com estimulação sexual ou experiências alegres".
As descobertas levantam questões importantes sobre o que os dados dos dispositivos vestíveis podem ou não dizer-nos sobre os estados mentais.
Partilhou Eiko Fried, alertando os utilizadores para terem cuidado e não viverem conforme o smartwatch: "são dispositivos de consumo, não dispositivos médicos".
Embora o estudo afirme que o smartwatch da Garmin não foi muito eficaz na medição do stress, os investigadores concluíram que ele parecia fornecer métricas decentes noutras áreas.
Segundo o relatório, o relógio inteligente foi muito bom na medição do sono, apesar de "as associações [serem] mais fracas para o cansaço".
Garmin sobre a medição do stress pelos seus smartwatches
Para o estudo, os investigadores analisaram quase 800 estudantes que usavam um Garmin Vivosmart 4.
No seu website, a Garmin anuncia que os seus smartwatches têm capacidade de monitorização do stress:
Os níveis de stresse (0–100) são estimados pelo mecanismo Firstbeat Analytics, usando principalmente uma combinação de dados de FC e VFC. Esses dados são registados pelo sensor ótico de frequência cardíaca na parte traseira do dispositivo.
Contudo, a Garmin parece admitir que a qualidade e o caráter do stress podem ser difíceis de medir:
Falar em público e subir um lance de escadas podem fazer o seu coração acelerar, mas as razões subjacentes são fundamentalmente diferentes.
Segundo a empresa, que reconhece potenciais falhas na medição do stress, usar o relógio com mais frequência pode resultar em melhores medições: "[...] especialmente enquanto dorme, porque é nesse momento que os seus níveis de stress normalmente estão mais baixos, [ajudando] a criar uma melhor compreensão de toda a gama de estados de stress e relaxamento que experimenta".
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Estas novas tecnologias são feitas para nos fazerem sentir melhor. Claro que não nos vão dizer que estamos stressados. Isso é tudo o que alguém que está stressado não quer. E cada vez vai ser pior com a implementação de IA no software (e hardware qui sa) dos novos smartwatches que até nos fazem uma consulta psicológica diária a dizer que somos os maiores da nossa rua e arredores 😉
Eu já me fico contente se o meu smartwatch me der as bpm e nivel oxigénio no sangue com um nível de exatidão de ~95%.
O Apple watch nao mede o stress e faz bem, porque a garmin e a samsung nao sabem o que dizem, so metricas da treta. O Samsung watch chegou a dizer que estava com 75bpm durante uma corrida…o apple watch e bem dizia 167.
Pior que não ter a informação é dizer a informação errada
Só 167? Menos de 7000bpm, você não dá para cliente Apple. Não irá pagar 500k, em dólares, pelo seguro de saúde anual, que usaria todos os dados, da Apple, sobre si, para subir 10000%, no prémio, do ano seguinte, a ter gasto $48k, em novos equipamentos Apple.